Nas últimas duas semanas, pinguins foram vistos na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e em praias da Zona Sul do Rio, assim como em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. Mas nem sempre o clima é de tranquilidade: ao mesmo tempo em que aumentam os avistamentos, cresce o perigo para as aves. Na semana passada, um homem foi flagrado literalmente agarrando um pinguim na Praia de Itaipu, em Niterói. No Rio, houve relato de caso semelhante no Recreio dos Bandeirantes. Como proceder diante de uma cena dessas?
O caso em Niterói, ocorrido na última sexta-feira (18), foi flagrado por internautas e viralizou nas redes. Dois homens tentam capturar um pinguim que nada placidamente no mar de Itaipu até que um deles se joga sobre o animal e grita: “Peguei um!”. Diante da revolta e da insistência dos outros banhistas para que libertasse a ave, ele acaba lançando-a longe.
A situação gerou revolta dos internautas.
“Não é a primeira vez que isso acontece em Itaipu. Sempre pegam tartarugas. Não seria o caso de aumentar a Guarda Municipal nas praias?”, comentou uma banhista num dos posts.
O caso relatado no Recreio ocorreu na última segunda-feira, segundo uma moradora da região.
“Ontem estava na praia no canto do Recreio quando avistei um pinguim que nitidamente estava cansado e se direcionou para a areia. Aí veio um cara e pegou o pinguim sem nenhuma orientação, podendo machucar o bichinho. Fiquei revoltada com a cena e fui chamar o bombeiro, mas ele foi lá falar com o cara e não fez nada. O rapaz levou o pinguim sei lá para onde. Precisamos urgente de orientação para as pessoas referente a esses animais. Muito triste”, contou.
Na Barra da Tijuca, no fim de semana, um bombeiro precisou proteger um pinguim que descansava na areia quando foi cercado por dezenas de banhistas curiosos e encaminhá-lo para receber cuidados especializados.
O Corpo de Bombeiros informa que, ao ser acionado, o agente mais próximo vai até o local, e nega que tenha sido chamado na última segunda-feira para a ocorrência envolvendo um pinguim no Recreio.
– O acionamento dos bombeiros que estão mais próximos é imediato, caso o animal esteja na areia, e aí eles acionam os órgãos ambientais. Perseguir, matar, é considerado crime ambiental, importante lembrar; ou seja, até a polícia pode ser acionada. Animal no mar, a orientação é não mexer – diz o major Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros.
No caso de Niterói, a corporação gravou um vídeo nesta terça-feira, condenando a atitude e orientando os banhistas quanto aos procedimentos caso se deparem com um pinguim na praia.
O que fazer ao presenciar maus-tratos
O Corpo de Bombeiros lembra que matar, perseguir, caçar, apanhar sem a devida permissão, utilizar, ou, de qualquer modo, lesar ou maltratar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, é crime ambiental, conforme artigo 29 da Lei Federal nº 9.605/98.
Ao encontrar um desses animais não se deve pegá-lo, tocá-lo, alimentar nem dar água, tampouco colocá-lo em vasilhames com gelo ou água fria. O ideal é isolá-lo com segurança, manter crianças e animais domésticos afastados e, se possível, aquecê-lo com uma toalha seca. No caso dos pinguins, eles podem estar debilitados, sofrendo de hipotermia, cansados após uma longa jornada migratória ou até feridos ou doentes. Por isso, não se deve devolvê-los ao mar, e sim, acionar os bombeiros, pelo número 193, o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP), pelo número O800-999-5151, ou os órgãos ambientais competentes. Em caso de flagrante de crime, pode-se acionar a polícia.
Somente este ano, o Corpo de Bombeiros do Rio recebeu 19 chamados para resgates de pinguins em praias do Rio.