É um bar de vinhos com boa cozinha. Nem sempre os dois caminham juntos por aqui: o apuro (quando há) costuma priorizar as garrafas, enquanto as comidinhas nitidamente ficam em desvantagem. O resultado é uma equação capenga, onde os “bebes” brilham, e os “comes” desbotam. Guardo alguns exemplos desse desnível por aqui, mas deixo para uma outra rodada. Não é o caso do Libô, onde Maíra Freire (do Lasai e melhor sommelière do país na edição 2024 do “Guia Michelin”) cuida dos vinhos, e a chef Roberta Ciasca (Miam Miam, Brota), da cozinha. Os dois lados se equiparam, ambos bem cuidados e equilibrados, como deve ser.
Tarde de domingo, friozinho, com bons amigos, numa casa bonita de época em Botafogo, restaurada e decorada sem excesso (até demais), com velas acesas pelas mesas e trilha musical deliciosa (eu sempre me ligo muito). Começamos pelo vinho. O quadro-negro na parede lista alguns recomendados servidos em taça (de R$ 30 a R$ 60). A carta é completa e prioriza processos de mínima intervenção, com 51 rótulos, entre espumantes, pet nat (com borbulhas delicadas), brancos, laranjas, rosés, tintos e vinhos de sobremesa. É possível escolher o Circuito Libô, uma sequência de cinco taças de 75ml, com rótulos que variam e custo também: no dia em que estive lá, era R$ 158.
Mas o que estava em questão naquele momento eram os “comes” da casa. Pedimos dois vinhos, um alvarinho português gostoso (R$ 189) e, mais tarde, um tinto barbera nacional correto, da Família Mincarone (R$ 198), ambos entre os mais baratos da carta. E aqui, que justiça seja feita: o Libô não pega pesado nas cifras, já que se tratam de vinhos naturais, orgânicos ou biodinâmicos, de valores mais elevados. A maioria fica na faixa entre R$ 170 e R$ 240.
Os pratos foram dispostos no centro da mesa: croquete de pernil com mostarda; couve-flor chamuscada com molho romesco, iogurte e crocante de grão-de-bico (R$ 39) e cuidado com o dente; gratin de berinjela delicioso com boursin de cabra e tomate confit; e ravióli de beterraba com recheio de boursin com ervas e, por cima, uma nuvem crocante de fios de beterraba que deram um croc ao prato (R$ 69). Muito bom.
O tinto entrou na hora do bife à milanesa — com tomates assados, folhas de rúcula, lascas de parmesão e um aiöli fininho e dourado (R$ 78) — e das costelinhas de porco, com tártaro de coentro e saladinha (R$ 59). O senão fica por conta da porção econômica de pão — e a reposição implica em um gasto extra de R$ 9. No mais, a conta no Libô fecha redondinha. A sintonia ali é fina.
Rua Conde de Irajá 90, Botafogo. Ter a qui, das 18h30 às 23h. Sex, e sáb, das 18h30 à meia-noite. Dom, das 17h às 22h.