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Em entrevista coletiva em Berlim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que seu ministro da Defesa, Boris Pistorius, “trabalhará em estreita colaboração com França e Reino Unido”, que segundo ele estão dispostos a integrar a iniciativa. Merz detalhou que serão entregues “alimentos e suprimentos médicos”, mas sem revelar em qual quantidade, ou como e quando eles começarão a chegar em Gaza.
— Queremos acabar com o sofrimento humanitário da população civil em Gaza o mais rápido possível — declarou Merz, citado pelo jornal Die Welt.
Ele defendeu um cessar-fogo em Gaza, apontando que o grupo terrorista Hamas “deve ser desarmado”. Ao mesmo tempo, exigiu que Israel melhore, imediatamente, o fornecimento de ajuda, de forma a amenizar a “catastrófica situação humanitária”. No fim de semana, o Exército israelense começou a realizar entregas aéreas de ajuda ao território, e prometeu implementar “pausas humanitárias” em determinadas áreas — o chanceler alemão disse que as ações foram “um primeiro passo importante”, mas que é necessário fazer mais.
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As declarações, vindas de um país que tem evitado críticas mais contundentes a Israel, se somam à crescente pressão internacional para o fim da guerra iniciada em outubro de 2023, e para que sejam adotadas ações urgentes para enfrentar a crise humanitária. Nos últimos dias, dezenas de pessoas morreram de inanição no enclave, e desde maio mais de mil foram mortas perto de centros de distribuição de alimentos, em sua maioria por disparos de armas de fogo. Os locais são controlados por uma fundação financiada pelos EUA, que alterou um modelo adotado anteriormente pela ONU e considerado bem mais eficaz.
Na abertura de uma conferência internacional para discutir a situação em Gaza, na sede da ONU, em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “nada pode justificar a destruição de Gaza que se desenrolou diante dos olhos do mundo”, e defendeu a solução de Dois Estados, um israelense e um palestino. Contudo, reconheceu que esse desfecho hoje está “mais distante do que nunca”.
— Sabemos que o conflito israelense-palestino perdura há gerações, desafiando esperanças, desafiando a diplomacia, desafiando inúmeras resoluções e, de fato, desafiando o direito internacional — disse Guterres. — Precisamente por causa das realidades sombrias, devemos fazer ainda mais para concretizar a solução de dois Estados.
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Oficialmente, Israel questiona os relatos sobre a fome em Gaza, e refuta as acusações de que estaria usando o bloqueio parcial à entrada de alimentos como uma arma de guerra. Em sua intervenção na conferência da ONU, o embaixador israelense na organização, Danny Danon, afirmou que “em vez de trabalhar para desmantelar o reinado de terror do Hamas, os organizadores da conferência estão se envolvendo em discussões desconectadas da realidade”.
Contudo, a narrativa encontra cada vez menos adeptos. Nesta segunda-feira, dois grupos israelenses de defesa dos direitos humanos afirmaram, pela primeira vez, que Israel está cometendo genocídio na Faixa de Gaza — em dois relatórios, a B’Tselem e a Médicos pelos Direitos Humanos detalham mortes de dezenas de milhares de pessoas, incluindo mulheres e crianças, além da destruição deliberada de infraestrutura civil.
— O que vemos é um ataque claro e intencional contra civis com o objetivo de destruir um grupo — disse Yuli Novak, diretora da B’Tselem, pedindo ação urgente. — Acho que todo ser humano precisa se perguntar: “o que fazer diante de um genocídio?”.
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Na Escócia, onde realiza uma visita oficial, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não concorda com as alegações de Netanyahu de que “não há fome” em Gaza, argumentando que “com base no que vi na televisão, aquelas crianças parecem muito famintas”.
— Isso é fome de verdade, você não consegue falsificar isso — afirmou, acrescentando que Israel tem “muita responsabilidade” para lidar com a crise, apesar de estar “limitado” pelos reféns mantidos pelo Hamas e pelo que descreveu como o roubo de ajuda alimentar pelo grupo, sem apresentar provas.
O presidente americano disse que trabalha com outros países para criar “centros de alimentação” em Gaza, sem dar detalhes sobre como funcionariam ou quem ficaria responsável pelas operações.
— Vamos criar centros de alimentação e vamos fazer isso em conjunto com algumas pessoas muito boas — disse Trump, acrescentando que os EUA fornecerão recursos para o esforço. — Também vamos garantir que não haja barreiras impedindo as pessoas.