Roteiros de fim de semana em Jacarepaguá vão reconectar a sua população com a sua história. E apresentá-la a moradores de outros pontos da cidade também. Como parte do projeto Ativação do Corredor Cultural, que formou 20 guias para atuar na região, a Casa de Cultura de Jacarepaguá promoverá três visitas a áreas onde se desenrolaram fatos importantes, encerrando cada uma delas com a apresentação de um esquete teatral. Os passeios serão nos próximos três sábados, dias 9, 16 e 23, com início às 14h.
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— Não estamos falando apenas da história do bairro, mas também do Rio de Janeiro e do Brasil. Não só porque Jacarepaguá era praticamente toda a Zona Oeste, mas porque os donos daquelas terras foram, por exemplo, Salvador Correia de Sá, governador-geral do Rio, e depois a família Telles de Menezes, íntima do império: Dom Pedro II era padrinho do Barão da Taquara (Francisco Pinto da Fonseca Telles). E milhares de africanos escravizados que desembarcavam na Pequena África tinham como destino Jacarepaguá — aponta Alexandra Gonzalez, gestora da Casa de Cultura de Jacarepaguá e criadora do projeto, contemplado num edital da prefeitura.
A cada sábado, o ponto de encontro será em um local diferente, assim como as visitas e os esquetes, que tratam de momentos históricos distintos. A primeira visita, no dia 9, começará na sede da Casa de Cultura e terá por tema a Fazenda da Taquara, construção do século XVIII. Já na segunda semana (dia 16), o assunto será o Engenho Novo da Taquara, com início no Núcleo Histórico Rodrigues Caldas, na Colônia Juliano Moreira. A apresentação do esquete será aos pés do Aqueduto da Taquara. Por fim, no último sábado (23), o ponto de encontro será o Museu Bispo do Rosário, quando o guia falará sobre a Colônia Juliano Moreira, o psiquiatra que lhe dá nome e o artista plástico Arthur Bispo do Rosário, seu ex-interno mais famoso.
— Contamos que Juliano, que era um médico negro, foi vencido pelo sistema. Ele era um grande combatente do racismo científico (da primeira metade do século XX). Os hospitais psiquiátricos e a forma violenta de tratar os pacientes eram um sistema totalmente diferente do que ele defendia — explica Alexandra, que conta que os esquetes foram inspirados no teatro de rua de Nova Jerusalém, em Pernambuco. — Nossa diretora chama de teatro de guiança, porque é feito ao longo do espaço da rua. Um esquete complementa o outro, como uma continuação. No futuro, eles podem virar uma peça completa.
O projeto prevê também a instalação de dez painéis ao longo do corredor cultural da região, provavelmente em setembro, mês do aniversário de Jacarepaguá. Será uma espécie de exposição ao ar livre, com textos sobre o local e QR Codes levando a mais informações.
— Eles serão fixos. Qualquer professor, por exemplo, poderá vir com a sua turma, passar por todos os painéis e baixar o material educativo — diz a idealizadora.