Após o bom jogo e o empate em 0 a 0 com o Borussia Dortmund-ALE, o Fluminense vira a chave na Copa do Mundo de Clubes para encarar um adversário bem menos conhecido no futebol internacional, neste sábado. O tricolor mede forças com o Ulsan HD, da Coreia do Sul, às 19h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. A seu favor, tem o momento de baixa que vive o rival coreano.
O GLOBO ouviu Alex Jensen, comunicador, narrador e comentarista das transmissões em inglês da K League, o Campeonato Sul-Coreano, que falou da temporada irregular do atual campeão nacional.
O Ulsan conquistou três dos seus cinco títulos nacionais de forma consecutiva nas últimas três temporadas. Classificado via ranking da AFC (a confederação asiática), a equipe embarcou para o Mundial em uma situação diferente desta história recente: uma temporada na parte de cima da tabela, mas longe da disputa pelo título.
— A derrota pro Mamelodi Sundowns não me surpreendeu. O Ulsan não vem bem ou consistente nessa temporada para defender o título deles na K League. Também não conseguiram avançar na Champions League da AFC. Hoje, é quarto colocado e está a 12 pontos do Jeonbuk Hyundai depois de 19 rodadas (a 20ª rodada começa neste sábado). O Jeonbuk lutou contra o rebaixamento na temporada passada, então as coisas mudaram. Eles tentam manter sempre o melhor time titular possível, enquanto o Ulsan roda muito o elenco. Não é um ano bom para o Ulsan e para o técnico Kim Pan-gon, que assumiu no ano passado. Ele vai sofrer pressão para fazer as coisas se encaixarem depois do Mundial — explica Jensen.
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Contra o Dortmund, o Fluminense explorou as transições nas costas da linha alta de defesa dos alemães. O Ulsan, em sua estreia diante do Mamelodi Sundowns (derrota por 1 a 0), também precisou se utilizar do contra-ataque como arma, especialmente no segundo tempo.
Segundo Jensen, esse não é exatamente o estilo do time coreano, que prefere ter a bola e construir desde o campo de defesa. Ele prevê a parte física como um fator que pesará a favor do tricolor.
— O Ulsan não é um time de contra-ataque, tipicamente. Até são rápidos e conseguem contra-atacar, mas normalmente constroem de trás e pelo meio antes de atacar defesas que os respeitam pelos três títulos e povoam o último terço. Eles costumam começar bem os jogos e desacelerar antes de, mais tarde no jogo, aumentar a intensidade. No Mundial, estão enfrentando estilos diferentes de jogo e se ajustando. Eles sabem da capacidade técnica do Fluminense, muitos dos estrangeiros que jogam na Coreia são brasileiros. Mas não tenho certeza se terão as características físicas para superar o Fluminense. Precisarão se defender muito bem e esperar que o contra-ataque funcione.
O comunicador finaliza apontando os atletas mais perigosos do elenco do Ulsan. Um deles é o atacante Erick Farias, ex-Vasco e Fluminense. Ele soma 9 gols em 16 jogos com a camisa do time sul-coreano. No entanto, Jensen alerta que ele precisa ter ajuda no ataque. Ele também ressalta a importância de Bojanic no meio e dos laterais Ludwigson e Um Won-Sang na fase ofensiva.
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— No papel, o Ulsan tem jogadores talentosos que podem criar problemas. Se reforçaram na defesa na última janela, têm um bom goleiro e meias experientes com criatividade e estabilidade. Quando Darijan Bojanic joga bem, todo o time ganha na troca de passes. Ko Seung-beom (atacante) faz pressão em todos os cantos do campo, Matias Lacava vinha sendo opção do banco, mas se destacou na estreia. No ataque, Erick pode ser conhecido de alguns torcedores. Ele tem evoluído nessa temporada e está se tornando uma boa ameaça ofensiva na K League, mas precisa ser bem servido, como todo atacante. Não sei se ele é ideal para jogar como único atacante quando o Ulsan está sob pressão. Um Won-sang e Gustav Ludwigson são perigosos jogando abertos, mas podem ser limitados se os mantiverem recuados. Tenho certeza que o Ulsan estará muito motivado e pronto para o jogo, mas claramente as chances estão contra eles. Principalmente pela confiança, que já não estava em alta antes de embarcarem para a Copa de Clubes.