Pela primeira vez desde sua inauguração, em 1976, a Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro passa por uma grande obra de restauração. Localizada na Avenida Chile, no Centro, a construção modernista, que é sede da Igreja Católica no Rio e um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, está recebendo serviços de recuperação sob responsabilidade da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop-RJ).
Catedral Metropolitana do Rio passa por intervenção
As intervenções, que têm previsão de conclusão no primeiro semestre de 2026, incluem o restauro e a reconstrução dos vitrais alemães que compõem os painéis coloridos do prédio, além da pintura da fachada com tinta especial resistente ao tempo. O investimento é de R$ 68,8 milhões, dentro do Programa Infratur, iniciativa criada pela Alerj e executada pelo governo do estado para recuperar patrimônios históricos e turísticos do Rio.
— A revitalização da Catedral, assim como a de outros bens tombados com importância histórica, turística e religiosa, faz parte de uma política pública de investimentos na cultura e na memória da população fluminense — disse o governador Cláudio Castro.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/4/1/fnNQjwQSAsC8WLibu9wg/psx-20250614-210245.jpg)
Segundo o diretor de manutenção da Emop, Rony Silva, um dos principais desafios da obra é manter o funcionamento do espaço, que recebe visitantes diariamente.
— Estamos trabalhando tanto na fachada quanto internamente. São mais de 67 mil metros quadrados de recuperação de concreto aparente, além dos banheiros e das áreas internas. Como a Catedral não pode ser fechada, precisamos ter um cuidado maior com a proteção das pessoas que estão circulando — explicou.
A restauração dos vitrais é considerada a etapa mais delicada. O vitralista Cláudio Sacramento, que há 35 anos cuida da manutenção das peças, detalha o processo.
— Essa é a primeira vez que a gente consegue uma verba suficiente para fazer um restauro completo. Os painéis descem, são desmontados, e é feito todo o processo. Criamos um molde do desenho para refazer a peça exatamente igual, e depois recolocamos no local. Algumas técnicas ainda são executadas lá em cima mesmo, sem precisar descer a peça — disse.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/R/d/wGYuMCT7K53PcDsh9v9Q/psx-20250614-210744.jpg)
Para o pároco da Catedral, padre Cláudio dos Santos, a obra trará benefícios que vão além da preservação do patrimônio.
— A Catedral é o segundo ponto turístico mais visitado do Rio. Recebemos pessoas de todos os lugares do mundo, não só católicos. Ver o espaço revitalizado vai trazer satisfação não apenas para os fiéis, mas também para quem tem curiosidade em conhecer uma arquitetura bastante singular — afirmou.
Além da Catedral Metropolitana, o Programa Infratur prevê a recuperação de outros dois templos religiosos. A Catedral Presbiteriana, no Centro, em estilo neogótico, passa por serviços de restauração de telhados, vitrais e limpeza da superfície. A previsão é de conclusão no início de 2027.
Já no Ilé Asé Opó Afonjá, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, as obras começaram no fim de 2024, com orçamento de R$ 633 mil. O projeto inclui o replantio da árvore sagrada Iroko, retirada após as raízes comprometerem a estrutura do terreiro e de casas vizinhas. O trabalho, acompanhado pela Universidade Rural, deve ser finalizado até setembro deste ano.