Inaíldo Perciliano achava que seria apenas mais uma terça-feira de trabalho na sua banca de jornais na Rua Senador Dantas, no Centro do Rio. Mas a crônica policial tinha outros planos para aquele dia 7 de agosto de 1990, há 35 anos. O jornaleiro até percebeu homens de distintivo rondando a área durante a tarde. Só não podia imaginar que eles estavam lá para surpreender o criminoso mais procurado da cidade.
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Por volta das 18h30, de dentro da banca, Inaíldo ouviu gritos seguidos de uma saraivada de tiros. Ele se escondeu, assustado, e, quando se sentiu seguro, saiu e deu de cara com um homem morto no chão, rodeado por policiais federais. Era o bandido Mauro Luís Gonçalves de Oliveira, mais conhecido como Maurinho Branco, um dos responsáveis pelo sequestro do empresário Roberto Medina.
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O criminoso de 25 anos já tinha uma longa ficha corrida. Em 1984, ingressara no bando do assaltante Joel Bombeirinho. Na época, os dois foram acusados de matar o bombeiro Ricardo Silva, baleado antes de morrer incendiado. Em 1988, em fuga depois de tentar assaltar uma agência bancária em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, Maurinho raptou o estudante André Luiz Santa Rita, de 13 anos, e manteve o menino refém durante 12 horas, numa chácara, cercado por policiais e jornalistas.
O bandido foi capturado, mas contou com ajuda do Comando Vermelho para escapar do presídio Ary Franco, em Água Santa, em junho de 1989. Um ano mais tarde, casado e pai de dois filhos, foi um dos líderes do sequestro de Roberto Medina, idealizador do festival Rock in Rio. Foi o próprio Maurinho quem presenteou Medina com um gavião ao libertar o empresário, na noite de 21 de junho de 1990.
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Chamado de “psicopata” por comparsas, o criminoso era rotulado como desequilibrado também por policiais. Ele virou alvo do Departamento de Polícia Federal (DPF) porque teria chegado lá a informação de que Maurinho planejava sequestrar os filhos do então presidente da República, Fernando Collor. Outra versão, negada pelo então diretor do DPF, Romeu Tuma, dava conta de que o bandido foi morto por “queima de arquivo”, após ter, supostamente, pagado fortunas em propina para policiais.
Alvo de nove ações criminais, Maurinho estacionou sua Fiat Uno com a placa ZB-2433 perto da banca de Inaíldo Perciliano, na Senador Dantas, por volta das 11h. O jornaleiro falou com ele, sem reconhecê-lo, alertando-o de que era proibido parar ali, mas o motorista ignorou o aviso e seguiu andando.
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Maurinho passou o dia no escritório de seu advogado e, ao voltar para o carro, foi cercado por policiais. Segundo os agentes, ao receber voz de prisão, o bandido tentou sacar uma granada, mas foi alvejado por tiros na coxa direita, no abdômen, no braço direito, na mão esquerda e na cabeça. Os estampidos assustaram os usuários da estação de metrô do Largo da Carioca e interromperam a festa que anunciava o desfile das candidatas ao título de Miss Rio Antigo ali perto, na Rua da Carioca.
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“Foi tudo muito rápido, não durou mais que um minuto. Só ouvi um dos policiais dizendo que ele tinha uma granada e, em seguida, foram disparados vários tiros, acho que mais de 15”, contou o jornaleiro.
Segundo o Jornal O GLOBO, em sua edição no dia seguinte, os policiais declararam ter encontrado, com Maurinho, um exemplar do “Guia Rex com um mapa no qual havia sido marcado o trajeto entre o prédio onde moravam os filhos de Collor, no bairro de São Conrado, e a escola onde eles estudavam, em Santa Teresa. Seria uma prova de que ele estava planejando sequestrá-los.
A mãe de Maurinho, Esmeralda Gonçalves, e o irmão dele, Luís Henrique, estavam no apartamento da família, na Glória, Zona Sul do Rio, quando souberam do ocorrido pelo “RJTV”. Eles correram para o Hospital Souza Aguiar, onde estava o corpo do bandido. Enquanto conversava com a imprensa, Dona Esmeralda chorava sem parar, mas reconheceu que seu filho levava uma vida de crimes.
“Tenho orgulho de Mauro, apesar de nunca ter aprovado o que ele fez”, disse ela. “Mas agora acabou a novela, que durou sete anos. Deus é testemunha do meu sofrimento”.
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