Tratado como a menor força dos quatro clubes brasileiros, o Fluminense ficou perto de fazer o impossível na Copa do Mundo de Clubes. Desde a estreia contra o Borussia Dortmund-ALE até a eliminação para o Chelsea-ING na semifinal, o time de Renato Gaúcho surpreendeu favoritos e contrariou prognósticos. Apesar da frustração de momento com o sonho interrompido do que seria o maior título de um clube sul-americano na história, o torcedor tricolor sabe que nunca irá esquecer a memorável campanha nos Estados Unidos. Afinal, ela traz um protagonismo internacional com benefícios que ultrapassam as quatro linhas.
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Não tem como falar da trajetória do clube na competição sem exaltar o trabalho à beira do campo. Desde que fez história como treinador do Grêmio há quase uma década, Renato não recebia tanto destaque à frente de uma equipe. Provando que não foi multicampeão na carreira à toa, ele mostrou conhecimento tático ao usar como carta na manga a formação de três zagueiros a partir das oitavas de final. Desde então, o Fluminense construiu uma defesa capaz de travar ataques milionários, com cinco gols sofridos na competição. Além da liderança de Thiago Silva, Ignácio e Freytes deixaram as críticas de lado para figurarem entre os melhores zagueiros do torneio.
Na tentativa de “espelhar” a marcação nas classificações sobre Inter de Milão-ITA e Al-Hilal-SAU, Renato encontrou um plano de jogo que deu confiança aos jogadores diante de adversários poderosos. A manutenção do formato durante o mata-mata deixa em aberto se o comandante repetirá o sistema nos cenários nacional e sul-americano. Como foi pensado primeiramente para desbancar favoritos em confrontos eliminatórios, ele não pode ser tão útil quando o Fluminense precisará ter uma postura mais ofensiva, principalmente em jogos no Maracanã.
Outros jogadores que superaram a desconfiança foram Martinelli, Hércules e Nonato. O trio de volantes não só deixou tudo em campo, como também marcou gols em momentos decisivos. O caso mais simbólico é do camisa 35, que saiu de desacreditado para virar o artilheiro da equipe na competição, com dois gols. Os jovens volantes se despedem do Mundial em viés de alta e devem seguir como titulares no meio-campo. Por outro lado, ficou claro que Ganso perdeu espaço no elenco com apenas 45 minutos em campo. No ataque, Cano oscilou mais do que o normal, o que é, até certo ponto, natural para quem está buscando ritmo de jogo. Já Everaldo ficou marcado negativamente por pecar no terço final do campo.
Se o desempenho da defesa e do meio-campo foram encarados como surpresas, Jhon Arias seguiu como referência técnica do Fluminense na Copa do Mundo de Clubes. Eleito o melhor jogador em campo em três das seis partidas, o colombiano comandou as ações ofensivas e deu a sensação que a equipe conta com um atleta de nível europeu no futebol brasileiro. Diante da repercussão internacional, o assédio do exterior deve se intensificar em cima do jogador, que renovou seu contrato, no início do ano, até o meio de 2028.
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No lado financeiro, o tricolor garantiu 52,32 milhões de euros (R$336 milhões) em premiação — valor que corresponde a praticamente 50% da receita total de 2024, estimada em 107 milhões de euros (R$684 milhões) — como único semifinalista não-europeu. A bolada dá um respiro financeiro para a diretoria equilibrar as finanças e, quem sabe, fazer reforços de peso na segunda janela, que abre nesta quinta-feira (10).
Por conta da falta de oportunidades em um mercado inflacionado, a diretoria tricolor só contratou Soteldo na primeira janela extra do Mundial, o que gerou críticas da torcida em meio a reforços caros dos rivais. Além da questão financeira, ela passa a olhar atletas nos mercados nacional e internacional sob o status de um dos quatro melhores times do mundo. Por mais que Renato elogie as peças que tem à disposição, a chegada de novos jogadores pode fazer com que o Fluminense dê o salto necessário para disputar os principais títulos até o final desta temporada (Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana).
Fora de campo, a tão sonhada internacionalização da marca virou realidade. Os resultados esportivos da equipe repercutiram mundo afora, o que é importante para a promoção do clube em lugares até então inatingíveis, apesar de ser difícil mensurar o tamanho desse impacto. Até mesmo no empate sem gols diante do Borussia, os principais jornais alemães rasgaram elogios para o desempenho tricolor. Mais um sinal de que a história foi escrita na Copa do Mundo de Clubes.
