BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

a história do Projeto Aquarius

BRCOM by BRCOM
julho 26, 2025
in News
0
A apresentação da ópera Aída, em 1986, na Quinta da Boa Vista, pelo projeto Aquarius — Foto: Aníbal Philot / Agência O Globo

Tecladista do Barão Vermelho há 43 anos, Maurício Barros lembra exatamente onde estava quando escolheu a sua profissão. A poucos dias do Natal de 1975, num Maracanãzinho lotado com 25 mil pessoas, ele viu o tecladista inglês Rick Wakeman — lenda do rock progressivo, egresso da banda Yes — tocar as músicas do disco “Journey to the centre of the Earth”, junto com a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), o Coral da Universidade Gama Filho e o grupo English Rock Ensemble. Ali, o menino de 11 anos decidiu o seu destino. O concerto fazia parte do Projeto Aquarius, criado três anos antes pelo jornalista Roberto Marinho, pelo regente Isaac Karabtchevsky e pelo gerente de Promoções do GLOBO, Péricles de Barros… pai de Maurício.

— O Projeto Aquarius é parte da minha vida. Viajei pelo Brasil inteiro com meu pai para ver os concertos. Uma vez, fui a Brasília de ônibus com o Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, e com o Coral da Gama Filho. Anos depois (em 1984), Guto e eu estávamos no palco do Aquarius, quem diria? O Barão Vermelho e a Blitz participaram do Rock Concerto — conta o tecladista, referindo-se a uma apresentação na Praça da Apoteose em que as duas bandas se uniram à OSB, à Sinfônica do Teatro Municipal e ao Coro do Teatro Municipal, sob a batuta de Karabtchevsky.

  • Bastidores: a história por trás da escolha do nome O GLOBO em 1925
  • Religião nas redes: como a fé se espalha pelo Instagram, TikTok e WhatsApp

O concerto protagonizado por Wakeman (na verdade, foram três: dois no dia 20 e um no dia 21 de dezembro) também inspirou o jovem Kleber Vogel a seguir carreira na música. Porém, ele não se imaginou atrás de um teclado, e sim na orquestra. Doze anos depois, alcançou o objetivo.

— Em 1974, eu era um adolescente roqueiro, cabeludo, que tocava guitarra e estudava um pouco de violino. Naquele ano, assisti a um concerto da OSB num estádio em Campo Grande, na Zona Oeste, e fiquei muito impressionado. No ano seguinte, fui ver o Rick Wakeman e bati o martelo: era naquela orquestra que eu queria estar. Deixei de lado a guitarra e me dediquei ao violino. Em 1987, entrei na OSB e continuo nela até hoje — narra Vogel.

Se Karabtchevsky, maestro da Orquestra Petrobras Sinfônica desde 2003, recebesse um convite para voltar a reger a OSB num concerto do Projeto Aquarius, ele garante ter a resposta na ponta da língua:

— Eu interromperia tudo o que estivesse fazendo para aceitar essa proposta, porque, só de pensar, fico arrepiado.

Entre os muitos concertos que regeu, ele aponta como o mais memorável uma encenação da ópera “Aida”, de Verdi, na Quinta da Boa Vista, em 1986, para 200 mil pessoas, retratada na foto abaixo.

— Eu havia feito várias récitas dessa ópera no Teatro Municipal do Rio. Foi o Péricles quem deu a ideia de levar o espetáculo à Quinta da Boa Vista. Foi um desafio, pois tínhamos uma grande quantidade de cantores, cenário e figurinos rebuscados e até animais selvagens em cena — lembra o regente, aludindo a elefantes e cavalos empregados na montagem. — Aquele foi um dos mais ambiciosos eventos da história do Aquarius.

O que falta, então, para surgirem mais iniciativas de popularização da música clássica no Brasil?

— Falta um Roberto Marinho. O Aquarius deu certo porque ele colocou a TV Globo e o jornal O GLOBO a serviço da divulgação dos concertos. E o público atendeu aos chamados. Desde as nossas primeiras reuniões, ficou acertado que a finalidade seria transformar a música clássica de um fenômeno vivido por 2.400 pessoas no Teatro Municipal para algo de dimensões muito maiores, em espaços públicos — explica o maestro.

A apresentação da ópera Aída, em 1986, na Quinta da Boa Vista, pelo projeto Aquarius — Foto: Aníbal Philot / Agência O Globo

A missão continua sendo executada pela OSB e pelo GLOBO. A mais recente edição, comemorativa dos cem anos do jornal, aconteceu na Praça Mauá, no dia 19 deste mês, com participações de Martinho da Vila, Iza, Roberta Miranda e Chico César. O concerto, que emocionou artistas e público, passou em revista um século de história do GLOBO por meio da música.

— Tivemos esses cantores junto com Villa-Lobos e Tchaikovsky no programa. Essa variedade musical representa a diversidade cultural do nosso país e a forma democrática como a música é encarada no Projeto Aquarius — opina o maestro Eduardo Pereira, que comandou a orquestra.

Nem sempre os artistas do rock ou da música popular que participam do Aquarius tocam seu repertório habitual. Roberto Frejat é exemplo do puro êxtase que a música orquestral provoca. Depois de uma experiência inicial no Rock Concerto de 1984, ele se aventurou, no ano seguinte, no “Bolero”, de Maurice Ravel, com a OSB.

— O Péricles me chamou para ser solista no “Bolero”, e eu não leio partitura, né? Foi uma loucura, porque são melodias enormes, e eu tive que aprendê-las de ouvido. Foi um grande desafio. Pode parecer que o “Bolero” é simples por ter uma melodia principal que se repete, mas, na verdade, são linhas melódicas muito longas e com pequenas variações (a cada repetição). Isso exige muita atenção do intérprete. Tem uma malícia do Ravel, que é o que faz com que essa obra seja tão interessante — define o cantor e guitarrista.

Na plateia desse concerto estava o jovem Eliezer Rodrigues, de 15 anos, sem saber que se tornaria tubista daquela mesma orquestra cinco anos mais tarde.

— Eu me lembro de estar sentado no gramado da Quinta da Boa Vista, vendo, maravilhado, uma orquestra sinfônica ao vivo pela primeira vez na vida — conta.

Vice-presidente da Fundação OSB, Ana Flávia Cabral Souza Leite elenca o Aquarius entre as prioridades da atual gestão da orquestra.

— O projeto chegou a ser encerrado, numa época em que a orquestra estava com atividades paralisadas (após as edições de 2014, com a OSB, e de 2015, com a Sinfônica do Teatro Municipal do Rio, houve um hiato de sete anos). Quando eu assumi meu posto na OSB, uma das diretrizes do trabalho era reaproximar as duas organizações: O GLOBO e a orquestra. Desde a retomada do projeto, em 2022, temos feito edições anuais do Aquarius, além de outras parcerias, como o “Novela em sinfonia”, que foi um especial exibido em horário nobre com as aberturas mais emblemáticas das telenovelas da TV Globo (que completou 60 anos em abril) — diz Ana.

Conteúdo:

Toggle
  • Era de Aquarius: a cronologia do projeto
      • a história do Projeto Aquarius

Era de Aquarius: a cronologia do projeto

1972. No dia 30 de abril, no primeiro concerto do projeto, 100 mil pessoas foram ao Parque do Flamengo ver a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob regência de Isaac Karabtchevsky.

1974. O Aquarius começa a percorrer o Brasil, indo a idades como Brasília e Recife.

1975. 25 mil fãs lotaram o Maracanãzinho para ver Rick Wakeman unir seu English Rock Ensemble à OSB sob regência de Karabtchevsky.

1976. Penitenciárias do Rio e de Niterói enviaram detentos para Bangu, para uma edição especialíssima do Aquarius.

1977. Um dos maiores grupos de rock de todos os tempos, o Genesis veio ao Brasil trazido pelo Aquarius para 12 concertos.

1980. O Aquarius lotou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para celebrar os 20 anos da capital.

1981. No Maracanãzinho, 30 mil assistiram às duas sessões de “Eros-Thanatos”, antologia de balés do coreógrafo francês Maurice Béjart. Em São Paulo, o projeto reconstituiu o Grito do Ipiranga no Dia da Independência, 7 de setembro.

1984. O rock encontra o erudito na Praça da Apoteose: o Barão Vermelho de Cazuza e a Blitz se apresentaram ao lado da OSB e da Sinfônica do Teatro Municipal.

1986. A ópera “Aida” tomou a Quinta da Boa Vista, atraindo 200 mil pessoas.

1987. No ano do centenário de Villa-Lobos, o Aquarius apresentou um programa de 11 obras do compositor carioca.

1993. Maestro e arranjador dos Beatles, o inglês George Martin foi a estrela do Aquarius, mesmo sob um temporal.

2006. “O ponto máximo do Aquarius”, segundo Karabtchevsky: a Praia de Copacabana recebeu a “Sinfonia dos Mil”, de Mahler, de dificílima execução, com um coro de 500 vozes.

2012. Os 40 anos do Aquarius foram festejados na Praia de Copacabana com a OSB dirigida por Carla Camurati.

2014. Em uma noite cinematográfica, o Aquarius levou ao Forte de Copacabana um programa com trilhas compostas pelo americano John Williams.

2015. Na comemoração de 90 anos do GLOBO, o Aquarius ocupou a Cinelândia para um encontro de ritmos, com direito à bateria da Mangueira e ao Dream Team do Passinho.

2025. Com Martinho da Vila, Roberta Miranda, Iza e Chico César, um concerto especial, na Praça Mauá, fez um passeio por um século de música para celebrar o centenário do GLOBO.

Eduardo Fradkin é jornalista e foi repórter e editor assistente no GLOBO entre 2000 e 2017

a história do Projeto Aquarius

Previous Post

a revolução silenciosa na saúde pública

Next Post

a celebração dos 100 anos do GLOBO

Next Post
Antologias: dois livros, um de crônicas e outro de textos, reúnem publicações de nomes importantes para o jornal. — Foto: Reprodução

a celebração dos 100 anos do GLOBO

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.