Cada vez mais, é possível ver (ou rever, para alguns) nas salas de cinemas de rua e em shoppings de São Paulo cartazes originais anunciando a exibição de filmes clássicos ou blockbusters como a trilogia de “O poderoso chefão” (1972, 1974 e 1990), de Francis Ford Coppola, “Mulholland drive” (2001), de David Lynch, ou até mesmo “Star wars: episódio III — a vingança dos sith” (2005), de George Lucas. O cinema nacional também está nessa onda. De carona no sucesso de Fernanda Torres por “Ainda estou aqui”, o longa “Saneamento básico” (2007), de Jorge Furtado e que traz a atriz como protagonista, também voltou às telas paulistanas. Em comum, a alta qualidade das cópias, que chegam em versões remasterizadas, restauradas ou digitalizadas.
A estratégia das distribuidoras e exibidores consiste em aproveitar a atual onda de remakes e continuações de filmes exibidos há décadas para relançar antigos sucessos de bilheteria nos cinemas em datas comemorativas, como aniversário de lançamento. Mas não apenas isso. Entra na conta o lado sentimental e nostálgico da obra, que pega de jeito os aficionados pela sétima arte.
Para Adhemar Oliveira, exibidor à frente do Espaço Petrobras de Cinema, na Rua Augusta, região central da capital paulista, a prática tem ainda potencial para resgatar a relevância do patrimônio cinematográfico e, principalmente, permitir que novas gerações tenham acesso à experiência original de ver obras clássicas na tela grande.
— A iniciativa torna possível que novos espectadores vejam na telona aquilo que já admiravam na telinha (na televisão e nos streamings por celular, por exemplo). O jovem ainda vai poder mergulhar em mundos que não eram acessíveis ou até mesmo conhecidos porque ele ainda não havia tido essa relação com a sala de cinema, já que esses filmes clássicos não passaram na sua época — diz.
Para Oliveira, que atua há mais de 40 anos como exibidor e ativista da área, as novas exibições também reafirmam o valor artístico das obras e resgatam a importância cultural dos cinemas.
— O filme é uma expressão de um ponto de vista da época, por isso é histórico. Mas há longas que, quando lançados, estavam antecipando uma série de coisas que não envelhecem. É preciso que seja feito um trabalho de reapresentação dos filmes para que a plateia restabeleça o amor pelo cinema — completa.
Além de conquistar um público inteiramente novo, essa demanda pela reinserção dos blockbusters no circuito cinematográfico faz ainda com que a tecnologia utilizada também precise ser aprimorada. O avanço tecnológico da restauração digital permite que produções que antes estavam comprometidas pela ação do tempo sejam recuperadas com qualidade de imagem e som superiores.
Assim como em demais mercados, são as necessidades que geram (em grande parte) a evolução dos mecanismos. Hoje, processos de restauração, remasterização e digitalização de filmes podem incluir a correção de cores, a remoção de ruídos e até a otimização do áudio para sistemas de som mais atualizados.
— Se você pegar um filme que foi feito em 2K ou na maior qualidade que aquele momento poderia fornecer, quando ele é transformado para 4K há um grande impacto nas resoluções. A percepção estética continua a mesma, o que muda é a percepção das qualidades visual e auditiva — explica Almir Almas, professor da Universidade de São Paulo (USP) no departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA).
Como espaço cultural e social, a sala de cinema faz parte de uma vivência coletiva, acredita Oliveira. Nelas, o espectador dificilmente estará sozinho e por isso precisará conviver com as interferências do ambiente — e do restante do público. Para ele, essa seria a maior (e melhor) diferença entre a experiência de assistir a um filme no cinema e em casa.
— Em casa, você está em um ambiente seguro, pois em teoria não há nenhuma interferência ou barulho. Quando você vai ao cinema, há um punhado de desconhecidos ao seu lado. São várias formações dentro de uma sala que vão rir ou não, que vão chorar ou não. Essa plateia influencia a sua vivência — explica.
Além de “Mulholland drive”, “Star wars” e da trilogia de “O poderoso chefão”, outros blockbusters frequentemente retornam para os cinemas paulistanos. A saga “Harry Potter” e clássicos como “Titanic” (1997), de James Cameron, e “Tubarão” (1975), de Steven Spielberg, por exemplo, vez ou outra tomam conta das telas da capital, atraindo fãs e novos espectadores.
A partir de quinta-feira (10) outros quatro clássicos farão parte da programação do Espaço Petrobras de Cinema e da Cinesala. “Scarface” (1983), de Brian De Palma, “Pulp fiction — tempo de violência” (1994), de Quentin Tarantino, “Laranja mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, e “Taxi driver” (1976), de Martin Scorsese, serão exibidos nos dois cinemas ao longo do mês de julho, com uma sessão especial por semana para cada longa.
Enquanto no Espaço Petrobras as exibições acontecem às quintas e os ingressos custam R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira), no Cinesala serão às sextas, com valores entre R$ 20 e R$ 120, a depender do tipo de entrada e da poltrona escolhida.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Rivoiro
Confira a programação dos cinemas:
- Espaço Petrobras de Cinema — 10 de julho, às 20h30;
- Cinesala — 11 de julho, às 21h.
“Pulp fiction — tempo de violência”
- Espaço Petrobras de Cinema — 17 de julho, às 20h30;
- Cinesala — 18 de julho, às 21h.
- Espaço Petrobras de Cinema — 24 de julho, às 20h30;
- Cinesala — 25 de julho, às 21h.
- Espaço Petrobras de Cinema — 31 de julho, às 20h30;
- Cinesala — 01 de agosto, às 21h.