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O show do futuro já existe, mas ainda é para poucos

BRCOM by BRCOM
julho 27, 2025
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O espetáculo “ABBA Voyage” tem avatares de holografia que impressionam — Foto: Foto Divulgação

Quando as primeiras imagens do show do U2 na inauguração da arena The Sphere, em Las Vegas, invadiram as redes, em outubro de 2023, todos ficaram impactados com o tamanho e a qualidade das projeções. Construída a um custo de US$ 2,3 bilhões, a estrutura esférica com uma gigantesca tela LED — de 15 mil metros quadrados e 16k de definição — e 160 mil alto-falantes foi logo apontada por muitos não apenas como uma revolução, mas como o futuro dos shows. Até é, mas para poucos. Para empresários do ramo, o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas.

— É impensável ter algo assim no Brasil. Não se paga — vaticina Rafael Lazarini, vice-presidente da produtora Live Nation para a América Latina e fundador do Rio2C e do Sp2B, que até começou a tentar calcular em quanto tempo um investimento assim daria retorno financeiro, mas logo desistiu. — Só a produção do vídeo do U2 custou US$ 10 milhões.

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Mesmo que arenas assim não se popularizem, a revolução no universo dos shows está em curso. As apostas incluem hologramas hiper-realistas, telões 3D, telas de LED flexíveis, realidade aumentada, som surround até mesmo em grandes festivais — tecnologias de ponta que já estão aí, mas com uso restrito. O futuro já chegou, mas custa caro.

Um bom exemplo disponível, mas financeiramente inviável em grande escala, é o “ABBA Voyage”, espetáculo de holografia hiper-realista exibido desde 2022 em uma arena construída para isso (por US$ 175 milhões) em Londres, na qual, além de cantar e dançar, os avatares dos artistas interagem com a plateia.

— Você jura que a banda está ali. É uma das coisas mais sensacionais de tecnologia que já vi— conta Luiz Guilherme Niemeyer, sócio da Bonus Track, produtora dos shows de Madonna e Lady Gaga em Copacabana e de festivais como o Doce Maravilha, citando as possibilidades que a tecnologia pode permitir, como duetos entre entre artista e avatar.

O espetáculo “ABBA Voyage” tem avatares de holografia que impressionam — Foto: Foto Divulgação

Vice-presidente artístico da Rock World, empresa idealizadora e realizadora do Rock in Rio e The Town, Zé Ricardo acha que, antes dos hologramas, há outras coisas mais exequíveis a médio prazo. No topo de seus palpites, telões 3D nos moldes de painéis publicitários que já existem em lugares como em Nova York, Seul e Tóquio, onde, em 2021, um vídeo realista de um gato de 160m2 parou o trânsito.

— Imagine você ver, por exemplo, os dedos do guitarrista saindo da tela durante o solo? — vibra Zé Ricardo.

E isso é só o começo, aposta Lazarini.

— A tendência é os shows se tornarem cada vez mais imersivos, multissensoriais e até personalizados; experiências híbridas.

Consenso junto à turma do ramo, a realidade aumentada vai chegar aos shows — e não demora muito. Afinal, os óculos inteligentes, tipo Google Glass, já são sonho de consumo de muita gente.

— Os óculos de realidade aumentada podem criar camadas visuais interativas e personalizadas, como dar a letra da música traduzida ou a história da banda e efeitos visuais individuais — acredita Lazarini.

Aqui, a ressalva para não confundir o equipamento com os de realidade virtual, fechados, que “transportam” o usuário para outro lugar. Na realidade aumentada, a lente é transparente, e o usuário vê o que está acontece ao redor e outras camadas por cima.

Batman Zavareze vai ainda mais longe. Um dos artistas visuais e diretores de arte mais requisitados do país, com conteúdo digitais para shows de nomes como Marisa Monte e Capital Inicial, ele vive pesquisando o que há de novo na área.

— Qualquer exercício de pensar o futuro já vai ser ultrapassado. A única coisa que tenho certeza é que vai passar por esse computador ultramega potente que a gente chama hoje de celular.

Para Zavareze, daqui a alguns anos as imagens não precisarão de um anteparo:

— A gente não vai mais precisar de uma tela física, ela vai se abrir de forma etérea, em camadas. O mais próximo disso é a holografia, mas uma holografia que ainda vai ser inventada.

Com um celular na mão e óculos inteligentes na cabeça, cada um poderá escolher como ver o show.

— A gente vai ter óculos conectados ao celular e um cardápio de possibilidades: eu quero o filtro X, quero o cenário tal. Uma realidade aumentada em muitas camadas — prevê o designer,

O público também poderá ter a palavra em relação ao som, aposta Zé Ricardo:

— Através do celular, e usando fones, você poderá fazer a sua mixagem, aumentar um pouco a voz ou o solo do guitarrista… — imagina ele.

A transmissão ao vivo também irá para outro patamar, com o espectador, em casa, podendo, além de “mixar” seu show, escolher, por exemplo, a que câmera assistir, inclusive do ponto de vista dos músicos, por exemplo.

As possibilidades aumentam se entram em pauta shows em ambiente virtual, como metaverso, um mundo ainda a ser explorado. Apresentações em plataformas de games, como a feita por Travis Scott no Fortnite na pandemia, serão mais imersivas, com o público podendo usar óculos de VR e coletes que vibram, entre outros gadgets.

Mas só a tecnologia não basta. Principalmente para o público dos festivais, que, mais do que só o show em si, quer aproveitar todas as experiências. Segundo o empresário Roberto Medina, presidente da Rock Work, pesquisas mostram que apenas 50% do público do Rock in Rio vão por causa dos artistas. O restante quer curtir “a experiência”:

— O único modelo possível para festivais daqui para a frente é ampliar ainda mais a oferta de diversão para o público, trabalhar a mágica do evento.

— Acho que os festivais serão cada vez menos o line-up fortíssimo e cada vez mais o propósito, conforto, experiências personalizadas.

Uma coisa, todos aplaudem.

— No show do U2 na Sphere, o momento mais emocionante foi quando apagaram as telas e ficou só um foco de luz na banda. Foi uma mensagem forte: independentemente do aparato, a tecnologia era complementar à música.

— A tecnologia pode potencializar a emoção, mas o artista ainda vem primeiro — finaliza Zé Ricardo.

No dia 11 de janeiro de 1985, Ney Matogrosso cantava “Deus salve a América do Sul” e abria o primeiro Rock in Rio, sob o sol do verão carioca e ainda sobre a grama — que logo se transformaria no histórico lamaçal. O GLOBO estava lá, é claro, como em todas as edições do festival na cidade (em 1991, 2001, 2011, 2013, 2015, 2017, 2019, 2022 e 2024) e ainda nas franquias em Lisboa, Madri e Las Vegas.

“Alguém já viu festival assim? Vamos rocar”, dizia uma manchete no mesmo dia 11 de janeiro, criando um neologismo para a expressão “Let’s rock”, tão comum nas músicas do gênero — e de outros vários que marcam o evento desde o início, como a MPB, o soul, o jazz, o pop e, ultimamente, o funk e até a música sertaneja.

Ney Matogrosso que abriu a edição do Rock in Rio de 1985 e esteve na de 2024 — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Ney Matogrosso que abriu a edição do Rock in Rio de 1985 e esteve na de 2024 — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

“Aqui é festa: congraçamento, união, música, artes plásticas, eletrônica, mundo moderno em paz; a garra explode no talento, a energia em criatividade, a força em beleza. O botão do apocalipse fica do outro lado do equador nosso pecado, se houver um, é o de tentar ser feliz”, dizia o texto de apresentação da primeira tarde-noite-madrugada do festival, que, além de Ney, contou com Erasmo Carlos, o então casal Baby Consuelo (depois Baby do Brasil) e Pepeu Gomes, Whitesnake, Iron Maiden e Queen. A menção ao apocalipse talvez fosse uma resposta à suposta profecia de Nostradamus, que não conseguiu estragar a festa.

A banda liderada por Freddie Mercury — que tentou tocar no Maracanã em 1981, mas a burocracia não permitiu, e os shows acabaram acontecendo apenas em São Paulo — era a grande sensação. Descritos como “energéticos, carismáticos e talentosos”, os quatro músicos badalaram e foram badalados dentro e fora do palco, onde se apresentaram para centenas de milhares de pessoas, nos dias 11 e 18. Sempre com O GLOBO como testemunha.

Inês Amorim é editora do Rio Show.

Este conteúdo faz parte do especial em comemoração pelo centenário do jornal. Acesse a página O GLOBO 100 anos para ver mais reportagens.

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