Preso desde 2008, Alexander de Jesus Carlos, de 51 anos, conhecido como Choque, recebeu autorização da Justiça para realizar uma cirurgia em um hospital de elite da Zona Sul do Rio. O Hospital Samaritano, localizado na Rua da Bambina, 98, em Botafogo, na Zona Sul da cidade, foi o escolhido para o chefe do Comando Vermelho, classificado como de altíssima periculosidade, realizar o procedimento de colecistectomia por vídeo.
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A unidade é conhecida pelo ambiente de alto padrão e por oferecer uma das melhores estruturas de hotelaria hospitalar do Rio. O ambiente tranquilo oferece cadeiras acolchoadas, iluminação confortável e também música ao vivo: um violinista toca desde os clássicos até músicas da atualidade, deixando o lugar ainda mais acolhedor.
No último dia de internação do preso, O GLOBO apurou que a unidade funcionava normalmente. No estacionamento do local, havia somente um veículo da empresa G4S Vigilância e Segurança Ltda, responsável pela segurança do hospital. Além disso, no saguão do prédio, não havia grandes transtornos ou algo fora do comum; visitantes, pacientes e membros da equipe de segurança circulavam tranquilamente pelo local.
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Alexander de Jesus Carlos recebeu alta do hospital nesta quarta-feira.
O advogado de Choque afirmou que não foi a defesa quem solicitou que o procedimento fosse feito em uma unidade particular, e que a solicitação foi feita pelo próprio juiz após verificar a condição de saúde do preso durante uma fiscalização.
O advogado Reinaldo Almeida, doutor em Criminologia e Direito Penal, afirma que “não é incomum que o magistrado, na condição de garantidor dos direitos fundamentais da pessoa privada de liberdade, determine, de ofício, providências necessárias para assegurar a vida, a integridade física e a saúde do preso”.
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A Lei de Execução Penal diz que o preso pode recorrer à assistência fora das unidades quando o estabelecimento penal “não estiver aparelhado para prover a assistência médica necessária”. Ela também afirma que o preso tem liberdade de “contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento”.
Em decisão na segunda-feira, o titular da Vara de Execuções Penais revogou a gratuidade de justiça concedida ao preso. O benefício, também conhecido como “assistência judiciária gratuita”, isenta pessoas de arcarem com as despesas processuais. No geral, esse direito é concedido a pessoas de baixa renda. A medida foi tomada após o juiz receber a informação de que o custo da cirurgia ultrapassa R$ 24 mil. De acordo com a decisão, o procedimento de colecistectomia por vídeo foi estimado em R$ 20 mil. Além disso, havia uma despesa extra diária de R$ 4.838,55.
Quando foi preso, em 2008, o traficante era o mais procurado do Rio. Choque foi capturado na Praia de Jacumã, que fica a 20 km da capital, João Pessoa, na Paraíba, na área que mais recebe investidores estrangeiros em imóveis e hotelaria do estado. No momento da prisão, ele estava dormindo em uma casa de dois andares com a mulher e dois filhos e não resistiu à abordagem.
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Choque foi flagrado em escutas telefônicas comandando a execução de um homem, morto a tiros em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, no dia 19 de maio de 2008. Ele ainda teria ordenado a tortura de outra vítima, no dia 12 de julho do mesmo ano. O primeiro crime teria sido cometido porque o traficante soube que um vendedor de drogas de sua boca de fumo havia terceirizado o serviço. Já a tortura foi executada para punir um ladrão encontrado no telhado de uma residência de Manguinhos.
Antes de ser preso, Choque foi baleado e escapou durante várias operações policiais. Ele também era conhecido por matar inimigos com requintes de crueldade, além de liderar os chamados “bondes” para roubar automóveis no subúrbio. De acordo com investigações, porém, a situação de Choque na facção não era das melhores na época. Inimigo número um da polícia, ninguém estaria disposto a recebê-lo, com receio de operações policiais.
* estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga.