Em uma era em que a intimidade virou entretenimento e a sensualidade, moeda de troca nas redes, o fotógrafo e jornalista Vagner Carvalho escolheu caminhar na direção oposta. Assumiu-se publicamente como demissexual, uma orientação ainda pouco debatida, que define quem só sente atração sexual a partir de vínculos emocionais profundos.
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A descoberta não veio de forma repentina. Foi fruto de silêncios desconfortáveis, da sensação persistente de deslocamento diante de um mundo onde tudo, inclusive o desejo, parece acontecer em tempo recorde.
“Enquanto todo mundo parecia estar explorando o próprio corpo como vitrine, algo em mim sempre resistiu. Nunca entendi esse imediatismo do desejo. Preciso de vínculo, de profundidade, de verdade. E isso não me fazia sentir livre. Me fazia sentir fora do lugar”, afirmou.
Com passagem pelos bastidores da moda e do audiovisual, Vagner sempre esteve cercado por imagens que exploram o corpo como forma de expressão. Mas foi justamente entre cliques e bastidores que ele percebeu o quanto seu próprio modo de sentir destoava da lógica predominante.
“Hoje em dia, tem muita gente virando produto. E tudo bem pra quem escolhe esse caminho. Mas o que acontece com quem sente diferente? Quem não sente tesão em dois cliques? Quem não vê sentido na performance sem emoção?”, questiona.
Ao se identificar como demissexual, Vagner propõe uma conversa necessária: sobre os afetos que não seguem o ritmo do algoritmo, sobre a escuta em um tempo que valoriza a exposição, e sobre a liberdade de viver a sexualidade para além das pressões de consumo.
“Não é sobre moral. É sobre identidade. Sobre entender que existem diferentes formas de viver a sexualidade e que nenhuma delas precisa se encaixar no que está bombando. A minha forma de sentir não me afasta do mundo. Me aproxima dele com mais verdade”, diz.