A Prefeitura do Rio divulgou mais detalhes sobre a nova frota de ônibus municipal, incluindo como será sua operação, as diferenças do novo contrato de licitação, que passa a valer por apenas 10 anos, e as obrigatoriedades nos veículos que deverão ser adquiridos pelas empresas vencedoras. São muitas mudanças, no entanto, sem furar a largada, sendo implementadas de forma gradual em ao menos cinco fases.
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A etapa inicial começou com a abertura da consulta pública, na última terça-feira (22), para a licitação das primeiras linhas de ônibus no novo formato, que passam a integrar o Sistema Rio – Rede Integrada de Ônibus. Toda a cidade será dividida em nove áreas com 34 lotes. O início três lotes com linhas que vão operar entre os bairros de Campo Grande e Santa Cruz, fazendo conexões com Deodoro e Coelho Neto. No caminho, a licitação será realizada em 12 de novembro, mas a previsão da nova frota tomar as ruas é apenas no início de abril do próximo ano.
Nessa nova fase, toda a frota voltará a ter as cores padronizadas, como previsto na licitação de 2010. A padronização terminou em 2017, durante o governo do ex-prefeito Marcelo Crivella, quando os ônibus voltaram a ter cores distintas, que lembravam os tons adotados pelas empresas antes da realização das concessões.
O monitoramento para avaliar se o motorista tem sinais de fadiga que será implantado como um dos recursos embarcado daquilo que é conhecido como Sistema Inteligente de Transporte (ITS, em inglês). Câmeras dotadas com inteligência artificial vão identificar pela expressão do rosto, um bocejo ou acelerações e freadas bruscas, por exemplo, se o motorista apresenta sinais de fadiga. Caso isso aconteça, um sinal sonoro será emitido no veículo para chamar a atenção do condutor e no Centro de Comando e Controle da concessionária, que poderá encaminhar o profissional para reciclagem.
Os coletivos também já virão com sensores de temperatura instalados para monitorar o ar-condicionado de fábrica, obrigatório em todos os veículos. Além disso, os passageiros que aguardarem nos pontos nas principais vias da cidade terão informação em tempo real sobre o tempo de espera de cada linha. Isso porque os veículos vão circular conectados a um novo modelo de abrigo de ônibus que começa a ser instalado em 2026 pelas empresas que venceram uma licitação para fornecer e manter o mobiliário urbano da cidade. Os contratos com a Companhia Carioca de Parcerias e Concessões (CCPar) preveem que 25% dos novos abrigos tenham painéis que indiquem os intervalos.
A nova frota terá um visual padrão, com maior parte da pintura em amarelo e detalhes nas laterais, na frente e na traseira em uma das nove cores determinadas para as áreas em que a cidade passará a ser dividida. Essa mesma proposta de cores será seguida nas cabines dos despachantes, nos pontos de ônibus.
Os ônibus da nova frota ainda terão:
- Carregamento de celular
- Sensor de temperatura do ar-condicionado, item fundamental já hoje para o subsídio
- Sistema sonoro (alto-falantes e microfone)
- Aviso sonoro automático de próxima parada
- Informação ao usuário, com trajeto e pontos de parada
- Botão de pânico e assédio
- Câmera (CFTV) e painel de visualização
- Bloqueio de aceleração para porta aberta, assim como já acontece no sistema BRT
- Velocímetro interno
- Sistema de apoio na condução segura (ADAS)
- Sistema DMS – câmera de fadiga e desatenção
- Sistema integrando GPS + validador + vista
- GPS
- Validador
- Contador de passageiro, que vai auxiliar as paradas onde há maior número de embarque e de desembarque
- Telemetria do veículo
- AVL – comunicação com o condutor
- Uma catraca
- Mesmo padrão de bancos
Uma das mudanças previstas, ainda para o futuro, é o embarque apenas com cartão, sem uso de dinheiro embarcado para o pagamento da passagem, assim como hoje acontece no sistema BRT e no VLT. Isso já acontece, por exemplo, em três linhas criadas no ano passado para ligar terminais do BRT a bairros da Zona Oeste que não são atendidos pelo modal, sendo elas 67, 28 e 68.
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Toda a frota vai adotar a tecnologia Euro-6 (Proconve P8), de baixa emissão de gases poluentes. Usado na Europa, o modelo passou a ser obrigatório no Brasil em 2023. Esses coletivos emitem até 95% a menos de gases poluentes em comparação a veículos tradicionais.
Já os ônibus para as fases 3, 4 e 5, a final, serão com os coletivos elétricos, que passam a entrar na licitação a partir do próximo ano.
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Como parte da fiscalização, será criado um Centro de Controle Operacional (CCO). Agentes públicos validarão informação de irregularidades pelo ITS e nas redes sociais. Descumprimentos vão impactar nos relatórios de desempenho e/ou na aplicação de redução na remuneração.
Serão três pilares de ações deste novo centro: informação ao usuário, com atendimento, entre outros, pelo 1746; alerta de intercorrências, com telemetria, caso o veículo esteja desligado, será possível checar o motivo; e controle de conduta do motorista, entre outros, a telemetria vai avaliar acelerações, freadas bruscas e comportamentos, e as imagens registradas em câmeras serão avaliadas para casos específicos.
Entre as ações a terem contato direto com o CCO está em momentos de ativação do botão de pânico e assédio, explica Simone Costa, coordenadora-geral de concessões e projetos da SMTR. Nas garagens, os operadores vão alertar à polícia.
— Esse equipamento é uma necessidade em relação a assédio, a assalto a situações desse tipo. E esses equipamentos todos foram embarcados exatamente para a gente ver como funciona aumentar a segurança no interior do veículo. A gente sabe que se acionado, o centro de controle do Sistema Rio vai ser acionado, e medidas podem ser tomadas. Claro que não necessariamente a gente consegue fazer um atendimento tão imediato como é o caso do BRT Seguro, que é um sistema muito mais fechado. Mas nesse, se a gente não conseguir acionar na hora, tem todo um sistema de câmeras para poder identificar esse agressor, esse assaltante.
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Cidade dividida para integrar
O novo modelo de licitação será bem diferente do adotado em 2010, quando foi realizada a primeira concorrência geral de linhas da cidade. Na época, o Rio de Janeiro foi dividido em quatro lotes (Zona Norte, Zona Sul, Barra e Jacarepaguá; e o restante da Zona Oeste). Agora, o formato prevê a divisão da cidade em nove áreas com 34 lotes. O sistema ganhará um novo nome: Sistema Rio – Rede Integrada de Ônibus, substituindo a antiga sigla SPPO (Sistema de Transporte Público por Ônibus).
Os 34 lotes serão divididos da seguinte forma:
- Fase 1: um lote (Campo Grande Norte) – abril de 2025 a abril de 2026
- Fase 2: quatro lotes (Bangu, Ilha, Santa Cruz e Vila Isabel) – novembro de 2025 a setembro de 2026
- Fase 3: seis lotes (Barra da Tijuca, Freguesia, Realengo, Recreio, São Cristóvão, Taquara) – abril de 2026 a abril de 2027
- Fase 4: seis lotes (Campo Grande Sul, Irajá, Méier Norte, Pavuna, Penha, Praça Seca) – novembro de 2026 a novembro de 2027
- Fase final: cinco lotes (Madureira, Tijuca, Anchieta, Méier Sul, Zona Sul) – setembro de 2027 a agosto de 2028
- Fase 1: dois lotes (Campo Grande Norte, Santa Cruz) – abril de 2025 a abril de 2026
- Fase 2: dois lotes (Bangu, Ilha) – novembro de 2025 a setembro de 2026
- Fase 3: três lotes (Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Penha) – abril de 2026 a abril de 2027
- Fase 4: dois lotes (Campo Grande Sul, Guaratiba Leste) – novembro de 2026 a novembro de 2027
- Fase final: três lotes (Guaratiba Oeste, Madureira, Centro Sul) – setembro de 2027 a agosto de 2028