Um tempo atrás, tive a oportunidade de assistir a uma palestra da mentora espiritual indiana BK Shivani no Memorial da América Latina. Ela representa a organização espiritual Brahma Kumaris, um movimento mundial espiritual dedicado à transformação pessoal e à renovação do mundo. Fundada na Índia em 1937 e presente em mais de 110 países, trata-se da maior organização espiritual conduzida por mulheres.
Me interesso por espiritualidade, venho estudando há alguns anos filosofias orientais e práticas meditativas e fiquei impressionada com BK Shivani, sua clareza na comunicação e a capacidade de transmitir paz.
Shivani é professora e praticante de meditação raja yoga há 28 anos. Ela é graduada em engenharia eletrônica e tem mestrado em engenharia da computação. Na palestra, enfatizou a importância de nos fortalecermos internamente para navegar esse mundo bombardeado por informações de ódio e violência.
— Diante da vida e dos fatos, posso me posicionar como vítima, afetada por tudo o que está acontecendo ao meu redor. Outra maneira é reconhecer o que está acontecendo, mas escolher como responder a isso — diz. — Nem sempre estou no controle do que está acontecendo fora. Mas dentro de mim é minha escolha: escolho como vou reagir aos fatos.
Ela questiona: o mundo interno cria o mundo externo ou o contrário? Se no mundo externo houver unidade, tolerância e confiança eu serei feliz ou se eu me fizer feliz (assumindo uma postura de positividade, harmonia e serenidade) vou irradiar essa vibração para criar um mundo melhor?
Segundo Shivani, quanto mais me mantenho dependente do que acontece externamente, menos assumo a responsabilidade de escolher como responder a cada situação. Deixo de responder às situações da vida de maneira consciente para simplesmente reagir.
E isso vem acontecendo conosco em relação às telas, ao celular, às redes sociais.
— O celular tornou nossa vida fisicamente confortável, mas ficamos emocionalmente dependentes. Consumimos conteúdos de redes sociais em nome do entretenimento, pensando que nos relaxa. Mas, enquanto me engajo nas telas, deixo de usar esse tempo para criar emoções pessoais — afirma.
Ela sugere quatro passos para deixar de ser dependente do celular.
1. Silenciar as notificações. Se for algo urgente, vão te ligar. Quando você olha uma notificação no celular, seu cérebro leva, em média, 23 minutos para retornar ao mesmo nível de atenção que tinha antes da interrupção.
2. Desinstalar por um mês o aplicativo (ou aplicativos) onde você gasta mais tempo (ou de que se sente mais dependente). — Segundo ela, você pode se sentir estranho nos primeiros dias, mas depois vai perceber que a vida fica mais fácil, serena.
3. Escolher com cuidado o conteúdo que consome. Shivani defende que o que assistimos, ouvimos e lemos cria nossos pensamentos. E pensamentos repetidos se tornam hábitos. Os hábitos se tornam ações e as ações se tornam nossa personalidade, nossa natureza. Isso define a forma como respondemos a cada situação e cria nosso destino.
Ela sugere alinhar essa equação:
— Não é possível mudar o destino sem mudar os pensamentos e não é possível mudar os pensamentos sem mudar o que conteúdo que consumimos — diz.
4. Sem telas durante as refeições. Coma com presença, de maneira consciente e silenciosa. Quando comemos de maneira distraída, permitindo que a mente se engaje com o que está acontecendo à nossa volta, o alimento e a bebida absorvem essa energia.
— O tipo de conteúdo que consumimos e a maneira como consumimos pode tirar nossa energia e aumentar a ansiedade. É importante estarmos atentos — conclui.
As palestras do tour de BK Shivani pelo Brasil estão disponíveis no site oficial da organização Brahma Kumaris.