Há quem diga que não há, na cidade do Rio, morador mais orgulhoso do bairro onde vive que o tijucano. Os moradores do bairro, além de se identificarem com a geografia urbana local, têm orgulho da história de um dos mais importantes e antigos bairros da cidade . Durante o século XX, especialmente após as décadas de 1930 e 1940, a Tijuca experimentou intensa urbanização. Prédios substituíram os casarões, o comércio se expandiu e o bairro consolidou-se como reduto da classe média carioca. Foi também nesse período que a região se destacou como polo educacional, com escolas tradicionais como o Colégio Militar e o Instituto de Educação.
É o oitavo bairro mais populoso da cidade, embora tenha perdido habitantes de acordo com os últimos levantamentos do IBGE. Em 2000, tinha 163.636 moradores. No Censo de 2010, ficou praticamente estável, passando para 163.805. Nos dados mais recentes, de 2022, aparece com 142.909 habitantes.
A cultura popular também tem raízes profundas na Tijuca. É o berço da Unidos da Tijuca e de figuras como o cantor e compositor Tim Maia. Hoje, a Tijuca é um bairro que conjuga tradição e modernidade. As ruas arborizadas, o comércio pulsante, a presença marcante da classe média e a memória urbana marcada por contrastes fazem da Tijuca um microcosmo da cidade do Rio de Janeiro. Um lugar onde ainda ecoam os sons do passado, mesmo diante das transformações constantes da metrópole.
O crescimento de Botafogo é emblemático do que aconteceu com toda a cidade do Rio. Quem desembarcava no Rio em 1925 encontrava uma cidade ainda imersa na fervilhante onda de transformações urbanísticas iniciadas nos primeiros anos do século XX. Havia pouco, a então capital da República rompera a barreira de um milhão de habitantes sendo de longe a maior concentração urbana do país com quase o dobro de São Paulo, que vinha na segunda posição com pouco menos de 580 mil. Desde então, muita coisa mudou na paisagem carioca. A cidade cresceu ainda mais, ficou gigante. Do núcleo central, ainda dominante há 100 anos, a ocupação avançou para as zonas Sul, Norte e, principalmente, Oeste. A população mais que quintuplicou, passando dos seis milhões segundo o censo de 2022 do IBGE.
Um século depois é possível dizer que “o Rio de Janeiro continua lindo” como na canção, mas com problemas — e oportunidades também, claro — que cresceram na mesma proporção. A cidade avançou em praticamente todas as direções, inclusive para o mar, com uma série de aterros, e para o alto, com edifícios cada vez mais imponentes. Bairros surgiram, vias importantes foram abertas, favelas foram removidas de forma autoritária e outras tantas foram criadas com a mesma precariedade.
Para o arquiteto e urbanista Denis Gahyva, pesquisador do Instituto Pereira Passos (IPP), o crescimento do Rio obedece a um caminho comum a outras grandes cidades mundo afora: o dos trilhos.
— As linhas da Central do Brasil e da Leopoldina foram fundamentais. E, além disso, as linhas de bonde também desempenharam papel crucial, especialmente para os bairros da Zona Sul, como Copacabana, Ipanema e Jardim Botânico, que se desenvolveram a partir desses acessos — observa Denis Gahyva.
Obedecendo à mesma lógica, os grandes eixos viários também desempenharam papel fundamental na expansão do Rio.
— O principal eixo viário antigo da cidade é a Estrada Real de Santa Cruz, que hoje se divide em vários trechos: a antiga Suburbana, a Avenida Santa Cruz. Isso foi fundamental para a penetração rumo ao sertão carioca — diz o pesquisador.
Para Rafael Soares Gonçalves, historiador e professor da PUC-Rio, esses últimos cem anos já começaram sob o signo da mudança, com o arrasamento do Morro do Castelo, que repaginou toda a região do Centro. Depois disso vieram as avenidas Presidente Vargas e Brasil, decisivas para o redesenho da cidade e sua expansão em direção ao subúrbio. É nesse momento, segundo ele, que também começa a aumentar o processo de favelização:
— A cidade tinha um quadrado muito específico, que era esse eixo mais central, com algumas expansões para Botafogo e São Cristóvão. Nos anos 1940 ela ganha uma proporção maior. E aí a gente começa a ver também a dimensão das favelas. Então, parte dessas favelas vai seguir, vão crescer também em áreas periféricas, mas há uma forte concentração nas áreas mais centrais, sobretudo no eixo da Zona Sul.
Nesse período em que a cidade se expande em direção à sua periferia, é também o momento em que se consolida a ideia de divisão da cidade por zonas e Copacabana ganha destaque como o protótipo da Zona Sul dourada no imaginário carioca.
Na década de 1960 a cidade perde o posto de cidade mais populosa do Brasil sendo ultrapassada pela primeira vez por São Paulo nas medições do IBGE. Mas essa não foi a principal mudança desse período: com a chegada de Brasília, o Rio perde o posto de capital federal.
— É claro que a capital estando no Rio, a gente tinha uma centralidade que foi perdida, em termos políticos. Houve um certo esvaziamento econômico também. São Paulo já vinha absorvendo grande parte das indústrias, num processo contínuo que vinha desde pelo menos os anos 1920 e 1930.