Com nome indígena e origem canadense, o tupinambu, uma Panc (planta alimentícia não convencional) tem ganhado espaço no campo e na alta gastronomia. Um projeto da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) do Estado de São Paulo está apoiando a expansão do plantio entre pequenos agricultores no interior paulista. Com visual semelhante ao do gengibre, o tubérculo tem textura e aparência mais próximas de uma batata e gosto parecido com o da alcachofra.
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No Brasil, o plantio é mais comum no sul de Santa Catarina. Era dessa região que o Instituto Chão — uma organização que vende alimentos orgânicos e da agricultura familiar — adquiria o tupinambu para vender aos consumidores em São Paulo.
Mas desde o ano passado, o instituto tem produção própria em Bragança Paulista (SP). Ao todo, os associados produziram 155 kg, e a perspectiva é dobrar o plantio na próxima temporada.
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— A gente incorporou o plantio do tupinambu no meio das linhas de agrofloresta após conseguir dois quilos de semente com um produtor de Monte Alegre (SP) que é estudioso da cultura e tem incentivado várias pessoas a plantar — conta André Rocha, associado do Instituto Chão.
O produtor citado é Joaquim Adelino Azevedo, também pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios na Regional de Monte Alegre do Sul. Ele planta o tupinambu desde 2018 e tem feito parceria com universidades e com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) para estudar o tubérculo.
— Nós estamos divulgando o tupinambu entre as pessoas, mas não é nenhum programa institucional. É um trabalho de formiguinha, eu produzindo e o Osmar, engenheiro agrônomo da Cati, divulgando entre o pessoal da agricultura orgânica — conta Azevedo, que mantém três mil metros quadrados plantados com tupinambu com o objetivo de pesquisa e divulgação da espécie.
O tupinambu recebeu nome indígena por uma confusão histórica, pois foi apresentado aos franceses no início do século XIX durante um evento em que também aconteceu uma apresentação da cultura indígena tupinambá.
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— Eles acharam que era uma planta indígena da América do Sul, e deram esse nome. Mas, na verdade, a planta é originária da América do Norte — observa o chef de cozinha Ivan Ralston, que mantém o tupinambu no menu sazonal de seu restaurante em São Paulo, o premiado Tuju, com um consumo anual de cerca de 200 kg do tubérculo adquiridos de uma pequena agricultora de Ibiúna, Marisa Ono.
Ela cultiva o tupinambu desde 2017, quando ganhou as primeiras mudas de uma amiga recém-chegada do Japão. Marisa lembra que o tubérculo, também conhecido como alcachofra-de-jerusalém, é rico em inulina, bom para o sistema intestinal e que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue.
No campo, o plantio do tupinambu tem se destacado como alternativa para sistemas agroecológicos devido ao seu rápido desenvolvimento e baixa manutenção.
— Ele pode ser, por exemplo, o início de uma agrofloresta para ocupar o espaço e não nascer capim, porque cresce muito rápido, inclusive em solo compactado. Com isso ele inibe o desenvolvimento de uma outra espécie que é considerada uma praga, a tiririca — detalha Azevedo.
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São essas características que Osmar Mosca Diz, engenheiro agrônomo da Cati, tem destacado para difundir o plantio do tupinambu.
— Eu viajo o estado de São Paulo todo e, onde eu vou, eu levo o tubérculo, levo sementes, matrizes, mudas e vou espalhando para os colegas — afirma.
Diz prevê que o tupinambu seguirá o mesmo destino de outras Pancs popularizadas na culinária brasileira, como a ora-pro-nobis.