Foi a terapia também que o ajudou a elaborar o trauma de ter se tornado órfão aos 17 anos. Condição que o fez flertar com a morte a vida toda. O tudo ou nada só deu lugar ao apreço pela existência quando se tornou pai. O amor pelos filhos (Noá e Inã, de 9 e seis anos), aliás, não brotou de cara. Foi construído, como revela em entrevista ao “Conversa vai, conversa vem”, videocast do GLOBO, no ar no YouTube. Leia um trecho: O tudo ou nada só deu lugar ao amor à vida quando se tornou pai e passou a acreditar no amor. Um amor que não sentiu de cara aos ver os filhos, mas que foi construído no cotidiano.
Foi sobre tudo isso que o artista falou em sua participação no “Conversa vai, conversa vem”, videocast do GLOBO, que está no ar no YouTube.
Leia abaixo, um trecho da entrevista.
Que pergunta não aguenta mais ouvir sobre Marco Aurélio?
Se ele vai fazer a banana. Espero que sim. É outra novela, né? A Manuela Dias (autora) está com novidades, o que talvez seja um dos motivos do sucesso. As pessoas querem ver o que vai acontecer. Será que Odete vai morrer mesmo? Até isso eu já estou duvidando. Então, esse negócio da banana fica até pequeno. Mas o gesto é extremamente atual. O tanto de gente pilantra, bando de canalha dando banana para o Brasil o tempo inteiro… A gente fica divagando: será que Leila é quem vai dar a banana e passar a perna no Marco Aurélio? Será que ele vai escorregar na casa de banana?
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Como Marco Aurélio se sente sendo o único homem que fez Leila (Carolina Dieckmmann) Gozar?
Ele se sente como em tudo. Já é, por natureza, um rei. Um cara que sabe tudo. Ele não aprende, ele sabe. Não entende sobre física quântica, mas fala: “Peraí, você está enganada, sei o que estou falando”. É um cara que deu certo, o sucesso da sociedade. Ganha dinheiro, é bem sucedido, babam o ovo dele. Não consegue compreender o mundo que não seja a seus pés. Ele vai dar uma festa para a Sarita, então, ele vai ensinar como dar festa. Ele ensina o fotógrafo a fotografar. Ele não tem dúvidas. E está na moda isso, né? Os coaches nas redes sociais… eles sabem das coisas. Marco Aurélio não sabe dizer: “Não sei, vou pesquisar”. A questão da sexualidade também não muda.
Ele nem se surpreende, já tinha certeza que era bom de cama….
Já sabia. E se acontecer de ela não gozar, a culpa é dela, que é frígida, nunca é dele. Fico pensando que um vilão brocha seria maravilhoso. Não deixa de ser interessante para uma dramaturgia, a complexidade do personagem… Mas aí enfraquece o vilão, que tem que ter essa estirpe, másculo.
Mas você regou o Marco Aurélio de um humor que fez o público amá-lo…
Esse humor não foi colocado por mim, mas pelo redor que fugiu do meu controle. Fui fazer o Marco Aurélio para ser odiado, não fazer nenhuma concessão, não ia brincar, ia fazer um vilão mesmo. Tomei um susto quando a Manuela me disse: “Preparado para ser amado pelo Brasil?” Quando comecei a ler o texto, falei: “ele não é tão terrível quanto pensei. tem um tempo de humor aqui. Aí me colocam (Luis) Lobianco de um lado, Karine (Teles) e Belize (Pombal) de outro…
Eu não tô fazendo humor, o texto, a trilha e meus comparsas são bem humorados. Tem grande diferença da gracinha e da graça. Eu sou galhofento, adoro fazer galhofa. Vim dessa escola, do teatro de rua, do besteirol. Adoro. É difícil fazer o mínimo possível, um humor inglês. Estou tentando fazer esse não humor, sério, quase nenhum. E aquele contexto que beira a surrealidade. Brigar com uma pessoa por causa do monocromático, vai para um lugar tão absurdo que acaba sendo cômico.
Acho legal as pessoas se divertirem e torcerem pelos vilões. Eles que fazem a roda de uma dramaturgia girar. Sem eles não tem história. Mocinho e mocinhos são sempre chatos, não podem sair da linha. Tanto na original como essa Vale tudo todo mundo permeia para o mal e para o bem. E hoje, as pessoas estão mais informadas em relação ao que é uma novela. Em 1988, a senhora do elevador ainda batia o guarda-chuva na cabeça do vilão da novela. Hoje em dia não acontece mais isso. A leitura da Manuela Dias também é mais dócil, generosa, suave do que a de 1988.
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Marco Aurélio vai seguir culpando Heleninha pelo alcoolismo e também pelo fato de o filho ter caído na bebedeira…
Como sempre, é o que ele sabe fazer. Não entende isso como doença, mas vagabundagem, falta de força de vontade. Também tem a coisa da responsabilidade, do mimo…A discussão é bacana porque é relação humana. Mas que rouba ou não rouba dinheiro, a corrupção do Brasil, sempre gostei das relações humanas das famílias, a mãe problemática, esse pai agressivo e também cuidadosos, as famílias tortas, como qualquer uma. Isso me encanta mais do que o rouba ou desvia dinheiro.
Marco Aurélio tem ironia cinismo e mau humor charmoso que identifico em você, pessoa física. O que tem de Nero no MA?
Tudo. Todos os personagens que faço sou eu. Não compreendo outra forma de atuar. O processo de atuar é muito particular, cada um desenvolve uma técnica, um sistema de chegar em algum objetivo. A forma que me compreendo como ator é: sou milhões de pessoas, posso ser qualquer um. Da pessoa mais agressiva à mais dócil, do panaca ao canalha, tudo está dentro de mim. O que meu personagem e o texto me pedir, é para lá que vou me encaminhando. E aí você vai aflorando, aumentando e diminuindo características.
Você me parece um ator intuitivo. O quanto tem de estudo para chegar nessa espontaneidade.
Sou zero intuitivo. Não acredito no talento. Não estou dizendo que ele não existe, até porque, mistérios sempre há de pintar. E já vi três ou quatro na minha vida. Que não sou eu, definitivamente. E digo que não sou talentoso porque me conheci há muitos anos e sei que a diferença abissal do que sou hoje para o que era, a evolução que tive como músico, cantor, ator. Não era um cara talentoso no sentido de dom, que parece uma coisa divina. Não nasci pronto. Cantava mal, tocava mal, era um péssimo ator, era muito ruim em tudo que fazia. Mas minha falta de noção me ajudou muito, porque eu achava que era bom. Hoje, olho para trás e falo: “Meu Deus, como eu era ruim”. Graças a Deus não desisti. Fui aprimorando e hoje estou melhorzinho em tudo que faço. Isso se chama trabalho. Sou o cara da vocação. Trabalho para cacete, sou muito CDF, que é o único jeito de conseguir chegar onde eu quero.
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Levou 15 anos para assumir que era ator. Tinha ali uma síndrome de impostor?
Tinha e ainda tem. E trato na análise. Porque ator, para mim, é a profissão mais difícil do mundo. É um mistério, uma fumaça que tem que moldar. Vim da música, que é físico, é matemática. Um dó é um dó em qualquer lugar do mundo, em qualquer instrumento. Agora, chorar… De que jeito? São milhões de maneiras de chorar, um universo. Quantos “ois” posso falar? Existem milhões. O meu respeito por essa profissão… Trabalhei 15 anos como ator e falava “não sou ator, sou um músico que atua”. Demorei 15 anos para falar: “Cara, acho que estou virando um ator.
Esse sorrisinho de canto de boca é defesa contra a timidez? O violão foi ferramenta para lidar com ela e também para fazer sucesso com meninas?
Tenho muitas defesas. Aos 14 anos, era muito tímido. Patológico, de não conseguir olhar, respirar direito. Era terrível. Com meninas, mais ainda. Hoje, aos 55 aprendi a lidar. Na minha época, o violão era o influencer de hoje. As meninas olhavam, fazia a rodinha em volta. O violão foi o meu escudo e o meu imã. Para conquistar meninas me tornei músico. E que para cantar sem o violão demorou tempo. Fui fazer teatro por causa disso. Para me portar em cima do palco, entender o que luz, o que é figurino. saber o que é ficar no palco sem aquele negócio na minha frente. Então, ele foi o meu ímã. Foi a partir dali.
Mas a música também teve um lugar de te salvar real. Além da solidão, no quesito sobrevivência, já que você perdeu seus pais na adolescência…
Não conseguia emprego, não tinha experiência, sem dinheiro, sem nada, fui tocar em barzinho. Tocava e cantava mal e porcamente. Mas consegui tocar num lugar chamado Balaio de Frango, em Curitiba. E sobrevivi. E fui atrás, aprendendo, estudando, melhorando. Compondo, conhecendo músicos da minha cidade, fazendo carreira e consegui viver dignamente da minha profissão lá durante 20 anos. Quando já era um músico conhecido em Curitiba, já fazia teatro, lembro dos meus amigos vindo para o Rio tentar a televisão. Diziam: “Nero, você tem que ir para lá”. E eu com quase 40 anos pensava: “Mas o que vou fazer lá? Minha vida está aqui, todo mundo me chama para tocar, tenho um apartamento. Vou bater na porta da Globo e falar sou ator, quero trabalhar? Não vou!”. Aí, fui fazer uma peça, me viram na peça e me chamaram. Fiquei nessa vai e volta por dois anos.
Corta para hoje: galã aos 55 anos. Você se acha gato?
Me acho melhor do que antes. Mas isso também é trabalho. Se me olhar aos 30, 20 poucos anos, eu não era um cara… Nunca fui feio… Todo mundo é feio na adolescência. Ninguém é bonito a vida toda, só o Fabio Assunção (risos). É curiosa a palavra galã. Não estamos falando de Tarcísio Meira, né? (risos) No meu caso, acho que tem mais a ver com o personagem do que comigo. O fato de estar com corpo legal é sorte de estar com saúde, minha cara estar legal, poder estar malhando, genética.
Tem a ver com o capitalismo também, dinheiro para se cuidar, ter nutricionista, personal…
Exatamente. Pela primeira vez na vida tenho esse privilégio de me cercar de um staff. Endocrinologista, dermatologista e personal trainer.
Você tem uma coisa camaleônica, consegue ser bonito e feio, dependendo do personagem.
Por isso digo que tem a ver com trabalho. O galã tem a ver com esses negócios e não comigo pessoa. Me sinto muito enaltecido quando alguém fala de galã, porque não recebo isso como vaidade no sentido de “poxa, sou bonito”. Mas no sentido de estar sendo um bom ator. Estou fazendo um cara desejado por mulheres, bonito. Só que há seis meses, eu estava fazendo o Seu Tico Leonel (de “No rancho fundo”), que parecia um jacu, ninguém olhava. E falavam: “Nero tá velho, feio, gordo”. Eu estava exatamente igual, mesmo corpo, mesmo tudo. Mas tem uma mudança no andar, de fisionomia, de olhar, caracterização. Esse é o trabalho da gente que, muitas vezes, desconhecem.
Para Marco Aurélio, você tirou a barba, botou a cara para jogo e já saíram dizendo que você fez botox e outros procedimento… Fez? E como é isso de ficaram falando sobre a sua aparência?
Eu só tirei a barba. Mais mérito meu ainda, porque há quantos anos não existe um galã sem barba nessa televisão brasileira? Acho chato ficarem falando da aparência dos outros. As mulheres sofrem muito mais com isso. Mas, olha, eu só passei uma maquiagenzinha. Tenho uma olheira pesada e falei: “Karen (Brusttolin, figurinista , companheira do ator) me ajuda aqui”.
Sua mãe morreu de câncer quando você tinha 14 anos; seu pai, quando tinha 16, da mesma doença. Carregou uma revolta? É possível acreditar em Deus diante dessa tragédia?
Descobrir na análise que o que se passou comigo foi um trauma. Foi uma tragédia, uma sacanagem um: “Deus, vá para a puta que pariu! Isso não se faz. Deus é o caralho! Se você existe, vem aqui embaixo que quero te dar na cara”. Meus filhos aliviaram bastante isso em mim, não tenho mais raiva do passado. Essa revolta, essa “que injustiça que o mundo fez comigo” eu já não tenho mais”. Fiz as pazes. Nem estou falando de Deus, mas da vida. Fui um cara que queria a vingança, maltratar o mundo. Queria me maltratar, me autoflagelava inconscientemente. Eu tinha certeza que ia morrer de câncer, a vida para mim não tinha valor, podia matar ou morrer.
E flertou com a morte em vários momentos, bebendo…
O tempo inteiro. Eu dormia com a morte. Convivi com ela durante minha adolescência inteira, era minha íntima. Falei: “Bicho… vou morrer, agora, o próximo sou eu. Não só eu, como qualquer pessoa que eu ame. Então, vou morrer e vou matar qualquer um, foda-se”. Vivia na noite, essa foi minha vida. Tudo que eu fazia era muito agressivo, queria chocar o mundo. As peças… Todo mundo pelado! As músicas punks. Pensava: “As crianças têm que ver tudo mesmo”. Queria agredir o mundo. Com a chegada dos meus filhos, a vida me deu uma rasteira. Fui trocando a morte pela vida. Tinha esquecido meus pais por defesa, e eles começaram a aparecer por causa dos meus filhos.
Na cara deles. Olho para o meu filho e vejo meu pai. No jeito que ele faz. Falo: “Caralho, meu pai fazia isso”. Vejo meu pai em mim, eu envelhecendo. Minha mulher fazendo carinho no meu filho e penso: “Minha mãe fazia isso em mim”. Comecei a lembrar coisas que tinha esquecido. Descobri que trauma não se cura, convive. É uma dor, um choro eterno. Meu filho pede para ver foto do vovô. Isso me trava. Ainda não mostrei. O dia que eu mostrar, periga eu chorar. É muito terrível. Eu tenho explosões, meu pai tinha. Tive explosões com meu filho e falei: “Esse é meu pai, não vou fazer isso”.
Como é ser pai não tendo tido pai a maior parte da vida?
Não tive essa educação de pai, não tive ninguém com quem entender isso, referência. Fui aprendendo e comecei a flertar com a vida. Para mim, que tanto fazia morrer, agora não podia mais morrer. Ninguém mais vai morrer. Acabou! Ninguém mais morre, e eu também não vou morrer.
Esse medo da morte te fez ser um pai muito preocupado, tipo “filho, não corre”?
Muito. Essa é uma questão que ainda tenho que lutar muito. Tudo para mim é uma tragédia. Tudo é “não, calma, não faz isso”. Fico assustado com as coisas, tudo acho que vai dar merda. Toda vez que vamos viajar, pegar um avião, falo “Meu Deus!”. Toda vez que meus filhos fazem algo bacana, falo: “Se meu pai estivesse aqui, ia curtir pra caralho”. Dá aquela dorzinha. Mas só sou essa pessoa porque aconteceu isso comigo. Só sou esse músico, esse ator, essa cara que está te dando essa entrevista, o pai do Noá e do Inã porque aconteceu essa tragédia na minha vida. Se não, minha vida teria tomado outro rumo.
Você só foi pais aos 45 anos. Ter perdido pai e mãe te fez retardar a paternidade?
Certamente. Eu não entrava nos relacionamentos, o amor para mim não existia. Estava sempre com um pé lá e outro cá, não botava fé, fugia. Estava sempre tentando provar: “Vamos ver se essa pessoa me aguenta mesmo”. E dá-lhe pancada. Karen foi essa pessoa que falou: “A gente tá junto, não vai acabar, não”. Ali, falei: “Cara, aqui eu tenho um cais, aqui me sinto seguro”.
Você já me disse que amor é esforço repetitivo e que não amou seus filhos assim que nasceram.
Tem esse romantismo, e sempre pensei que fosse assim: “Ah, o amor de filho”. Quando nasceu, olhei aquela criatura na maternidade e pensei: “Cadê aquele negócio, não estou sentindo nada, é um porquinho”. Só consegui entender esse amor com a convivência, o dia a dia. Com Inã, demorei ainda mais para amar. Porque ele é mais espoleta, arredio. Chegou uma hora que eu falei: “Cara, não amo esse moleque, não”. Mas aí, você bota pra dormir, troca a fralda, vai pegando o cheiro e o negócio vai explodindo. Vêm as demonstrações de afeto e você começa a falar: “Tá me derretendo, esse moleque tá me pegando”. Não tenho dúvida que o amor é construção.
Como criar meninos conscientes dos privilégios, com visão crítica sobre o machismo e capazes de construir relações bacanas?
Primeiro, pelo exemplo. Eu e a mãe dele ali de igual para igual.
Você foi muito babaca com mulheres?
Eu? Muito, muito! Fui um escroto, muitas vezes. Terrível. Vim de outra geração, fui educado “ó a mulher lá, a gostosa”. Perdi a virgindade na zona, com meu pai me cobrando. É um ciclo que tem que quebrar. Meus filhos não terão isso. Não vou ousar dizer que sou feminista, tenho vários resquícios machistas, temos que trabalhar isso o tempo inteiro. O machismo é uma desgraça, faz mal, arrebenta com a gente. Quando homens vêm com papo de machismo, eu falo: “Não quer pensar as mulheres, sendo bem egoísta, pensa na gente, faz mal pra nós”.
A começar pela exigência de virilidade, não poder assumir que brocha… Aliás, já brochou? Como lida?
Milhões de vezes. Depende da mulher. Às vezes, fica envergonhado, em outras dá risada. Depende da idade também, sei lá. Faço parte de uma bolha, a do artista, que se permite mais. A gente não tem essa coisas… Te falei que passei maquiagem, não tenho menor problema. Não estou me livrando do machismo, não, tá? Só falando a bolha do artista é completamente diferente dessa agressividade brutal e bizarra.
Vai fazer 56 anos. Está de boa com o envelhecer?
Achava que ia ficar de boa, mas quando a gente começa a envelhecer… Sempre fui o cara que aparentava ser o mais novo da turma. Aos 20, todo mundo tinha barba e eu não. Fui o último a ter pelo pubiano. Sempre achei que eu ia demorar muito pra envelhecer. Acho até que tô muito bem. Mas o corpo começa a responder. Não acordo mais sem dores, tomo remédio para colesterol. Comecei a fazer exercício pesado porque não conseguia segurar meu filho no braço e estava pré-diabético. Como não vou morrer mais (risos), precisava me cuidar. Mas comecei a me olhar e… cara, tá caindo, realmente, tô envelhecendo. Confesso que isso começou a me pegar. Assusta. E é todo um contexto. Essa nova personalidade que tenho que entender, me compreender: pai, casado, velho… Sempre fui um porra louca, solto na vida, sem lugar. Agora, preciso me encontrar: quem sou eu nesse lugar? É uma busca.
Mais maduro, parece estar também mais brando nas rede sociais… Era mais bélico, né?
Isso tem a ver com entender o seu lugar. Não entendia. Era o cara que tacava fogo no parquinho. A minha foto na “Rolling Stone” era com uma granada na boca . Todo mundo adorava, porque eu falava tudo. Mas o peixe morre pela boca. Tenho uma responsabilidade grande, meus filhos, muitas pessoas ao redor, o que eu falo amplifica muito. Tem que ter responsabilidade, respirar fundo, não falar qualquer coisa.
Trabalhar a paz interior para lidar com haters e conseguir engolir absurdos…
Discurso de ódio eu não ligo, não me pega, porque a frustração é mais da pessoa. Me divirto nas redes. Virou um lugar de autopromoção. Sempre foi, né? Todo mundo tá ali vendendo alguma coisa. Seja de morango do amor ou “olha como eu sou inteligente”, “olha como tenho um movimento, um posicionamento”. Todo mundo vendendo uma imagem. Não é só o cara que tira foto sem camisa que quer biscoito. Todo mundo, qualquer postagem, quer biscoito. A grande sacada do Instagram é essa: o ser humano tem uma vaidade gigantesca.