Quem foi Bellini, o titular da famosa estátua que fica em frente ao estádio do Maracanã; ou de que ano data a famosa Igreja de Nossa Senhora da Penha? Os dois locais, referências urbanas, são novos pontos turísticos contemplados no projeto Aqui tem Memória. Desenvolvida pela prefeitura por meio da Secretaria municipal de Turismo (SMTUR), em parceria com o museu virtual Rio Memórias, a iniciativa busca resgatar e valorizar a cultura local democratizando a informação e tornando-a acessível a turistas e aos próprios moradores do Rio.
— Notamos que o carioca conhece pouco a história da cidade. Passamos tantas vezes pelo mesmo lugar sem nem ter ideia de quem é aquela pessoa ali na estátua. Com a identificação e a história contadas, fica o conhecimento — explica Lívia Baião, a diretora do Rio Memórias.
Os pontos abarcados pelo projeto ganham uma placa informativa, acessada via QR Code, que traz conteúdo histórico e rigorosamente apurado, com fotos ilustrativas, sobre os monumentos em questão. Alguns, mais do que a explicação em áudio, têm ambientação sonora para contextualizar. Eles são escolhidos, conta Lívia, por meio de um levantamento da prefeitura que indica os lugares mais visitados nas regiões.
Ao todo são 47 atrações espalhadas pela cidade. Na Zona Norte, além dos dois já citados, o público pode conhecer com mais profundidade as biografias do rei do baião, Luiz Gonzaga, em frente à Feira de São Cristóvão; e do compositor Noel Rosa, no Boulevard Vinte e Oito de Setembro, em Vila Isabel — que passa por uma restauração.
Por meio da Embratur, o Aqui tem Memória se estende até o bairro de Oswaldo Cruz, onde destaca o Caminho do Samba, com placas em lugares como Casa do Candeia, Estação Oswaldo Cruz, Circo São Jorge, Casa da Tia Doca, Casa da Dona Esther, dona Neném do Bambuzal, Portelinha, Feira das Yabás, Bar do Nozinho e Portela.
— O turismo tem papel fundamental na valorização e na preservação do patrimônio, material e imaterial; ele aproxima a sociedade de seus espaços históricos e sua cultura, renovando vínculos afetivos e gerando interesse e comprometimento com a preservação do patrimônio público — afirma a secretária Daniela Maia.
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A Basílica Santuário de Nossa Senhora da Penha de França , conhecida como Igreja da Penha, é um dos mais importantes santuários religiosos do país. Sua história começa em 1635, quando o capitão Baltazar de Abreu Cardoso — proprietário da região de entorno do atual santuário — foi atacado por uma serpente enquanto subia o penhasco para ver suas plantações e clamou por ajuda à Nossa Senhora. Em agradecimento por ter escapado com vida, ele construiu uma pequena capela em sua homenagem no alto do penhasco. Desde então, o local se transformou em um centro de peregrinação e devoção. Ela teve seu tombamento oficializado em 1990 pelo Decreto Municipal nº 9.413, de 21 de junho.
Estátua do Bellini, Maracanã
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O monumento “Aos Campeões Mundiais de Football” — ou “estátua do Bellini”, como é mais conhecida — foi concebido, inicialmente, como homenagem ao capitão, Hilderaldo Luiz Bellini, e à seleção brasileira que conquistou o primeiro campeonato mundial para o Brasil, na Suécia, em 1958. A estátua se tornou um ponto de encontro entre os frequentadores do Maracanã. Ela é obra do artista plástico Matheus Fernandes, professor do Instituto Municipal de Belas Artes, e confeccionada em bronze. Mede 9 metros de altura e pesa cerca de 3 toneladas.
Estátua de Luiz Gonzaga, Feira de São Cristovão
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Um dos artistas mais icônicos da canção brasileira, Luiz Gonzaga, o Gonzagão, fundiu e criou estilos musicais, simbolizou a cultura de milhões de brasileiros — em especial, do Nordeste — e se tornou o Rei do Baião.
Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Aos 12, já acompanhava o pai em festas e sambas pelo sertão do Araripe, onde fica Exu. Aos 18 anos fugiu de casa e se alistou no Exército, seguindo a carreira militar por quase uma década. Serviu no Ceará e Minas Gerais. Após dar baixa, foi para o Rio de Janeiro, em 1939. Após dez anos sem dar notícias para a família, Luiz Gonzaga partiria de navio para Pernambuco. Enquanto aguardava a data de partida da embarcação, ficou no Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro. Ali conheceu o ex-marinheiro e violonista Xavier Pinheiro, que o aconselhou a se apresentar em programas de rádio para conseguir dinheiro.
Estátua de Noel Rosa, Vila Isabel
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Noel de Medeiros Rosa, conhecido como o Poeta da Vila, morreu aos 26 anos. Neste breve período, escreveu mais de 250 canções e mudou para sempre os caminhos do samba urbano carioca — que na época, os anos 1920 e 1930, passava por transformações significativas, principalmente pela inserção desse gênero na emergente indústria cultural do período.
Ele nasceu em 1910 e até o fim de sua vida — encurtada pela tuberculose — morou num único endereço, na Rua Teodoro de Silva, 30. A casa não existe mais, mas no local (atual número.392) há um prédio que leva o nome de Noel Rosa.