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Saiba como funciona o aplicativo que dissemina propaganda, desinformação e discurso de ódio na Venezuela

BRCOM by BRCOM
julho 27, 2025
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Capturas de tela do Siscom, espécie de Telegram do chavismo pelo qual se organizam campanhas para difundir propaganda e desinformação a favor do regime venezuelan — Foto: La Nación

Quando o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela emitiu uma ordem de prisão contra o presidente da Argentina, Javier Milei, em setembro do ano passado, pelo alegado roubo do avião venezuelano-iraniano que estava retido em Buenos Aires desde 2022, uma segunda ofensiva contra o mandatário foi deflagrada em Caracas. A operação partiu das altas esferas do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela (Mippci) por meio de um chat em um aplicativo controlado pelo chavismo. As instruções foram claras: divulgar o pedido de prisão nas redes e expor ao máximo o argentino.

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“Cadeia para o ladrão. Máxima divulgação por todos os meios possíveis. Produzam notícias, vídeos, fotos editadas com macacões laranja, memes etc. Divulgação total”, ordenou em várias mensagens o vice-ministro de Comunicação, Johannyl Rodríguez.

A campanha foi orquestrada por meio de um aplicativo de mensagens interno chamado Siscom (ou Sistema Bolivariano de Comunicação), uma espécie de WhatsApp chavista financiado pelo Estado venezuelano, no qual altos funcionários divulgam mensagens, promovem conteúdos alinhados ao governo e coordenam ataques contra aqueles considerados opositores. As ordens chegam do ministério aos integrantes da rede, que inclui funcionários de outras pastas, governos estaduais e municipais, membros do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), meios de comunicação e propagandistas leais ao chavismo.

O La Nación teve acesso a um relatório e a uma base de dados com mais de 9 gigabytes que revelam como funciona a estratégia de propaganda do governo. Lançado em 9 de março de 2024, o aplicativo, que já acumula mais de 10 mil downloads, foi desenvolvido pelo próprio vice-ministro de Comunicação. As mensagens compartilhadas na plataforma — que articula cerca de 600 grupos com membros leais a Nicolás Maduro — fazem parte de diversas campanhas de desinformação e discurso de ódio, com o objetivo de amplificar a narrativa do regime e atacar tanto figuras da política interna venezuelana quanto líderes internacionais.

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Segundo o relatório, a Comissão de Agitação, Propaganda e Comunicação (APC) do PSUV concentra a maior parte dos grupos de divulgação, cerca de 230. As campanhas incluem pesquisas falsas no contexto das eleições presidenciais de 28 de julho, orientações discursivas para atacar os líderes opositores María Corina Machado e Edmundo González Urrutia e cronogramas com horários para promover as postagens de Maduro nas redes. A máquina está em operação constante, mas se intensifica especialmente durante os períodos eleitorais.

“Parabenizo a Venezolana de Televisión (VTV) e toda a rede de meios do Siscom. Derrotamos o fascismo nas redes e nos meios de comunicação”, celebrou Maduro no último 27 de maio, dois dias após as eleições regionais, nas quais o chavismo saiu vitorioso — apesar das denúncias de irregularidades e boicote por parte da oposição. Ele incluiu, assim, o aplicativo como uma ferramenta-chave de suas campanhas, apesar de, muitas vezes, no próprio Siscom, pedir que evitem o uso de logotipos oficiais do governo para que as mensagens pareçam espontâneas.

Capturas de tela do Siscom, espécie de Telegram do chavismo pelo qual se organizam campanhas para difundir propaganda e desinformação a favor do regime venezuelan — Foto: La Nación

O ataque contra Milei, ordenado pelo vice-ministro e enviado a centenas de grupos internos, não se limitou ao caso do avião da estatal venezuelana Emtrasur. Em outra mensagem, o presidente argentino é acusado de ser, juntamente com María Corina, uma “peça do projeto sionista israelense na América Latina”. Rodríguez incluiu na campanha uma série de incentivos para que os usuários atacassem Milei com apelos a “repudiar sionistas que massacram inocentes”.

A máquina do chavismo também mirou outros líderes internacionais, entre eles o presidente dos EUA, Donald Trump, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. A estratégia contra Trump teve início depois que o presidente, em uma de suas primeiras medidas de governo, concedeu indulto a dois policiais condenados pela morte de Karon Hylton-Brown, jovem afro-americano de 20 anos. Em resposta ao episódio, integrantes do Ministério da Comunicação venezuelano escreveram:

“O governo dos EUA vive acusando a Venezuela de ser responsável pela gangue Trem de Arágua e ainda tenta nos vincular a crimes e à violência, mas a polícia americana comete crimes e ainda são perdoados por eles. Gringolândia, o mundo ao avesso!”

Capturas de tela do Siscom, espécie de Telegram do chavismo pelo qual se organizam campanhas para difundir propaganda e desinformação a favor do regime venezuelano — Foto: La Nación
Capturas de tela do Siscom, espécie de Telegram do chavismo pelo qual se organizam campanhas para difundir propaganda e desinformação a favor do regime venezuelano — Foto: La Nación

Em março, durante a visita de Rubio à Guiana para manifestar apoio contra as reivindicações de Maduro pela região do Essequibo, o chavismo iniciou o que chamou de uma “jornada digital mundial” e uma “campanha global”, tendo como alvo o secretário de Estado. Sob o lema “os povos da América Latina levantam sua voz contra a ingerência imperialista”, Rodríguez enviou aos usuários uma lista de instruções que incluía horários específicos para divulgar conteúdos nas redes, compartilhar imagens, vídeos e depoimentos, além de interagir com publicações de outros usuários “para aumentar o alcance”.

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Já a diretriz contra Bukele veio em uma mensagem do ministro da Comunicação, Freddy Ñáñez, também conhecido como Alfred Nazareth, que pediu aos membros do Siscom que interviessem em uma troca de mensagens entre Maduro e Bukele no X. Ñáñez sugeriu que fossem usadas hashtags como #BukeleSequestrador e #BukelePuxaSacoDoTrump.

Nos meses que antecederam as eleições presidenciais de julho do ano passado, a máquina de comunicação do Siscom foi ativada para dar máxima visibilidade às postagens de Maduro e travar uma batalha nas redes sociais — principalmente em torno das pesquisas de opinião. Em junho de 2024, foi divulgada a “manobra midiática” chamada #NicoLike, visando curtir, comentar e compartilhar as publicações de Maduro para aumentar sua repercussão. O objetivo, segundo o manual publicado no chat, era claro: “A reeleição [de Maduro] para seguir construindo a revolução bolivariana, chavista e socialista”.

Após as eleições, o regime desencadeou uma onda de repressão para silenciar boa parte da sociedade, que foi às ruas em protestos massivos. Horas depois do fechamento das urnas, Rodríguez divulgou uma suposta pesquisa de boca de urna feita pelo instituto Lewis and Thompson, que dava vitória a Maduro com 55% e apontava González Urrutia com 34%. Tanto o site quanto a conta no X desse instituto foram criados apenas em julho de 2024, o que coloca em dúvida sua veracidade.

Capturas de tela do Siscom, espécie de Telegram do chavismo pelo qual se organizam campanhas para difundir propaganda e desinformação a favor do regime venezuelano — Foto: La Nación
Capturas de tela do Siscom, espécie de Telegram do chavismo pelo qual se organizam campanhas para difundir propaganda e desinformação a favor do regime venezuelano — Foto: La Nación

No dia seguinte às eleições e em meio às manifestações espontâneas, foi divulgado pelo Siscom, pela primeira vez, um áudio com a voz de Maduro pedindo às forças policiais e diferentes estruturas do PSUV que enfrentassem os protestos, classificados por ele como um “golpe de Estado iminente”. Várias mensagens subsequentes foram dedicadas a ridicularizar González Urrutia e atacar María Corina.

Quando o ex-diplomata foi forçado ao exílio, em 7 de setembro, o chavismo tratou o assunto como uma vitória. Em áudio, Ñáñez dizia:

“Como já é público e notório, temos uma vitória a explorar durante toda esta semana. E tem a ver com a capitulação e a fuga de um dos chefes da extrema direita fascista.” Em seguida, anunciou uma série de instruções para “fortalecer a moral da Revolução Bolivariana” e “desmoralizar, como deve ser, o inimigo que ainda acredita ingenuamente nas promessas da fascista María Corina Machado”.

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