Em um cenário de franca expansão, o Nordeste tem atraído volumes crescentes de capital público e privado, consolidando-se como um celeiro de oportunidades para empreendedores. Para debater e impulsionar essa dinâmica, a segunda edição do Fórum do Nordeste — Uma Nova Fronteira do Desenvolvimento do Brasil reuniu no Rio de Janeiro, em 24 de julho, importantes nomes do Banco do Nordeste (BNB) e de entidades ligadas à inovação e ao empreendedorismo.
O encontro teve como foco a aceleração da indústria local e as estratégias para solidificar o papel da região na economia nacional. A primeira mesa, Uma Região de Oportunidades, contou com a participação de Paulo Câmara, presidente do Banco do Nordeste; Marcio Steffani, diretor financeiro de crédito e capacitação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); e Moacir Marcos Júnior, diretor de RI e capacitação do Grupo Inpasa Brasil.
— Estamos vendo o país retomar o crescimento desde 2023, com resultados acima das expectativas, principalmente no Produto Interno Bruto e na geração de empregos. Em 2025, essa tendência se mantém. A região tem avançado além da média nacional, de maneira uniforme e entre os diversos segmentos — afirmou Câmara.
Alinhado à Nova Indústria Brasil (NIB), política federal para o desenvolvimento industrial do país, o Banco do Nordeste tem atuado de forma estratégica no fortalecimento do setor nos nove estados da região e parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde também opera. Os recursos são oriundos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). A Nova Indústria Brasil tem como meta fortalecer a produção nacional e promover melhorias em mobilidade sustentável e cadeias agroindustriais.
Ainda no âmbito dessa política, o BNB tem financiado obras incluídas no Novo PAC, como expansões no saneamento básico, estrutura da rede hoteleira e iniciativas em energias renováveis. Entre as linhas disponíveis, estão desde o microcrédito, com programas para os segmentos urbano e rural, até o financiamento de obras de infraestrutura voltadas para o crescimento da economia regional, com foco em comércio, serviços e indústria.
Somente no primeiro semestre de 2025, a instituição fechou contratos de R$ 2,3 bilhões com indústrias, representando um crescimento de 187% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor já corresponde a 86% do total investido durante todo o ano de 2024. Desde 2023, já foram aplicados R$ 7,7 bilhões do FNE no setor industrial.
A Finep é uma das parceiras de investimentos regionais que atua fortemente em inovação em diversos setores. De acordo com Steffani, a entidade já contratou R$ 2,9 bilhões no Nordeste.
— Quando chegamos à região, quatro estados ainda não tinham créditos contratados. Agora todos têm. Isso distribui renda e aumenta competitividade e planejamento. Estamos financiando projetos de biofármacos e inteligência artificial. A maior subvenção contratada no Nordeste foi de R$ 30 milhões para uma empresa do Porto Digital, no Recife, com foco em soluções para o SUS — contou o diretor financeiro.
A Inpasa Brasil, biorrefinaria de grãos que utiliza milho e sorgo na produção de etanol, iniciou seus estudos no Nordeste com financiamento do banco. A companhia identificou o potencial do Maranhão como produtor de milho e, em agosto, iniciará a segunda fase.
— O estado tinha muito milho que não era contabilizado, porque era escoado para outras regiões. Compramos 1,5 milhão de toneladas em quatro meses. Agora vamos esmagar 2,4 milhões de toneladas. O Nordeste tem um caminho promissor. Já estamos construindo uma usina em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia — explicou Moacir.
Paulo Câmara destacou os avanços da região em áreas como educação, malha ferroviária, aviação e portos, mas ressaltou os desafios em infraestrutura.
— O saneamento básico ainda é uma meta importante até 2033. Apenas 30% das cidades nordestinas têm rede adequada de água e esgoto. Investir em infraestrutura, qualificação da mão de obra e em condições de competitividade é essencial para garantir um crescimento sustentável — pontuou.
No segundo painel, sobre a expansão das franquias nos estados nordestinos, Luiz Abel Amorim de Andrade, diretor de negócios do Banco do Nordeste, e Fernando Ribeiro, diretor regional Norte e Nordeste da Associação Brasileira de Franchising (ABF), apresentaram dados sobre as oportunidades locais para empreendedores de todo o Brasil.
Dados da ABF indicam que o setor faturou mais de R$ 10 bilhões no Nordeste no terceiro trimestre de 2024, um crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também nessa modalidade o BNB atua para impulsionar os negócios, oferecendo condições especiais de crédito.
— Podemos financiar tanto as empresas que estão criando franquias quanto os franqueados. Oferecemos prazos de até 12 anos, incluindo quatro anos de carência, com taxa de juros de 0,53% ao mês. Já as franquias em operação também podem receber capital de giro, com taxa atrativa de 0,73% ao mês e carência de até três meses — detalhou Abel.