O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou, nesta quarta-feira, o encontro do vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O parlamentar voltou a exigir anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e disse que “isolar” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não muda o “cenário” do tarifço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
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“Isolar Jair Bolsonaro não muda o cenário. Aprovar a anistia muda. Presidentes Hugo Motta e Davi Alcolumbre contem conosco para resolver a Tarifa-Moraes. Congresso pode e deve ser protagonista neste imbróglio”, escreveu Eduardo nas redes sociais.
Nesta quarta-feira, Alckmin afirmou a parlamentares que a Lei da Reciprocidade será utilizada apenas como último recurso, caso as tentativas de diálogo com os Estados Unidos para reverter o tarifaço de 50% contra o Brasil, falhem. O vice-presidente esteve na Residência Oficial do Presidente do Senado com Alcolumbre. Também participaram do encontro o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), Motta e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Depois do encontro, os presidentes das duas Casas afirmaram em nota que o Congresso e o governo atuarão juntos na reação à “agressão” do governo americano, com o tarifaço de 50% imposto a produtos brasileiros.
Na semana passada, Trump já havia enviado uma carta a Lula, também divulgada nas redes, acusando o governo brasileiro de “ataques insidiosos” à democracia americana. Em resposta, o petista classificou as ameaças como “desrespeitosas” e afirmou que a diplomacia não pode ser substituída por vídeos ou postagens na internet. O presidente também declarou que o Brasil responderá “com firmeza” a qualquer tentativa de intimidação ou violação de sua soberania.
A resposta do governo brasileiro tem sido pelo caminho do diálogo. Um comitê interministerial foi instaurado e promove reuniões com empresários do setor privado.
A resposta do governo federal à tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente Donald Trump na semana passada, dividiu os brasileiros. Para 44% da população, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT estão fazendo o que é “mais certo” no embate contra o governo americano, enquanto 29% pensam o mesmo sobre Jair Bolsonaro e aliados. É o que mostra pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira.
A pesquisa também mostra que aproximadamente três em cada quatro (74%) dos apoiadores de Jair Bolsonaro defendem uma união entre o governo Lula e a oposição contra a tarifa. Já 17% dos bolsonaristas são contrários ao movimento, 3% são indiferentes, e 6% não sabem ou não responderam.
O apoio em torno da “defesa do Brasil” é ainda maior na média nacional. Para 84% dos brasileiros, este é o movimento correto para enfrentar a medida econômica americana, enquanto 9% são contra, 2% indiferentes e 5% não sabem ou não responderam.
O pensamento de que a união é o caminho correto é compartilhado por 93% dos petistas. Já 6% são contrários ao movimento, e 1% não sabe ou não respondeu.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros entre os dias 10 e 14 de julho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o nível de confiança é 95%.