Quando o Nintendo Switch 2 foi anunciado oficialmente em janeiro deste ano, as imagens iniciais animavam por um lado – afinal, era a primeira vez que revelavam a tão aguardada sequência do console mais vendido do mundo -, mas também decepcionavam por outro. É que, em aparência, ele era bem semelhante ao primeiro Nintendo Switch, sem grandes novidades à vista.
Foi só em abril, em evento oficial, que a Nintendo revelou o que realmente poderíamos esperar da nova geração de consoles: uma tela maior, com resolução de 1080p, rodando a 120 fps; novos joysticks, também maiores, que tinham encaixe diferente e botões que caberiam na mão de jogadores mais maduros; um hardware dez vezes mais potente do que o da primeira geração, com tecnologia de inteligência artificial desenvolvida pela NVIDIA e possibilidade de jogar em 4K; e um até então nunca visto recurso de mouse.
De tudo isso, o que chamava mais atenção no quesito inovação era essa última novidade. A possibilidade de simplesmente pegar um joystick, pô-lo na perna e movê-lo como se fosse um mouse parecia surpreendente, completamente fora da casinha. E ele é tudo isso, de verdade – e extremamente preciso também.
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No Welcome Tour (R$ 70) – um “jogo” que, por ser apenas um imenso tutorial, deveria ser gratuito e instalado de fábrica no console -, há um minigame em que você precisa fugir de bombas e capturar estrelas que caem do topo da tela. O formato é tradicional, mas funciona muito melhor quando utilizando o joystick como mouse.
Testamos o joystick-mouse de duas formas: diretamente na coxa, como a própria Nintendo sugere, e também em uma almofada. A precisão se mantém razoável na almofada, mas o controle é bem melhor se usado da forma que foi projetado.
É importante frisar que, a depender da sua habilidade, ele não funciona tão bem em todos os jogos. Jogar um FPS como Cyberpunk 2077 (2020) usando o recurso de mouse do joystick é, pelo menos a princípio, bastante caótico. Ele pode ser preciso, sim, mas é difícil de encontrar a posição certa para usá-lo – e, às vezes, o espaço da coxa não é suficiente para fazer todos os movimentos.
O problema é que essa é a grande inovação do Switch 2 no mercado. E isso, sozinho, não justifica o salgadíssimo preço de R$ 4.499, que equivale a três salários mínimos (R$ 1.509) e foge bastante da realidade da maioria dos brasileiros.
A portabilidade, que é o carro-chefe do console, já existia na primeira versão, o Switch 1. Já o hardware potente pode, sim, fazer diferença em jogos exclusivos da Nintendo, e também abre portas para que o console fique à altura do Xbox Series S, mas é algo que já pode ser encontrado, inclusive até melhor, em outras plataformas.
Não leve a mal: o Nintendo Switch 2 é um console muito, muito bom. Apenas o fato de que ele consegue rodar Cyberpunk 2077 em um portátil já é muito interessante, e inimaginável para a primeira versão. Além disso, ele está, sim, em um valor bem abaixo dos demais portáteis do mercado – o Steam Deck, por exemplo, que nem vende oficialmente no Brasil, é comercializado por mais ou menos R$ 6 mil.
Mas ainda assim é complicado pagar mais de R$ 4 mil em um console que, pelo menos até o momento, praticamente não tem exclusivos – especialmente em um país em que a maioria das pessoas ganha R$ 2.020 mensais. Acaba sendo um videogame que, por mais que queira unir, acaba separando usuários que, por mais que gostem da marca, não têm condição de fazer o upgrade.
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Apesar disso, o Nintendo Switch 2 foi um sucesso de vendas – na verdade, foi o maior lançamento em videogames até então. Isso também não é exatamente uma surpresa quando se considera que a versão anterior foi o console mais vendido de todos os tempos.
Ao redor de todo o mundo, aliás, as pessoas fizeram longuíssimas filas de madrugada para comprar o console logo pela manhã. No Brasil, já na pré-venda ele estava esgotado – e vale dizer que, até a data desta reportagem, ainda não havia reposição oficial no varejo. Enquanto isso, em outros sites, quem quiser garantir o Switch 2 em seu mês de estreia precisa desembolsar pelo menos R$ 6 mil. Cada um sabe o que pode gastar – mas que o console é caro, é.
Quanto aos aspectos técnicos, a qualidade de imagem da tela é um salto gigantesco em relação à primeira versão – no entanto, donos do Switch OLED podem não gostar tanto. Ele de fato roda os jogos em 120 fps, mas pode engasgar em alguns – como foi o caso com Cyberpunk 2077, por exemplo, que travou três vezes durante os testes.
Além disso, caso seja explorada por outros publishers e até pela própria Nintendo, a função de mouse pode ser realmente um divisor de águas no mercado de jogos, abrindo caminho para novas modalidades de jogabilidade.
De um ponto de vista puramente de hardware, ele é um avanço surpreendente. Mas, no final, acaba sendo mais um ‘Super Nintendo Switch’ do que um novo console de fato – e que está bem além da realidade das contas bancárias brasileiras, pelo menos por enquanto.
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