Copacabana, cartão-postal do Rio, registrou uma queda de 43,2% no número de roubos a transeuntes no ano passado, em relação a 2023. Foram 328 casos, enquanto no ano retrasado foram 577. Mas, enquanto a Princesinha do Mar registrou queda nesse indicador, o bairro vizinho Botafogo, por exemplo, viveu o lado oposto da moeda, com disparada dessa ocorrência em 2024, conforme mostra o Mapa do Crime. O GLOBO apurou, no entanto, que esses dois fenômenos estão interligados; entenda como.
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Assim como Botafogo — que viu o salto de 390 roubos a transeunte em 2023 para 653 (aumento de 67,4%) no último ano —, Flamengo e Laranjeiras também conviveram com a alta nesse indicador, de 76,2% e de 182% no mesmo período, respectivamente. No primeiro deles, houve aumento de 210 para 370 ocorrências, enquanto, no segundo, foi de 50 para 141.
Policiais que atuam na região avaliam que a explosão de roubos na região tem relação com mudanças na dinâmica de policiamento na Zona Sul que ocorreram ao final de 2023. À época, a vizinha Copacabana sofria com uma crise de violência que teve ápice no show do DJ Alok, em agosto, na areia da praia. A apresentação foi sucedida por uma série de arrastões e terminou com mais de 500 suspeitos conduzidos a delegacias ao longo da madrugada.
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Naquele ano, o bairro registrou um total de 577 roubos a transeunte e 456 subtrações de celular — números que o colocaram, respectivamente, em terceiro e segundo entre os que contabilizaram mais casos em toda a cidade para cada um dos tipos de crime. O agravamento dos números, a repercussão de casos de violência e a proximidade do megashow da estrela do pop Madonna — marcado para maio do ano passado — mobilizou o poder público, que intensificou o policiamento no bairro.
— Copacabana passou a ter uma concentração enorme de policiais. Além de o bairro ter um batalhão só para ele, o 19º BPM, ainda conta com efetivo da UPP do Pavão-Pavãozinho, de unidades especiais, como o BPTur (Batalhão de Polícia de Turismo) e o Recom (Rondas Especiais e Controle de Multidões), e do Rio Mais Seguro (programa de reforço de policiamento em Copacabana bancado pela prefeitura). Também tem o reforço do RAS (Regime Adicional de Serviço, o bico oficial da PM) nos finais de semana, voltado para a praia. Os criminosos sentiram essa diferença e migraram para outros bairros menos policiados — conta um agente lotado no 2º BPM (Botafogo).
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Também foram afetados pela migração dos crimes os bairros da Glória, também na Zona Sul, onde os roubos a transeunte cresceram 62,9% (foram 259 no ano passado), e até em Santa Teresa (204), já na região central, com aumento de 77,4%, segundo os agentes que investigam roubos na região.
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A Lagoa também teve grande aumento percentual, de 137,9%, em 2024. Foram 69 casos de roubo a transeunte, enquanto no ano anterior houve 29. Na Urca, os 16 casos do último ano representam aumento de 77,8% em relação aos 9 ocorridos em 2023.
Outros bairros da região com aumento no número desses crimes no ano passado são: Humaitá (de 48,5%, com 49 casos), Jardim Botânico (de 19,2%, com 31 casos), Leblon (de 18,7%, com 89 casos), Catete (de 9,2%, com 71 casos) e Leme, que registrou 38 ocorrências, um aumento de 5,6% em relação ao ano anterior.
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*Colaborou João Vitor Costa