Como parte das comemorações do centenário do Grupo Globo, o Acervo Roberto Marinho traz ao público uma gravação inédita do foxtrote ‘O Globo’, composto por Amaral Campos e De Castro e Souza, em 1925, para a campanha de lançamento do vespertino de Irineu Marinho.O foxtrote foi gravado especialmente para as comemorações dos 100 anos do Globo, a partir de sua partitura original, que está sob a guarda do Acervo Roberto Marinho. O material integra a mostra O Globo 100 anos, disponível no portal História do Grupo Globo. Também está acessível ao público na exposição ‘O Globo 100 anos: um século de histórias’, em cartaz na Casa Roberto Marinho de 11 de julho a 10 de agosto de 2025. Veja no vídeo abaixo os bastidores da gravação do jingle:
Jingle esquecido que marcou lançamento do GLOBO volta à vida 100 anos depois
- Roberto Marinho: Jornalista herdou O GLOBO aos 20 anos e transformou o jornal em um dos maiores grupos de mídia do mundo
- Irmãos: A história de Roberto, Ricardo e Rogério Marinho no GLOBO
Esta gravação inédita, produzida pelo Acervo Roberto Marinho em parceria com o produtor musical Luís Filipe de Lima, contou com a participação de um talentoso grupo de músicos e com o cantor e compositor Marcos Sacramento.
Ficha técnica: Luís Filipe de Lima (arranjo, violão e produção musical); Marcos Sacramento (voz); Daniel Sanches (piano); Dudu Oliveira (flauta); Márcio Vanderlei (banjo); Júlio Florindo (contrabaixo acústico); Geórgia Câmara (bateria); Lucas Macedo (mixagem, masterização e estúdio de gravação). Fotos: Cicero Rodrigues; filmagem: Fernando Lemos e Maurizio Modesto Beli (O Globo). Gravado em 11 de junho de 2025 no estúdio Tuta Macedo, no Rio de Janeiro.
CLIQUE E OUÇA A GRAVAÇÃO DO JINGLE DE LANÇAMENTO DO GLOBO
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/s/a/eemypxQgOW9z7ujcM9nw/111775055-luis-filipe-de-lima-responsavel-pelo-arranjo-violao-e-producao-musical-do-foxtrote-o-globo.jpg)
A ideia da adaptação e gravação do jingle surgiu no ano passado durante o planejamento da agenda comemorativa pelo centenário. O material integra a mostra especial sobre o jornal, que está no portal História do Grupo Globo e na exposição “O Globo 100 anos: um século de histórias”, em cartaz na Casa Roberto Marinho até o próximo dia 10. Dos músicos e produtores mais respeitados do samba, Luís Filipe conta que seu trabalho com o foxtrote do jornal foi “meio como um jogo de xadrez”, já que não havia gravações da composição e tampouco se encontrou registros dos arranjos para orquestras ou bandas: tudo o que havia era o exemplar de uma partitura para piano.
— Nela, como a melodia não estava transcrita sílaba por sílaba, foi quase um trabalho de arqueologia para chegar a uma forma que encaixasse na letra — explica ele, informando que naquele tempo as partituras de piano circulavam nas lojas de música, onde um pianista ficava tocando as novidades. — E aí o chefe da família, que estava passando pelo Centro da cidade, ouvia e, se gostava da música, comprava a partitura e levava para alguém em casa tocar. Geralmente, uma mulher, já que tocar piano era uma função feminina.
Segundo registros, o foxtrote do GLOBO obteve sucesso nas execuções da orquestra da Rádio Sociedade, da fanfarra da Brigada Policial e de outras bandas pela cidade. Na inauguração, o jornal anunciava que “um exemplar do novo foxtrote (para piano) será entregue gratuitamente a cada pessoa que se apresentar nos escritórios do GLOBO, a começar de amanhã”.
Para a gravação do centenário, Luís Filipe teve a ideia de fazer “um foxtrote com um tanto de sotaque carioca”. E convocou, para cantá-lo, alguém que tinha intimidade com o gênero norte-americano e a sua história em terras brasileiras: Marcos Sacramento.
— A letra é muito curiosa, datada, mas o fox, em si, é delicioso, e ganhou um frescor com o arranjo do Luís Filipe — diz Marcos. — Encarei como uma peça de divulgação, um jingle do lançamento do GLOBO, bem condizente com o que estava acontecendo. Foi uma oportunidade do tipo “vamos pegar um gênero que está na moda e fazer um jingle para esse jornal que está nascendo”. Tanto o Orlando Silva quanto cantores da época gravaram inúmeros foxes, era uma febre no Brasil.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/d/k/VOQdQGQd2UqGowkeiPLg/111775059-o-cantor-marcos-sacramento-na-gravacao-do-foxtrote-o-globo.-credito-cicero-rodrigues.jpg)
Nos agitados anos 1920 do Rio de Janeiro, muitas eram as novidades culturais que chegavam de fora do país. E, na música, iam logo sendo assimiladas, por nomes como Ary Barroso, Pixinguinha e Custódio Mesquita (que, segundo Sacramento, “usou e abusou do foxtrote, em músicas como ‘Nada além’, um dos foxtrotes mais conhecidos”). Para o cantor, hoje em dia o jingle de um jornal seria “talvez um trap, um rap ou algo parecido”.
— Ou até mesmo um samba, um pagode, porque a gente está vivendo aí um momento muito interessante, de ressurgimento das rodas de samba com grande estardalhaço — diz ele, titular do Samba do Sacramento, popular roda no Rio.
CLIQUE E OUÇA A GRAVAÇÃO DO JINGLE DE LANÇAMENTO DO GLOBO