A guerra do jogo do bicho no Rio, marcada por atentados cinematográficos, traições e execuções de herdeiros da contravenção, atravessa gerações. Nesta sexta-feira, Vinícius Drumond, filho do bicheiro Luizinho Drumond, escapou de uma tentativa de assassinato por volta das 11h, na Barra da Tijuca. O ataque aumenta a tensão em torno da nova cúpula formada por Rogério Andrade, Adilson Oliveira Coutinho, o Adilsinho, e o próprio Vinícius. Episódios emblemáticos dessa disputa — muitos deles em plena luz do dia e na Barra da Tijuca — estão reunidos a seguir, em ordem cronológica.
Outubro de 1998 – Assassinato de Paulinho Andrade e seu segurança
Filho de Castor de Andrade, Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho, foi morto com dez tiros na Barra da Tijuca, junto ao segurança Haroldo Alves Bernardo. O ex-PM Jadir Simeone confessou o crime e apontou Rogério Andrade, sobrinho de Castor e primo da vítima, como mandante. A execução marca o início da guerra entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio, genro de Castor.
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2001 – Tentativa de homicídio contra Rogério Andrade
Rogério foi atacado por um fuzileiro naval da reserva na porta do apart-hotel onde sua então namorada morava, na Barra da Tijuca. O fuzileiro naval da reserva Eduardo Oliveira da Silva confessou que receberia R$ 20 mil para executar o crime, mas não revelou o mandante. Segundo a polícia, ele havia feito uma ligação para Fernando Iggnácio. Os dois brigaram no local , arma falhou e ele escapou.
Setembro de 2004 — Assassinato de Maninho
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Patrono do Salgueiro, Waldemir Paes Garcia, o Maninho, foi morto com quatro tiros de fuzil na Freguesia, com o filho Myro, então com 15 anos na garupa da moto. O filho sobreviveu. Maninho era um dos chefes do jogo do bicho no Rio, filho de Miro Garcia. A morte nunca foi esclarecida. Miro, pai de Maninho, morreu 34 dias depois, de enfisema. Começa a guerra interna na família Garcia.
Janeiro de 2009 – Execução de Rogério Mesquita
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Homem de confiança de Maninho, Mesquita foi executado em Ipanema. Era desafeto do genro do bicheiro, Zé Personal, principal suspeito.
2010 – Atentado com carro-bomba contra Rogério Andrade e morte do filho, Diogo
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O carro em que estavam Rogério e seu filho Diogo explodiu na Barra. Diogo, de 17 anos, morreu na hora. O atentado teria sido encomendado por Fernando Iggnácio.
Novembro de 2010 – Execução de Antônio Carlos Macedo
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Ex-chefe de segurança de Rogério Andrade, foi morto a tiros em sua moto na orla da Barra. Rogério foi acusado de mandar matá-lo por suspeitar de seu envolvimento na morte de Diogo.
2011 – Assassinato de Zé Personal
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Genro de Maninho, marido de Shanna, foi morto em emboscada num centro espírita na Praça Seca, em Jacarepaguá. Suspeita de vingança por rixa familiar.
Abril de 2017 – Sequestro e assassinato de Myro Garcia
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Filho caçula de Maninho, Myro foi sequestrado ao sair da academia na Barra. Mesmo após o pagamento do resgate, foi morto. Três executores foram condenados. A investigação sobre os mandantes continua em curso. Bernardo Bello é investigado.
2019 – Atentado contra Shanna Garcia
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Baleada em seu carro na Barra da Tijuca. Sobreviveu. Era alvo recorrente em meio à disputa pelo espólio do pai.
Fevereiro de 2020 – Assassinato de Alcebíades Paes Garcia, o Bid
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Em 25 de fevereiro de 2020, o bicheiro Alcebíades Paes Garcia, o Bid — irmão de Waldemir Paes Garcia, o Maninho — foi executado na porta de casa, na Barra, após voltar da Sapucaí. Segundo o Ministério Público, o crime foi encomendado por Bernardo Bello. A execução foi facilitada por Glauber Barroso Silva, PM ainda na ativa à época e amigo da companheira de Bid, que pediu indicação de seguranças para escoltá-los no carnaval. O autor dos disparos foi Wagner Dantas Alegre, braço direito de Bello.
Novembro de 2020 – Assassinato de Fernando Iggnácio
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O contraventor Fernando Iggnácio foi executado a tiros de fuzil ao desembarcar de um helicóptero no heliponto da Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes. Ele havia acabado de chegar de Angra dos Reis. Quando caminhava para o carro, foi alvejado. Ex-genro de Castor de Andrade, Iggnácio travava desde os anos 1990 uma disputa sangrenta com Rogério Andrade, que foi acusado de ser o mandante, mas teve prisão revogada pelo STF.
Novembro de 2022 – Execução de Marquinho Catiri
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Catiri foi executado por cerca de dez homens. A polícia suspeitou do envolvimento de Adilsinho, e que o crime estaria ligado à expansão da nova cúpula do bicho. A morte marcou a adesão de Vinicius Drumond, filho de Luizinho, à aliança com Rogério e Adilsinho. Após a morte de Luizinho, em 2020, sua família havia arrendado a área da Zona da Leopoldina para Bello, com Catiri na gestão. Com o assassinato e a negativa de Bello em devolver o território, Vinicius se juntou aos rivais.
Março de 2023 – Assassinato de Michael Gomes de Azevedo
Responsável pela manutenção das máquinas de caça-níqueis de Bello, foi morto a tiros.
Abril de 2023 – Morte de Fernando Marcos Ferreira Ribeiro
Gerente de Bello, foi executado numa emboscada ao transportar dinheiro para o advogado do grupo.
Abril de 2023 – Atentado contra filho de Luiz Cabral
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O bicheiro Luiz Cabral afirmou à polícia que era o alvo do atentado que feriu seu filho, Luiz Henrique, em Vila Isabel. Disse comandar pontos do jogo do bicho nas zonas Sul, Norte e no Centro do Rio e que recebeu, um dia antes do ataque, uma ligação ordenando que deixasse o controle — o que acatou. Inicialmente, apontou Adilson Coutinho Oliveira Filho, o Adilsinho, como mandante do atentado e dos homicídios de Marquinho Catiri e Sandrinho. Depois, disse ter feito a acusação sob coação de Bernardo Bello.
Maio de 2023 — Execução do cabo PM Daniel Mendonça da Silva
Policial militar apontado como segurança de Bello, foi morto na frente do pai em Marechal Hermes.