Depois de tentar melar o jogo da COP, retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris, Donald Trump resolveu apontar sua artilharia para… o agro. Mas nesse caso, a estratégia concebida com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (aquele que foi eleito por São Paulo mas despacha de Washington) parece ter saído pela culatra. A chantagem explícita — ou o Brasil anistia Jair Bolsonaro, ou terá de se haver com a taxação de 50% do valor dos produtos exportados para os EUA — jogou, no colo de Lula, setores historicamente aliados ao bolsonarismo. Na quinta-feira, a Frente Parlamentar da Agropecuária publicou uma nota repudiando a taxação e pedindo ao governo que respondesse com o bom uso da diplomacia. Nos bastidores, os produtores de carne, café, suco e celulose — que fazem exportações significativas aos Estados Unidos — eram os que se mostravam mais aflitos com a ameaça de Trump, que se mantinha de pé pelo menos até o fechamento desta coluna.
Jogo duro: os dados do desmatamento
Após alta de 90% em maio, o desmatamento na Amazônia estabilizou em junho — com 458 km², ficou no mesmo nível de junho de 2024. Faltando um mês para fechar o período total que será contabilizado na taxa de desmatamento deste ano, o sistema de alertas do Inpe acumula alta de 8,4% em onze meses. A taxa, que é medida por outro sistema mais preciso, será apresentada pouco antes da COP30.
Impedimento: 54 mil hectares embargados
A reversão em junho é atribuída à destruição de currais em áreas invadidas por grileiros e ao chamado embargão nos municípios que lideram a derrubada — o Ibama embargou 54 mil hectares de áreas desmatadas em 3.800 imóveis rurais na Amazônia. Como sempre, houve grita de parlamentares, entre eles o senador Eduardo Braga (MDB-AM) e o deputado Átila Lins (PSD-AM), além do governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil).
Cresce a pressão contra aprovação do PL 2159
Está prevista para a próxima terça-feira, na Câmara, a votação do relatório final do PL 2159, aquele que tenta dinamitar a política de licenciamento ambiental em pleno ano de COP. Em audiência pública realizada na própria Câmara nesta semana, nove entidades empresariais (frisa-se: empresariais, não ambientais) se colocaram contra o texto, alertando para o fato de que ele prejudicaria compromissos internacionais do Brasil, gerando insegurança ambiental e jurídica.
Acréscimos: pedido de 90 dias a Hugo Motta
Em carta enviada ao presidente da Câmara, Hugo Motta, as entidades pediram 90 dias para que o teor do PL seja debatido. A carta diz que a eventual aprovação, tal qual está, poderá ter impactos negativos na “prevenção de desastres climáticos”, e ampliar “riscos de corrupção e impunidade ao fragilizar a governança ambiental, reduzir a transparência, dispensar critérios técnicos e enfraquecer os mecanismos de controle público e institucional”. O pedido é encabeçado pelo Instituto Ethos.
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Chama o VAR: as tais 5 mil obras paradas
A jornalista Giovana Girardi, da Pública, bem que tentou, mas não conseguiu achar a origem das tais 5.033 obras que a senadora Tereza Cristina e a frente ruralista apregoam que estão paradas em função das regras atuais do licenciamento. O gabinete da senadora atribui o dado à Frente Parlamentar da Agropecuária, que por sua vez o atribui ao Ministério de Infraestrutura, que por sua vez foi desmembrado em Portos e Transportes, onde tampouco se sabe de onde vem a informação. Segue o mistério…