No ar como Regina em “A viagem”, reprisada no no Vale a Pena Ver de Novo, Mara Carvalho conta que, quando sua personagem aparece na tela, recebe mensagens carinhosas do público nas redes.
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— É muito legal ter a chance de participar de um produto que sobrevive há tantos anos. Na época, eu estava começando a minha carreira. Foi muito legal trabalhar com essas pessoas, como a Lucinha Lins. Pessoas que já tinham muita experiência. O Ary Fontoura até hoje é meu amigo. A Mara Manzan… Conheci a filha dela recentemente. Era um time muito legal, o próprio (Antonio) Fagundes. A força da novela era diferente, as pessoas assistiam. Era um produto muito consumido — lembra a atriz.
Sem um papel fixo em novelas desde “Marcas da paixão”, na Record, em 2000, a atriz conta que se dedica ao teatro:
— Eu gosto de tudo, gosto muito do meu trabalho. Gosto de atuar em novela, cinema, teatro. Hoje eu me dedico ao teatro 120% porque eu também sou roteirista. Eu acabo não buscando muito esse lado da TV, mas adoro fazer. Como eu sou de São Paulo, sempre tive essa barreira. É difícil para mim desprender e ir morar no Rio de Janeiro. É uma mudança de vida. Mas, quando eu vou ao Rio de Janeiro fazer algo, sempre visito a Globo, procuro, porque às vezes acontece de coincidentemente estar ali e aparecer um trabalho. Eu estou sempre ativa, nunca saí dos palcos.
Mara está em cartaz com o monólogo “Gala Dalí”, sobre a vida da companheira do pintor espanhol Salvador Dalí, num teatro do qual é dona. Além de atuar no espetáculo, a atriz está terminando o roteiro de uma outra peça, “Susie”, para estrear no ano que vem. Trata-se de um musical sobre a boneca que saiu de linha quando surgiu a Barbie:
— Eu tenho um restaurante espanhol, que é onde funciona o meu teatro, o Mi Teatro. Eu comecei a buscar uma história que fizesse uma conexão com a Espanha culturalmente, já que eu tenho esse espaço híbrido. Eu cheguei a Salvador Dalí, e a Gala foi apresentada a mim. É muito difícil achar materiais sobre ela. Fui vendo conexões, achei muito contemporânea. Ela tem vários pontos de conexão comigo, como a busca por realização. Eu também fui casada com um homem que é um ícone (Antonio Fagundes). Por mais que você se esforce, você tem sempre uma pessoa à frente, um nome muito forte. Você está sempre tentando se realizar no seu trabalho, mas sempre ao lado dessa figura masculina. O mundo gira ainda em torno da figura masculina. Você está sempre aquém. (Se referem a mim como) A namorada do Julio Casares, Mara Carvalho. Você está sempre vivenciando isso, é cultural. Por isso essa luta do feminino para ele se estabelecer como uma entidade tão forte quanto o masculino. Mas sabemos o quanto isso demora.
Julio Casares, presidente do São Paulo Futebol Clube, é namorado de Mara há cerca de um ano. Ela diz que não se incomoda com as referências ao relacionamento:
— Eu conheci o Julio por acaso, iniciamos um relacionamento e virei a namorada do Julio Casares. Tudo bem. Eu não me incomodo com isso, não dá para se incomodar. Se você for se incomodar, vai ter um estresse que não vale a pena. O importante é a nossa relação, onde a gente está, o que buscamos um para o outro.
Mara é mãe de Bruno Fagundes, fruto de seu casamento com Antonio Fagundes. Segundo ela, os dois são “muito parceiros”:
— Eu peço ideias e opiniões para ele sobre tudo. Nós temos uma comunhão profissional e humana. Não é só porque ele é meu filho, é por quem ele é. Muito responsável, inteligente. Um cara que tem propriedade para falar sobre a profissão. Ele é meu norte várias vezes. Nós temos uma troca que é um presente. Eu sou muito grata por ter tido este encontro com o Bruno na minha vida.
Mara agora experimenta também a relação entre madrasta e enteado. Julio tem um filho, Julinho Casares, que está noivo de Lara Silva, filha de Faustão:
— É um privilégio, uma relação maravilhosa. Toda a família do Julio é muito legal. Inclusive, a ex-mulher dele, a Mara Casares, também é incrível. Me relaciono muito bem com eles. São muito especiais. Conheço a Lara também. Ela vai fazer um show agora no final de agosto, eu estarei lá. Sempre prestigio. Eles também vão assistir à minha peça. São pessoas incríveis, com um lado humano muito forte, idôneas e responsáveis.
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Em maio deste ano, Mara sofreu um acidente ao deixar um restaurante de luxo. O funcionário do estabelecimento atropelou a atriz enquanto manobrava o carro dela:
— Eu saí do almoço, o motorista veio entregar o meu carro. Quando eu passei por trás para sentar no banco do motorista, ele deu ré e me jogou longe. Bati a cabeça no chão com muita força, rasguei o cotovelo, levei pontos. Perdi alguns dias, fiz exames, tomografia. Fiquei em observação. Ainda não fiz os outros exames, porque estou me sentindo bem. Mas fica um alerta para que as pessoas tenham esse tipo de cuidado. No dia não fui atendida prontamente pelo restaurante, mas depois falei com o dono, que foi educado, atencioso. Ele se prontificou a me ajudar se eu precisasse, mas eu fiquei pensando: “Estou viva, acidentes acontecem”. O mundo está cada vez mais precário no sentido humano. Recebi um monte de telefonemas de pessoas que queriam que eu levasse adiante, processasse, fosse indenizada. Eu pensei muito para entender até onde uma atitude é ética. A gente vive num país onde as pessoas são muito oportunistas, se preocupam mais com dinheiro do que com a ética, com a própria vida.