Líderes de algumas das principais potências europeias chegaram a Washington nesta segunda-feira para uma reunião convocada na Casa Branca pelo presidente Donald Trump, com a participação do ucraniano Volodymyr Zelensky, para discutir um possível fim do conflito da Ucrânia com a Rússia. O chefe da Otan, Mark Rutte, a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foram os primeiros a aparecer. A eles, se juntarão o chanceler alemão Frederich Merz; a premier italiana Giorgia Meloni; e os presidentes Emmanuel Macron, da França, e Alexander Stubb, da Finlândia. O ucraniano terá uma reunião bilateral a sós com Trump antes do grupo se juntar às discussões.
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Zelensky será recebido por Trump às 13h (14h em Brasília) e, 15 minutos depois, os dois darão início a uma reunião privada no Salão Oval. Somente após esse encontro, às 14h15 (15h15 em Brasília), Trump receberá formalmente os demais líderes europeus, e a reunião principal com todos os participantes terá início às 15h (16h em Brasília), no Salão Leste da Casa Branca.
A ordem dos encontros causou preocupação em capitais como Paris, Berlim e Bruxelas, onde diplomatas avaliam que Trump pode tentar impor a Zelensky uma linha dura de negociação com Moscou antes mesmo de consultar os parceiros da Otan e da União Europeia. O temor é de que o presidente dos EUA tente obter um “sucesso diplomático” após sua reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, realizada na sexta-feira, no Alasca — encontro considerado desequilibrado por analistas e amplamente favorável ao Kremlin.
Com isso em mente, os líderes europeus realizaram uma “reunião preparatória” com Zelensky antes do encontro do presidente ucraniano com Trump. As lideranças parecem querer evitar a repetição da crise sofrida por Zelensky durante sua visita anterior à Casa Branca, em fevereiro, quando Trump e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o acusaram de ingratidão e desrespeito.
Zelensky se encontra com líderes europeus na embaixada ucraniana em Washington
A reunião foi organizada rapidamente no fim de semana, enquanto os líderes europeus buscavam apresentar uma frente unida de apoio à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia, depois que o presidente Donald Trump se alinhou à exigência de Moscou de que Kiev cedesse território como parte de um acordo de paz.
Um diplomata europeu sênior, que falou sob condição de anonimato, descreveu uma sensação de pânico entre os aliados europeus. O diplomata disse que não via uma reunião como a marcada para segunda-feira acontecer tão rapidamente desde pouco antes da Guerra do Iraque.
Os 27 dirigentes da UE terão uma videoconferência na terça-feira para abordar as reuniões organizadas nesta segunda na Casa Branca sobre a Ucrânia, anunciou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
“A União Europeia continuará trabalhando com os Estados Unidos a favor de uma paz duradoura, que preserve os interesses vitais da Ucrânia e da Europa na questão da segurança”, informou no X o dirigente, que preside a instituição que reúne os chefes de Estado e de governo da UE.