A demora de mais de 96 horas para que o corpo da turista brasileira Juliana Marins, de 26 anos, fosse resgatado da encosta íngreme de um vulcão no Monte Rinjani, na Indonésia, é um fator que dificulta em muito saber se a publicitária, moradora de Niterói poderia ser salva, caso o socorro tivesse chegado mais cedo. A avaliação é do presidente da Associação Nacional de Peritos Criminais Federais, Marcos De Almeida Camargo. Ele observa que, após o óbito, o cadáver permanece rígido por apenas três dias.
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Juliana se acidentou por volta das 19 horas de sexta-feira (horário de Brasília). E o corpo só foi entregue para autópsia na quinta-feira à tarde (inicio da manhã pelo fuso brasileiro)no Hospital Bali Mandara, quase uma semana depois.
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— O ideal era que o perito tivesse ido ao local da queda para conhecer a área. E a partir daí tirar suas conclusões sobre o que causou a morte da Juliana, mas se sabe que a área é de difícil acesso. Como não foi possível, restou a análise do cadáver — disse Marcos.
Em entrevista coletiva na Indonésia, o médico legista Ida Bagus Putu Alit disse que Juliana morreu de politraumatismo, com hemorragia interna, em até 20 minutos . Mas como a turista despencou três vezes não seria possível afirmar qual dessas quedas foi a principal para o desfecho do caso.
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— A causa direta da morte foi o impacto e a quantidade de sangue acumulado dentro da cavidade torácica — explicou Alit.
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Com a ressalva que não teve acesso aos laudos, Marcos Camargo, também diretor da Associação Nacional de Peritos, diz que o tempo estimado é factível, mas ele observa que a tonalidade das equimoses na pele em decorrência das lesões internas que Juliana sofreu poderia ajudar a avaliar se ela de fato morreu logo após ter sofrido múltiplas fraturas no tórax e hemorragia interna ou se passou dias em agonia, aguardando pelo socorro.
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—Os hematomas que forem identificados no corpo devem corresponder as fraturas. Se forem de um tom mais para o preto, comuns quando alguém se machuca, indica que a morte ocorreu de forma mais rápida. Não houve tempo do organismo se recuperar. Se a tonalidade for mais clara, indica que a Juliana resistiu mais tempo — disse Camargo.
No Rio, o perito Nelson Massini avaliou que, muito provavelmente, Juliana sobreviveu à primeira queda. Ele chegou a essa conclusão após ampliar imagens feitas por drone por outros turistas, nas quais a publicitária parece se movimentar.
— É possível identificar que ela tinha um sangramento na cabeça, mas que não seria fatal. E visualmente, naquele momento não identifiquei qualquer fratura que sugerisse risco de hemorragia interna — disse Nelson Massini.
Na Indonésia, os peritos encontraram de fato ferimentos na cabeça. Mas a hemorragia não era tão extensa. Eles também afastaram, com base na análise dos tecidos corporais, que ela tenha morrido por hipotermia devido à exposição ao frio. Ao cair, Juliana vestia apenas calça jeans, camiseta, luvas e tênis.
— Não havia os sinais clássicos de hipotermia, como necrose nas extremidades ou coloração escura nos dedos. Isso nos permite afirmar com segurança que a hipotermia não foi a causa — detalhou o perito indonésio.
Massini, por sua vez, ressalva:
— A causa pode ter sido as fraturas e a hemorragia. Mas o fato da Juliana ter passado horas sem roupas adequadas e sem se alimentar minaram sua resistência física, contribuindo para a morte.