Oficiais da Polícia Civil de São Paulo interceptaram na noite de segunda-feira (18) um encontro entre um suposto membro de um cartel mexicano e dois dominicanos no centro da capital paulista. Com o grupo foram encontrados 3 quilos de metanfetamina.
A apreensão é a maior já registrada pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc) e chama atenção pelo alto valor da mercadoria encontrada pelos policiais. Em São Paulo, o comércio da metanfetamina é realizado por gangues de estrangeiros, como os chineses e os nigerianos, conhecidos por produzirem uma droga de baixa qualidade, que é vendida a cerca de R$ 150 a grama.
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Já a substância produzida e importada do México, ao contrário das comercializadas pelos grupos mencionados acima, não é feita em laboratórios improvisados, tem um grau de pureza maior e pode ser encontrada por até R$ 600, segundo policiais ouvidos por O GLOBO. Os 3 quilos da droga poderiam ser avaliados em no mínimo R$ 500.000 e valerem até R$ 1,8 milhão.
A prisão do mexicano e dos dominicanos ocorreu em um bar localizado na Avenida São João. Os policiais interceptaram o encontro do engenheiro mexicano Julian Salvador Barba Jimenez com os dominicanos Reyna Mercedes Chavez e Daniel Encarnacion Ramirez.
Jimenez chegou ao bar na noite de segunda e se sentou na mesa com Reyna e Ramirez, segurando uma caixa de papelão. Ao flagrarem o encontro, os agentes entraram no bar e verificaram o conteúdo da caixa. Ali encontraram diversos sacos plásticos com metanfetamina, além de uma balança digital. Os três foram presos em flagrante por tráfico de drogas.
Na delegacia, Jimenez, teria dito aos policiais que é natural do estado de Jalisco, no México, e que é membro de um cartel de drogas que atua naquela região. Ele estava no país há cerca de 45 dias e estava hospedado em um prédio na região do Paraíso. No interrogatório, no entanto, ele permaneceu em silêncio.
A dominicana Reyna Chaves mora no Brasil há 25 anos e já foi presa e condenada anteriormente por tráfico de drogas. Já Daniel Ramirez vive no país desde 2016 e afirmou que trabalha como barbeiro. Os dois também permaneceram em silêncio durante o interrogatório.
— Provavelmente (Reyna e Ramirez) seriam usados para distribuir essa droga por aqui — diz a delegada Tatiana Mourino, do Denarc.
A polícia apreendeu o celular de Jimenez e vai analisar o conteúdo do aparelho nos próximos dias. A expectativa é que o telefone contenha mais informações que ajudem a revelar o tamanho da operação que o mexicano mantinha no Brasil. O GLOBO não conseguiu contato com os advogados dos acusados.
Na capital paulista, a venda da metanfetamina está ligada a redes de prostituição e é vendida em motéis e baladas da região central. A droga, voltada para um público de alta renda, aumenta a libido e o desejo sexual e é usada para a prática do chamado chemsex, em que os envolvidos ficam por dias dentro de quartos praticando sexo. Uma única grama pode ser usada por até dois dias pelo usuário.
Em janeiro, policiais do Denarc prenderam em um hotel da Avenida Angélica, na região central de São Paulo, o mexicano Guillermo Fabian Martinez Ortiz.
Engenheiro químico e ex-funcionário de uma petrolífera no México, ele era um dos maiores produtores de metanfetamina de São Paulo e teria ensinado a “receita” para a produção da droga de forma local para os chineses.
Antes, a maior parte da droga consumida no Brasil era importada do México. Ortiz, que está preso, foi condenado em março a cinco anos de prisão pela Justiça de São Paulo, em primeira instância.
Em julho de 2024, os policiais localizaram um laboratório clandestino de metanfetamina, que era operacionalizado por um grupo de chineses. No local, na Rua Almeida Torres, na Aclimação, foram encontrados 2 quilos da substância. Alguns dos integrantes das máfias que vendiam o “cristal” pela cidade tinham até mesmo apelidos relacionados à série Breaking Bad, em que o protagonista, o professor de química Walter White, começa a produzir metanfetamina após receber o diagnóstico de um câncer.