O sábado no Glastonbury, lendário festival de música da Inglaterra, cuja edição deste ano começou na quarta-feira e vai até domingo, foi marcado por controvérsias políticas envolvendo o grupo norte-irlandês Kneecap e o duo inglês Bob Vylan. Enquanto o primeiro acusou, em seu show, Israel de ser “criminoso de guerra”, o outro puxou, do palco, o cântico de ‘morte às Forças de Defesa’ do país — o que levou os organizadores do festival a publicarem uma reprimenda.
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Após muitos cancelamentos de festivais devido ao seu ativismo pró-Palestina, uma acusação de terrorismo contra o integrante Mo Chara e até críticas do primeiro ministro britânico Keir Starmer (para quem a presença do grupo no evento era “inapropriada”), o Kneecap chegou a festival fumegando.
No show, Chara fez provocações à multidão: “Glastonbury, sou um homem livre! O primeiro-ministro do seu país — não do nosso — disse que não queria que tocássemos. Então, que se dane o Keir Starmer!” Em seguida, o rapper fez uma piada com o astro escocês que também se apresentava no festival: “Alguém vai ao Rod Stewart amanhã? O cara é mais velho que Israel!”.
Outras provocações de Mo Chara se seguiram: “Estamos todos assistindo, todos temos um celular, não tem como esconder. Israel é um criminoso de guerra. É um genocida do caralho. E é importante… Eu consigo ver a quantidade de bandeiras palestinas aqui, e é uma loucura. O editor da BBC vai ter trabalho!” Logo depois, ele instou a multidão a acompanha-lo no cântico de “Palestina livre!”.
A apresentação do Kneecap não foi transmitida ao vivo, mas o grupo garantiu aos fãs no Instagram que a BBC “VAI colocar nosso set de Glastonbury hoje no I-player mais tarde esta noite para o prazer de vocês assistirem.”
Apresentando-se pouco antes do Kneecap, o duo inglês de punk/grime Bob Vylan cuidou de deixar o clima quente no festival. O vocalista Bobby Vylan puxou coros de “Palestina livre!” e de “morte às Forças de Defesa de Israel!”, transmitidos ao vivo pela BBC, que afirmou terem sido os comentários “profundamente ofensivos” e garantiu que o show não seria exibido no streaming sob demanda.
A polícia disse estar avaliando ambas as apresentações “para determinar se alguma infração pode ter sido cometida e que exigiria uma investigação criminal”.
Em uma declaração publicada no seu Instagram oficial e no da organizadora Emily Eavis, o festival condenou as falas de Bobby Vylan: “Com quase 4 mil apresentações no Glastonbury 2025, inevitavelmente haverá artistas e palestrantes em nossos palcos cujas opiniões não compartilhamos, e a presença de um artista aqui nunca deve ser vista como um endosso tácito de suas opiniões e crenças.”
A declaração segue: “No entanto, estamos chocados com as declarações feitas por Bob Vylan no palco de West Holts ontem. Seus cânticos ultrapassaram completamente os limites e estamos lembrando urgentemente a todos os envolvidos na produção do festival que não há lugar em Glastonbury para antissemitismo, discurso de ódio ou incitação à violência.”