- Veja também: Rio tem em média 12 ônibus sequestrados por mês desde o início do ano
- Prefeitura exige aumento da frota de ônibus em Niterói em até 180 dias, e empresários reagem
— Pego ônibus fora do horário de pico, por volta de 14h, e mesmo assim preciso esperar mais de 30 minutos para pegar ele. Tem vezes que chego a aguardar por 50 minutos — explica, Félix da Silva, passageiro da linha 371 (Praça Seca x Praça Tiradentes) sob operação da viação Novacap.
Félix costuma pegar o ônibus na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, todos os dias, com destino ao bairro da Mangueira, Zona Norte da cidade. Além do atraso no transporte, ele também sofre com a migração do sistema de bilhetagem eletrônica do município. Ainda sem o cartão Jaé, o idoso precisa aguardar a longa fila de passageiros da linha 371 chegar ao fim, para conseguir subir no ônibus com sua gratuidade.
A garçonete Graziele Ramos, também convive com os problemas de atraso na linha 371. Segundo a moradora do bairro de São Cristóvão, na Zona Norte, o problema do itinerário não é a quantidade de veículos, mas o intervalo entre eles.
— Hoje (terça-feira) aguardei por 40 minutos no ponto (Praça Tiradentes). Ao invés de um ônibus, chegaram três, então vai lotar um e os outros dois vão seguir vazios. Não dá para entender essa lógica — desabafa Graziele.
O técnico em segurança do trabalho, André Silva, de 32 anos, também sofre com atrasos em uma outra linha na cidade. Morador de Anchieta, ele pega esporadicamente a linha 386 (Mariópolis x Candelária), para ir em consulta médica no Centro da cidade. Parado no ponto por aproximadamente uma hora, ele revela que esta espera é comum para os passageiros que fazem este itinerário.
— Fazem 1h10min que estou parado no ponto e não tenho nenhum sinal do meu ônibus. Eu uso poucas vezes, mas tem quem precisa todos os dias. É muito descaso com o cidadão carioca — disse André.
- De R$ 18 para R$ 40: aumento no preço do ingresso no Jardim Botânico surpreende visitantes
Mas não é só de atrasos que são feitas as reclamações dos passageiros de ônibus na cidade do Rio de Janeiro. Yasmin Fonseca, de 24 anos, é biomédica e moradora de Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, utiliza a linha 309 (Alvorada x Central) todos os dias e relata que os veículos circulam em situação precária.
— Para pegar o ônibus você leva cerca de 30 minutos. Depois, você precisa lidar com bancos soltos, rasgados, ar condicionado que não funciona e muita sujeira dentro do carro — relata.
Algumas dessas adversidades enfrentadas diariamente pelos passageiros são refletidas em dados publicados no painel da Secretaria Municipal de Transporte (SMTR). Na plataforma, é possível acessar o relatório de multas aplicadas. Somente no primeiro semestre de 2025, a inoperância ou mau funcionamento do sistema de ar condicionado foi a razão de 1.223 multas no município, enquanto o mau estado dos bancos foi responsável por 452.
Os números representam um aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Na ocasião, a inoperância ou mau funcionamento do sistema de ar condicionado representou 619 multas, enquanto o mau estado dos bancos foi responsável por 74 multas.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/j/o/5bEHG2SRmQjDBpAoBHTg/111668554-ri-rio-de-janeiro-rj-08-07-2025-cartao-jae-primeiro-dia-util-de-funcionamento-super.jpg)
No começo de julho foi dado início do uso obrigatório do cartão Jaé para pessoas com direito a gratuidade (idosos, estudantes da rede pública e pessoas com deficiência). Além disso, este é o último mês em que o RioCard vai valer para os transportes municipais para todos os passageiros. A partir do dia 2 de agosto, será implementado o novo sistema de bilhetagem eletrônica.
A mudança é uma tentativa de “quebrar a caixa preta” dos transportes, afirma o prefeito Eduardo Paes, já que a empresa Riocard TI é administrada pelos próprios empresários que operam as linhas de ônibus do Rio. Embora a migração seja feita em duas etapas, ela demonstra ser mais uma adversidade ao usuário do transporte público municipal.
Usuários enfrentam postos lotados, atrasos no recebimento dos cartões e desinformação. Na tentativa de melhorar a situação, a prefeitura tem inaugurado novos postos de atendimento, ampliado a capacidade e aumentado o horário de funcionamento. Mesmo assim, ainda não conseguiu integrar os modais municipais com os estaduais (metrô, trem e barcas), o que gera nova adaptação.