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Laudo confirma que Sther morreu de hemorragia e politrauma; jovem foi espancada por recusar sair com traficante em baile funk

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agosto 20, 2025
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A emoção na despedida de Sther, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

A certidão de óbito de Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, ponta como causas da morte hemorragia subaracnóidea, traumatismo crânio encefálico e politrauma. A jovem foi morta no domingo, após se recusar a sair com um traficante em um baile funk na comunidade da Coreia, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio. A família também denuncia que a jovem foi estuprada.

O documento confirma os relatos da família, que denunciou a violência sofrida pela jovem. Parentes afirmam que Sther foi espancada e deixada desfigurada na porta de casa, na Vila Aliança, depois de ter sido atacada por dois homens a mando de Bruno da Silva Loureiro, conhecido como Coronel, apontado como chefe da comunidade e integrante do Terceiro Comando Puro (TCP).

O traumatismo cranioencefálico (TCE) pode ser causado por fortes pancadas na cabeça, capazes de comprometer o cérebro. No caso de Sther, o exame aponta que a agressão resultou em uma hemorragia subaracnóidea — tipo de sangramento que ocorre entre o cérebro e a membrana que o envolve. O laudo ainda registrou politrauma, termo médico usado quando a vítima apresenta múltiplas lesões em diferentes partes do corpo, provocadas por violência intensa.

A emoção na despedida de Sther, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Durante o velório, no Cemitério Ricardo de Albuquerque, nesta quarta-feira, familiares levantaram cartazes pedindo justiça e fizeram desabafos comoventes.

— Ela falou que não queria. Não é não, seu estuprador. Você ceifou a vida da minha irmã. Olha o que fizeram com ela, cheia de vida. Vou ter que falar para os seus sobrinhos, irmã, que a titia não vem mais — disse a irmã de Sther.

A mãe da jovem, Carina Couto, também pediu justiça e relatou a angústia da noite em que a filha não voltou para casa:

— Ninguém tinha o direito de tirar a vida da minha filha. Lutem por justiça por ela. Eu não dormi naquela noite, fiquei ansiosa porque ela não chegava.

Parentes e amigos de Sther Barroso dos Santos pedem justiça durante o velório da jovem — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
Parentes e amigos de Sther Barroso dos Santos pedem justiça durante o velório da jovem — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Segundo a tia Gisele Barros, a violência foi tamanha que a família precisou pagar cerca de R$ 2 mil para reconstruir o rosto da jovem.

— Até para abrir o caixão foi horrível. Eles deixaram ela irreconhecível. Além do espancamento, ainda teve o estupro. A menina era uma princesa, parecia uma boneca. Mesmo com todo o trabalho do IML, ela continuava desfigurada. Eles acham que são donos de todas as pessoas da comunidade — disse.

A tia relatou ainda que a família vem sofrendo ameaças de Coronel:

— Não abandonem a causa da Sther. A família está com muito medo nesse momento.

Sther dos Santos foi espancada e morta por não querer sair com traficante que estava em baile funk, em Senador Camará — Foto: Reprodução
Sther dos Santos foi espancada e morta por não querer sair com traficante que estava em baile funk, em Senador Camará — Foto: Reprodução

Antes de ser morta, Sther vivia uma fase de conquistas pessoais. Trabalhava, estudava, já tinha comprado uma casa em seu nome, estava em processo para tirar a carteira de habilitação e se preparava para se mudar para um novo apartamento.

Parentes contam que, um dia antes do crime, a jovem chegou a visitar o irmão preso. Naquela noite, relatou ter sonhado que estava sendo perseguida e encurralada por homens.

O assassinato de Sther é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). De acordo com a polícia, Coronel acumula diversas anotações criminais por tráfico de drogas, roubo, homicídio, porte ilegal de arma de uso restrito, receptação e lesão corporal. Contra ele, há 12 mandados de prisão em aberto. Integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), o traficante costumava se esconder no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital, mas voltou a circular em comunidades da Zona Oeste, como Vila Aliança e Coreia, territórios dominados pela facção.

Apontado como figura violenta e de grande influência na facção, Coronel é descrito como alguém que usa a força para impor medo na comunidade.

O primeiro mandado de prisão preventiva contra Coronel foi expedido pela Justiça do Rio em 2019. Na ocasião, ele e outros dois suspeitos haviam sido denunciado pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado, associação para o tráfico de drogas e corrupção de menores. De acordo com a denúncia, em setembro de 2018, os acusados, acompanhados de um adolescente, abriram fogo contra Douglas Luiz dos Santos Nascimento, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

O Ministério Público sustenta os três mantinham uma associação criminosa voltada ao tráfico de drogas na Favela do Muquiço, em Deodoro, na Zona Norte, e que teriam envolvido o menor de idade nos crimes. O assassinato, segundo as investigações, teria sido motivado para demonstrar o poder da facção na região.

O último mandado de prisão preventiva contra Coronel foi expedido em junho do ano passado, por homicídio e organização criminosa. O MP denunciou o criminoso e um cúmplice por participação em uma chacina ocorrida em março de 2021, no Parque de Madureira, Zona Norte do Rio. Segundo a denúncia, os dois, junto a um terceiro homem ainda não identificado, atiraram contra cinco pessoas durante uma partida de futebol. O ataque teria sido motivado por disputas entre facções criminosas rivais: as vítimas estavam ligadas ao Comando Vermelho (CV), facção rival do TCP.

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