A água danificou o calçadão em vários pontos e levou areia para as ruas. A ressaca, que atinge o litoral do Rio desde a última terça-feira e tem previsão de término nesta quinta, ocorre devido a um ciclone extratropical no mar, que segue se afastando da costa do Brasil e, com isso, tem sua influência reduzida. Com ondas muito fortes, o mar invadiu pistas desde a Zona Sul à Zona Oeste do Rio. As temperaturas variam entre 10ºC e 24ºC na cidade.
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O impacto para os empreendedores foi acima das expectativas. Cristiano Nunes, de 66 anos, administra duas quadras nos postos 8 e 9 da praia de Ipanema. Após o mar invadir a faixa de areia, a rede e o mastro de sua quadra acabaram caindo.
— Não tive muitas perdas. Por enquanto, estou limpando aqui e depois o pessoal do Orla deve chegar também para ajudar — afirmou ele.
Alguns quiosques chegaram a ser inundados. Daniele Faustni, de 39 anos, trabalha no quiosque Cat’s, em Ipanema, há dois anos e meio. Ela afirma que, a cada ano, é uma ressaca diferente, mas essa agora está pior.
— O quiosque não foi atingido, mas teve diminuição do público. As pessoas ficam com medo e acabam vindo menos — conta ela.
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O ciclone extratropical trouxe os ventos fortes dos últimos dias, mas com o afastamento da costa do Brasil, a tendência é diminuir gradualmente a frequência das rajadas e, consequentemente, a altura das ondas. O alerta de ressaca da Marinha do Brasil aponta que elas podem variar entre 2,5 metros e 3,5 metros de altura até as 21h desta quinta-feira.
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As amigas Simone Borba, de 50 anos, e Márcia Ferreira, de 42, observavam juntas as ondas gigantes, causadas pela ressaca, na orla do Leblon nesta quarta-feira. Para Simone, que mora na capital há 25 anos, as ressacas pioram a cada ano.
— A gente tem visto ressacas cada vez mais fortes. Acaba dando receio de vir à praia, porque a gente nunca sabe o que nos espera — afirma ela.
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Embora as ondas tenham previsão de perder força, é preciso observar as condições do mar, se vai continuar agitado e se há bandeiras indicando perigo ou atenção colocadas pelos bombeiros. As sinalizações devem sempre ser respeitadas.
Ao menos até a próxima segunda-feira o tempo segue estável, sem previsão de chuva, com tempo aberto e sol, poucas nuvens e tardes mais quentes. Uma nova virada pode acontecer na terça-feira, com a aproximação de uma nova frente fria, destaca Hana Silveira, meteorologista da Climatempo:
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— Esse sistema de alta pressão vai se posicionando cada vez mais de uma forma que vai trazer mais estabilidade. A próxima frente fria só deve passar na terça-feira da semana que vem e, aí sim, pode trazer alguma mudança. Pelo menos até segunda a gente não tem previsão de chuva na cidade e as temperaturas vão aumentando um pouco mais a cada dia, no período da tarde. Por exemplo, no fim de semana vai ser mais quente, com previsão de 28°C no sábado e de 30°C no domingo.
Até lá, a força dos ventos pode aumentar, mas não por conta de um ciclone, podendo ter uma duração ainda menor e menos registros.
— A partir de sexta-feira deve voltar a ter ventos mais intensos, com rajadas de 50 km/h ou até de 60 km/h, agora por posicionamento de alta pressão que fica no mar. Em todo o litoral do estado acaba tendo essas rajadas, mas não é algo como o que observamos na segunda e na terça-feira.
*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga.