Com o crescimento dos procedimentos estéticos no Brasil, como lasers, ultrassom e radiofrequência, cresce também a dúvida: é preciso ajustar a alimentação para melhorar os efeitos desses tratamentos? Especialistas garantem que sim, e que uma dieta adequada pode ser tão importante quanto o próprio procedimento.
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“Uma alimentação equilibrada pode potencializar os resultados estéticos ao fornecer os nutrientes necessários para a regeneração tecidual, redução de inflamações e otimização da cicatrização”, explica Maria Aparecida Mariosa, nutricionista e farmacêutica, executiva do Núcleo de Nutrição da Biotec. “Vitaminas, minerais, proteínas de qualidade, carboidratos complexos e gorduras saudáveis são pilares essenciais para o sucesso de tratamentos como bioestimuladores, lasers e radiofrequência.”
A nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), reforça que uma dieta pobre em nutrientes pode comprometer diretamente os resultados: “A falta de substratos adequados dificulta a regeneração da pele, aumenta a inflamação e reduz a eficácia da produção de colágeno, impactando a qualidade cutânea”.
Entre os nutrientes essenciais, a proteína se destaca. “Ela é base estrutural da pele. O colágeno, a elastina e a queratina, fundamentais para firmeza, elasticidade e resistência, dependem da ingestão adequada de aminoácidos”, explica o dermatologista Renato Soriani, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Quando há deficiência, o corpo prioriza funções vitais e a pele acaba sendo negligenciada. Isso resulta em uma resposta inferior aos procedimentos e até em envelhecimento acelerado.”
Para quem tem dificuldade de atingir a meta diária de proteína, a suplementação pode ser uma aliada. “Pacientes veganos ou com restrições alimentares podem se beneficiar de alternativas como a proteína vegetal da ervilha amarela, que possui boa digestibilidade e fornece os aminoácidos essenciais para a recuperação da pele”, acrescenta Maria Aparecida.
O que evitar, segundo os especialistas, é o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras trans. “Eles promovem um estado inflamatório no organismo que dificulta a regeneração celular. Na prática clínica, vemos rostos mais inchados, com contornos menos definidos, brilho excessivo e poros mais evidentes”, afirma Renato Soriani.
Mas não basta apenas consumir proteínas e evitar excessos. A alimentação ideal para o período pré e pós-procedimento deve incluir vitaminas e minerais específicos. “Vitamina C, zinco, silício orgânico, vitamina A, ferro e polifenóis antioxidantes são fundamentais para a síntese e organização do colágeno. O ideal é iniciar a adequação alimentar pelo menos 7 a 10 dias antes do procedimento e mantê-la por até 90 dias, a depender do tipo de técnica e objetivo”, orienta Marcella Garcez.
Ela alerta também para os erros comuns: cortar carboidratos e gorduras. “Os carboidratos complexos fornecem energia para o metabolismo celular, enquanto as gorduras boas, como o ômega-3, têm ação anti-inflamatória e são fundamentais para a integridade da pele”, explica. “Fibras alimentares também são essenciais, pois melhoram a absorção de nutrientes e regulam a microbiota intestinal, impactando positivamente na saúde cutânea.”
Segundo Maria Aparecida, a suplementação estratégica pode ser um diferencial importante. “Micronutrientes, vitaminas e bioativos como vitamina C, vitamina E, selênio, ômega-3, Bio Arct e Exsynutriment ajudam na síntese de colágeno, modulação inflamatória e melhoria do fluxo sanguíneo, o que favorece a entrega de nutrientes à pele.”
O tempo ideal de suplementação pode variar de 8 a 12 semanas, conforme o tipo de procedimento e a resposta clínica. Para quem deseja manter os resultados a longo prazo, a especialista recomenda a continuidade da suplementação dentro de uma rotina de cuidados diários. “O ideal é que o plano nutricional e a suplementação sejam sempre personalizados, com acompanhamento de um profissional da saúde.”