O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou, nesta terça-feira, que o rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam, é ligado à facção criminosa Comando Vermelho. Após um episódio ocorrido na casa do cantor, no Joá, Zona Oeste do Rio, que terminou com pedras sendo lançadas contra agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e o delegado Moyses Santana, titular da especializada, sendo xingado Curi disse ainda que o artista será indiciado por associação para o tráfico de drogas. As declarações foram dadas em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.
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— Se havia alguma dúvida de que o Oruam seria um artista periférico ou um marginal da pior espécie, hoje nós temos certeza de se trata de um criminoso ligado à facção criminosa Comando Vermelho, a qual o pai dele, conhecido como Marcinho VP, Márcio Santos Nepomuceno, controla à distância, de fora do estado, mesmo estado preso em presídio federal. É um marginal, bandido, delinquente, criminoso e associado para o tráfico — disse o secretário.
Segundo ele, a ligação de Oruam com o CV fica clara num vídeo postado por Oruam nos stories do Instagram afirmando estar no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, e desafiando a policia a ir até lá prendê-lo:
— O vídeo é a confissão dele de que se trata de um marginal faccionado ligado ao Comando Vermelho e desafiando as autoridades de segurança pública a irem até lá para fazer a captura dele. É um marginal que tem no peito dele tatuado a foto do pai dele, que é o chefe da facção, e também do Elias Maluco, que é o padrinho dele e que assassinou covardemente um jornalista da TV Globo em 2002, que foi o Tim Lopes.

Polícia vai à casa de Oruam e cantor e amigos reagem jogando pedras
Curi destacou ainda que a ida de equipes da DRE à casa de Oruam ocorreu após o setor de Inteligência da delegacia detectar a presença de um menor de 17 anos no imóvel. Contra o adolescente, conhecido como Menor Piu e apontado como segurança de Edgar Alves Andrade, o Doca, um dos chefes do CV no Rio e integrante da cúpula da facção no Complexo da Penha, havia um mandado de prisão em aberto.
— Ele (Menor Piu) é também um dos maiores ladrões de veículos do nosso estado, pelo menos na capital e na Região Metropolitana. Em seis meses já é o segundo elemento, que nós temos conhecimento, foragido da Justiça e ligado à facção criminosa Comando Vermelho, que estava no interior da casa desse bandido, desse criminoso — disse o secretário.
Felipe Curi afirmou que o rapper estava com mais quatro ou cinco pessoas em casa quando a polícia chegou e que todo o grupo reagiu:
— Oruam viu da varanda da casa dele e começou a tacar pedras em cima dos dois policiais. Os policiais tinham solicitado reforço, mas ele saiu antes e aí só havia o doutor Moyses com mais dois policiais e efetuaram a abordagem. Nesse momento houve uma intensa reação por parte deles. Jogaram pedras, danificaram a viatura, machucaram o policial que acompanhava o doutor Moyses. E eles acabaram impedindo que uma ação legítima do estado fosse concretizada.
O secretário contou que um dos homens que acompanhavam Menor Piu correu para a residência no momento da abordagem. Pablo Ricardo de Paula Silva de Moraes acabou preso e autuado em flagrante por associação para o tráfico, dano ao patrimônio público e resistência qualificada. Segundo Curi, há fotos dele na internet com fuzis, nos complexos do Alemão e da Penha.
Em fevereiro deste ano Oruam foi preso em flagrante por abrigar em sua casa um foragido da Justiça. O cantor era alvo de buscas, mas policiais encontraram na casa dele o traficante Yuri Pereira Gonçalves, que era procurado por organização criminosa. Com ele havia uma pistola 9mm com kit-rajada e munição. O rapper foi liberado horas depois.
Na semana anterior ele já havia sido preso na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital, após dar um “cavalo-de-pau” na frente de um carro da Polícia Militar e parar virado para a contramão. Autuado em flagrante por direção perigosa, o rapper pagou uma pensão de R$ 60 mil e foi solto.