O cantor Léo Moreno voltava do show do seu pagode, que acontece nas noites de sábado, em Rocha Miranda. Quando dirigia pela Barra da Tijuca, na Rua Abrahão Jabour, à caminho de Vargem Pequena, onde mora, ele foi vítima de uma emboscada e sofreu um assalto violento. O caso dele, infelizmente, é apenas um de tantos que ocorrem no Bairro. Crimes como este estão entre os casos mapeados pelo GLOBO na série especial Mapa do Crime, com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Na plataforma, é possível ver que a Barra é o quarto bairro do ranking em números absolutos de roubos de celulares. Se em 2020, a Barra teve 222 casos de roubos de celulares, foram 424 em 2024, com aumentos em cada um desses anos dessa série histórica.
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Leia o relato de quem viveu para contar a história por trás dos dados:
“Eram 4h45 da madrugada. Por saber que estava tarde, venho acelerando. Pediram o celular, a senha, pegaram o meu relógio. Fiquei esperando para ver se levariam o carro. Escutei um deles falar para outro me mandar ir embora, antes que me desse um tiro. Mas eu não sabia se era para entrar no carro ou ir andando. Foi quando tomei duas coronhadas, na cabeça e no pé da orelha.
Meu medo foi pensar que na hora não era ninguém, que não tinha poder de reação, poderiam me dar um tiro simplesmente. Minha esposa ia comigo, neste dia, porque minha filha estava com o avó. Graças a Deus, ela não foi. Não sei como seria a minha reação. Dos males, foi o menor, só mesmo o susto e a porrada. Mas a sensação é a de que dei sorte.
A gente sabe que o Rio é perigoso em qualquer lugar. E trabalho de madrugada, na Penha, em Santa Cruz, no Recreio. É aquele medo de sempre. Neste dia, excepcionalmente, recebi o meu cachê em dinheiro, mas não olharam o meu bolso. Não roubaram cordão e nem anel. O foco era o celular. Faço esse caminho há mais ou menos um ano. Nunca tinha visto isso. Sempre dei sorte. Com certeza, vou passar por outro caminho. Ali, nunca mais”.
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No dia 14 de julho, o Governo Federal lançou o Cadastro Nacional de Celulares com Restrição (CNCR), uma base de dados de aparelhos que foram roubados, furtados ou extraviados. A consulta pode ser feita pelo aplicativo do Celular Seguro, programa lançado para registros de aparelhos em geral, que podem ser bloqueados parcialmente ou totalmente, depois de um roubo, furto ou perda.
No aplicativo, basta abrir a aba “Celulares com Restrição” e digitar ou escanear o IMEI do aparelho, que é o seu principal número de identificação. Se não houver nenhum impedimento, a tela confirmará que o aparelho está liberado para uso.
“O cidadão tem o direito de saber se o celular que ele está comprando é roubado ou não. O cadastro é uma garantia. Com ele, a ferramenta Celular Seguro segue oferecendo mais segurança aos brasileiros na hora de adquirir um bem tão essencial na vida cotidiana, como é o telefone móvel nos dias de hoje”, destaca o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto.
Entenda o que é o Mapa do Crime
Quais são os bairros mais perigosos do Rio? Onde os roubos avançaram? Quais é o horário menos seguro para caminhar pela vizinhança? Para ajudar a responder essas perguntas e entender a dinâmica da violência na cidade, o GLOBO desenvolveu o Mapa do Crime, uma ferramenta interativa de monitoramento de roubos no Rio com dados inéditos de delitos por bairros. Disponível no site do jornal, o mapeamento disponibiliza informações sobre quatro crimes diferentes — roubos de celular, a transeunte, de veículo e em coletivo — em 147 bairros diferentes da capital.
A ferramenta foi produzida a partir de microdados de mais de 250 mil registros de ocorrências obtidos via Lei de Acesso à Informação junto ao Instituto de Segurança Pública (ISP). O órgão, responsável por compilar as estatísticas da segurança no estado, divulga mensalmente indicadores divididos por áreas de batalhões e delegacias — que abrangem, na maioria dos casos, vários bairros. Buscando entender dinâmicas criminais hiperlocais, o GLOBO solicitou dados mais precisos de localização dos crimes e recebeu informações sobre os bairros onde cada ocorrência foi registrada, menor unidade territorial disponibilizada pelo ISP. É a primeira vez que indicadores criminais no Rio são divulgados com esse nível de detalhamento.
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Qual é a diferença entre roubo a pedestre e roubo de celular?
Os crimes de roubo a pedestre e roubo de celular, que até podem acontecer ao mesmo tempo, são registrados de forma separada pelas autoridades — e há um motivo para isso. O roubo a pedestre — também chamado de roubo a transeunte — se refere à subtração de qualquer bem pessoal feita com ameaça ou violência enquanto a vítima caminha pela rua, podendo incluir bolsas, carteiras, joias, entre outros itens.
Já o roubo de celular, como o nome indica, diz respeito exclusivamente aos casos em que o aparelho é o alvo do assalto. O telefone pode alimentar a engrenagem do crime de diversas formas: pode ser desbloqueado e usado para transferências bancárias, revendido de forma clandestina ou até desmontado para a venda de peças.