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Pelo acordo firmado no início de junho, mil militares de cada lado seriam libertados, priorizando os militares feridos e com menos de 25 anos. Ao anunciar as libertações, os dois lados divulgaram imagens de seus militares enrolados em bandeiras nacionais.
“Nosso povo está retornando do cativeiro russo. São combatentes das Forças Armadas, da Guarda Nacional e do Serviço de Guarda de Fronteira do Estado. A maioria deles estava em cativeiro desde 2022”, escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em suas redes sociais. “Estamos trabalhando para trazer nosso povo de volta. Agradeço a todos que ajudam a tornar essas trocas possíveis. Nosso objetivo é libertar cada um deles.”
Em comunicado, o Ministério da Defesa russo afirmou que “um grupo de militares russos foi devolvido do território controlado pelo regime de Kiev”, e que “em troca, um grupo de prisioneiros de guerra das Forças Armadas Ucranianas foi transferido”. Os militares, afirma o ministério, foram levados à Bielorrússia, e “serão transportados para a Federação Russa para tratamento e reabilitação nas instituições médicas do Ministério da Defesa “.
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Durante as negociações do dia 2 de junho, os dois lados também concordaram com o retorno dos corpos de seis mil militares mortos em combate, de cada lado, um processo que também está em curso. Mas não houve, e não há, sinais de que russos e ucranianos estejam perto de um acerto sobre uma pausa nos combates, e sobre os primeiros passos para o fim da guerra.
Nesta quinta-feira, o chanceler ucraniano, Andriy Sybiga, acusou os russos de ignorarem uma proposta de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos em março, que previa uma pausa de 30 dias nos combates, sem pré-condições.
“A Ucrânia continua comprometida com a paz. Infelizmente, a Rússia continua a escolher a guerra, ignorando os esforços dos EUA para impedir a matança. Chegou a hora de agir agora e forçar a Rússia à paz”, disse Sybiga, em publicação na rede social X.
Na ocasião, Zelensky afirmou que concordaria com a suspensão nos combates “desde que a Rússia concordasse”. Já a Rússia, embora tenha considerado a ideia “positiva”, questionou a forma como seria monitorado o cessar-fogo, e até agora não deu uma resposta definitiva à proposta — o presidente dos EUA, Donald Trump, principal defensor da trégua, pressiona Putin para que aceitasse seus termos, até agora sem sucesso.
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Sem acordo, a Rússia intensificou seus ataques aéreos, especialmente contra Kiev, e tenta consolidar avanços terrestres no leste ucraniano. Com o apoio das tropas norte-coreanas, os russos conseguiram expulsar as forças de Kiev do territorio de Kursk, no que havia sido a maior incursão estrangeira na Rússia desde a Segunda Guerra Mundial. Em resposta, a Ucrânia ampliou o escopo de seus ataques com drones, atingindo bases militares e destruindo aeronaves de combate a alguns milhares de quilômetros de suas fronteiras.
Apesar de pressionar publicamente Putin a concordar com seus termos sobre a guerra, nos bastidores o presidente americano parece cada vez menos propenso a gastar seu capital político, econômico e militar com o conflito, especialmente após o início da guerra entre Israel e Irã. Segundo a agência Reuters, a Casa Branca desmantelou, nas últimas semanas, um grupo de trabalho destinado a encontrar maneiras para pressionar a Rússia.
— Perdeu força no final porque o presidente não estava lá. Em vez de fazer mais, talvez ele quisesse fazer menos — disse um integrante do grupo à Reuters, em condição de anonimato.
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O grupo era composto por funcionários do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, dos departamentos de Estado, Tesouro e Defesa, além da comunidade de inteligência. Segundo a Reuters, um golpe crucial para os trabalhos foi a demissão de uma série de integrantes do Conselho de Segurança Nacional, no mês passado, incluindo pessoas que lidavam diretamente com a guerra na Ucrânia.
A Casa Branca não se pronunciou.