- ‘Toda a força’: Casa Branca chama governo Maduro de ‘narcoterrorista’ enquanto frota naval se aproxima da costa da Venezuela
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“Temos um presidente com a clareza moral e a coragem necessárias para proteger vidas americanas. Terroristas serão tratados como sempre foram. Maduro deveria dormir de olhos abertos. Alguém na Venezuela ficará US$ 50 milhões mais rico em breve”, escreveu na rede social X, referindo-se à recompensa de cerca de R$ 271 milhões oferecida por Washington pela captura do líder chavista, acusado pelos EUA de ser “um dos maiores narcotraficantes do mundo”.
Na terça-feira, ao ser questionada se os EUA estariam planejando uma operação terrestre na Venezuela, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, se esquivou da pergunta, mas afirmou que os EUA estão dispostos a usar seu poderio contra o regime, que classificou como ilegítimo.
— O presidente Trump tem sido muito claro e consistente: ele está preparado para usar todo elemento da força americana para parar a entrada de drogas no nosso país e levar os responsáveis à Justiça — afirmou Leavitt a jornalistas durante coletiva na Casa Branca. — O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela, é um cartel narcoterrorista e Maduro, na visão desta administração, não é o presidente legítimo. Ele é um chefe fugitivo desse cartel que está sendo processado nos EUA por trazer drogas para este país.
Em julho, a Casa Branca sancionou o chamado Cartel de los Soles, designando o grupo criminoso venezuelano como uma entidade terrorista global. Segundo o Departamento do Tesouro, ele é comandado por Maduro.
O temor de uma intervenção na Venezuela — com quem os EUA romperam relações diplomáticas em 2019, durante o primeiro governo Trump — escalou ainda mais no início do mês, depois de uma diretiva obscura que ordena que as forças americanas combatam cartéis de drogas estrangeiros. Na esteira da decisão, uma frota naval foi deslocada de Norfolk, na Vírgina, em direção às águas da América Latina na sexta-feira, acedendo o alerta de governos da região.
Ante as ameaças americanas, o governo venezuelano respondeu com uma mobilização de 4,5 milhões de milicianos. Criada em 2007 pelo ex-presidente Hugo Chávez, a Milícia Nacional é hoje um dos cinco componentes da Força Armada Nacional Bolivariana. Segundo dados oficiais, o contingente é formado por cerca de 5 milhões de reservistas.
— Fuzis e mísseis para a força camponesa! Para defender o território, a soberania e a paz da Venezuela — proclamou Maduro. — Mísseis e fuzis para a classe operária, para que defenda a nossa pátria!
Líder de um dos países que fazem fronteira com a Venezuela, o colombiano Gustavo Petro disse, em reunião governamental na terça-feira, ter transmitido a enviados dos EUA sua oposição a uma intervenção na região. Ele também alertou para o risco de escalada do conflito e para o envolvimento da Colômbia, dado seus vínculos fronteiriços, sociais e econômicos com o país vizinho.
— Os americanos estão perdidos se acham que invadir a Venezuela resolverá seus problemas. Eles estão arrastando a Venezuela para a Síria, mas com o problema que [também] arrastam para a Colômbia, é a mesma coisa — disse o presidente colombiano. — Eu disse a Trump, por meio de seus emissários, que esse seria o pior erro.