Ex-ministros no governo de Jair Bolsonaro (PL), os senadores bolsonaristas Tereza Cristina (PP-MS) e Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) tornaram-se alvos de críticas por integrarem a comitiva que vai aos Estados Unidos negociar a possibilidade de reduzir a taxação de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo presidente Donald Trump. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, nas redes sociais, que a viagem é um “gesto de desrespeito à clareza” da carta do mandatário americano, e projetou que a iniciativa está “fadada ao fracasso”. Bolsonaristas passaram a realizar posts chamando os senadores de “traidores da pátria” e “vergonha”.
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Na noite desta terça-feira, Eduardo divulgou uma nota pública — por recomendação de Paulo Figueiredo, neto do general e presidente da ditadura militar João Batista Figueiredo — para registrar de forma “inequívoca e contundente” que os oito senadores que integram a comitiva “não falam em nome de Jair Bolsonaro”.
Também foi anexado um vídeo de Figueiredo ao post. Na gravação, ele diz que os parlamentares não vão conseguir reuniões “de alto escalão” com o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Figueiredo também afirmou que, no máximo, eles serão recebidos por alguém que dirá que estão “perdendo tempo”.
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“Talvez, ao invés da porta na cara, seja melhor receber um sonoro ‘vão cuidar da vida de vocês’. Senadores, principalmente Marcos Pontes e Tereza Cristina, se eu já recebi quem os senhores querem encontrar e os questionamentos se eles devem encontrar os senhores, vocês tem dúvida que eu vou saber a agenda inteira e o teor da conversa?”, disse Figueiredo, que ameaçou expor o assunto em uma live.
Figueiredo também chamou Pontes e Tereza Cristina de “traidores da pátria”: “Se os senhores querem ir trair o Brasil, ‘arregar’ para a ditadura, se preferem pressionar os Estados Unidos ao invés do presidente do Senado, os senhores serão tratados como traidores. E serão publicamente humilhados”.
A senadora Tereza Cristina foi ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro, e o senador Marcos Pontes ocupou a pasta da Ciência e Tecnologia, no mesmo período.
Eduardo afirmou que a ação busca adiar o enfrentamento dos “problemas reais”. De acordo o parlamentar, a viagem é “vazia de legitimidade” por tentar uma negociação sem que o Brasil tenha tomado a iniciativa de revogar as sanções. O deputado, inclusive, voltou a relacionar o fim do tarifaço à anistia de Bolsonaro e dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
“Confesso até simpatizar com a ideia de que venham. Não por acreditar que terão sucesso, mas porque poderão constatar aquilo que eu e Paulo Figueiredo temos dito: não há sequer início de discussão sem anistia ampla, geral e irrestrita”, afirmou o filho do ex-presidente.
Apesar de participarem da iniciativa de negociação, os senadores bolsonaristas têm mantido o apoio público ao ex-presidente. Nesta quarta-feira, Pontes publicou um vídeo exaltando Bolsonaro. Na postagem, o senador critica as recentes medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirma que a alma de Bolsonaro “é inquebrável” e sua voz “ecoa na boca dos brasileiros”.
“Honra não se anula. A verdade não se apaga. Bolsonaro não está sozinho. Nós não estamos cegos! Força, Presidente Bolsonaro!”, escreveu.
Já Tereza Cristina, na publicação mais recente sobre o assunto, na última segunda-feira, afirmou lamentar a “escalada dos fatos”. A senadora afirmou defender com “cautela e maturidade” as negociações sobre as tarifas, e também prestou solidariedade ao ex-presidente e sua família.
Na semana passada, o Senado definiu os nomes dos parlamentares que integrarão a comitiva que vai aos Estados Unidos. O grupo estará em Washington entre os dias 29 e 31 deste mês. São eles:
- Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores;
- Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado;
- Tereza Cristina (PP-MS);
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);
- Esperidião Amin (PP-SC);
- Rogério Carvalho (PT-SE);
- Fernando Farias (MDB-AL);
- Carlos Viana (Podemos-MG).