O drama de estar com bebê recém-nascido atrás das grades pode ajudar a Danúbia de Souza Rangel, que ficou conhecida como “Xerifa da Rocinha”, a conseguir o benefício da prisão domiciliar e de passar menos tempo em um presídio. Ela foi detida por policiais da 72ªDP( São Gonçalo), neste sábado, por conta de um mandado de prisão expedido pela Justiça, após se internar em um hospital da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, para dar à luz uma criança. A ex-mulher do traficante Antônio Francisco Bomfim Lopes, o Nem da Rocinha, tem a seu favor o fato da Lei de Execuções Penais prever que mães condenadas com filhos menores, ou com deficiência, podem solicitar o benefício da prisão domiciliar.
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No entanto, um vídeo postado por Danúbia nas redes sociais, onde ela faz um desabafo sobre sua situação, provavelmente feito por um telefone quando ainda estava sob custódia em um hospital da Barra da Tijuca, também pode causar algum prejuízo para a ex-mulher de Nem.
A defesa de Danúbia já havia entrado, neste domingo, com um pedido de domiciliar no plantão judiciário, alegando que a criança precisava de cuidados especiais por ser diagnosticada com Síndrome de Down. O juízo determinou que o caso fosse encaminhado para a Vara de Execuções Penais(VEP), juizado competente para apreciar o assunto. Nesta segunda-feira, logo após um juiz confirmar na audiência de custódia, a validade da prisão preventiva de Danúbia, o advogado Marco Aurélio Torres Santos disse que entrará com um pedido de prisão domiciliar para sua cliente.
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— Vou entrar com o requerimento pedindo a domiciliar na Vara de Execuções Penais. Ela é mãe de uma criança recém-nascida que precisa de cuidados especiais. A Danúbia está muito abalada. Durante a audiência de custódia falava o tempo inteiro na filha, que a menina precisava de cuidados. E que não pode ficar sem fazer exames — disse o advogado.
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Segundo o advogado, para ser possível habilitar o pedido de domiciliar, é necessário que o juiz responsável pela condenação remeta uma carta para Vara de Execuções Penais com a execução da pena.
— Levando em consideração o bebê recém-nascido e as condições dele, vou utilizar isso para entrar diretamente na VEP com o pedido de domiciliar. O juiz pode entender também ser necessário ou não ouvir o Ministério Público — disse.
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Ainda de acordo com o advogado, Danúbia não tem mais ligação com Nem. A filha recém-nascida de Danúbia é fruto de um relacionamento dela com o MC HCalvin, rapper com cerca de 16 mil seguidores na internet. Numa postagem, ele escreveu: “Sou o homem mais feliz de 2025.”
Danúbia era conhecida como “Xerifa da Rocinha” e teve papel ativo no comando do tráfico na favela da Rocinha mesmo após a prisão do então companheiro Nem, que está em presídio federal. Recentemente, ela tem mantido presença ativa nas redes sociais, onde se reinventou como influencer com mais de 50 mil seguidores.
Danúbia havia sido presa pela última vez em outubro de 2017, na Ilha do Governador, em operação conjunta das delegacias da 39ª DP (Pavuna) e da 52ª DP (Nova Iguaçu). À época, a acusação era de que Danúbia teria ajudado Nem a continuar comandando o tráfico da Rocinha de dentro do presídio.
Pelos crimes de associação para o tráfico e corrupção ativa, foi condenada a 8 anos, 2 meses e 20 dias de prisão. Mesmo reclusa, Danúbia continuou a desafiar as regras. Em março de 2022, foi punida no Instituto Penal Oscar Stevenson por tirar selfies na cela e publicar nas redes sociais. Como resultado, teve o regime de pena alterado: passou do semiaberto para o fechado, com restrição de benefícios como saídas temporárias.
No dia 11 de janeiro de 2025, ela deixou o presídio após cumprir parte da pena. A libertação foi comemorada com espumante rosé ao lado de amigos e familiares. Pouco depois, criou um novo perfil nas redes sociais, onde acumula mais de 50 mil seguidores. Nele, passou a divulgar procedimentos estéticos, harmonização facial, clínicas odontológicas e restaurantes em comunidades cariocas, afirmando estar “renovada” com o novo visual.
Apesar da soltura, Danúbia ainda tinha um mandado de prisão condenatória pendente por crime de lavagem de dinheiro. A pena era de nove anos e seis meses de prisão. No sábado, 5 de julho de 2025, ela foi localizada por policiais civis da 72ª DP (Mutuá) enquanto estava internada em uma unidade hospitalar na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Com isso, foi novamente presa.