Dizem por aí que é moda no mundo inteiro. Com as pesquisas cravando que as pessoas estão bebendo menos, os horários mudaram, os programas estão sendo marcados para cada vez mais cedo e o que está na crista da onda são as coffee parties. Encontros de jovens adultos que trocam a cervejinha pelo café e suas variações, de preferência não etílicas, durante um social matutino. Dizem que é animado, tem até música. Música só, não: DJ. Coisa fina, que veio de Londres, Barcelona e Nova York. É, pode ser. Mas coffee party? Tu tá no Rio, não é Disney.
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A gente é bom de inventar moda, não de copiar. Se tem duas coisas que carioca curte é tomar café da manhã na rua e botequim. Começar o dia num bar com um pingado, um salgado ou um pão na chapa é coisa nossa, seja por hábito, para se atualizar das notícias ou só mesmo fuxicar a vida alheia. Nem sempre o convívio é sadio, é verdade. Mas com pinga ou pingado, o desjejum com cotovelo no balcão é um clássico desde que a primeira birosca abriu as portas por aqui.
Nada de ovos beneditinos, nem toasts de avocado com gema mole escorrendo. É mais um resgate da vidinha pão com ovo, no melhor da sua essência.
Um dos pioneiros neste movimento de forrar o estômago logo cedo nos lugares onde a gente gosta de ir todos os dias é a Noo Cachaçaria, na Praça da Bandeira. Como é de bom tom nos botequins, lá não tem miserinha, tem é a opção de bufê liberado, que vai do pão francês com requeijão cremoso ao aipim cozido com manteiga. Para rebater, suco verde — um dos melhores da cidade.
Também aos domingos, o Capiau, no Beco das Sardinhas, reforça as origens no brunch caipira, com pipoca de pão de queijo e goiabada feitas na casa e ovos caipiras, com linguiça da roça e pão de fubá. O cafezinho é feito com grãos especiais que variam de tempos em tempos e servido no bule da vovó que deixa o coração quentinho. Quando termina a missa das 10h30 na Paróquia de Santa Rita, a calçada do outro lado da rua já está tomada e é difícil alguém ceder o lugar para quem chega só para o almoço feito no fogão a lenha.
Quem começou a abrir as portas mais cedo nos fins de semana desde que passou a dar expediente também em Copacabana foi o Bar da Frente. No endereço pertinho do mar tem pão com mortadela e manteiga, pão na chapa no francês ou no Petrópolis bem fofinho, a tapioca do Cícero, com ovo mexido e queijo, e granola especial da Mari.
Fazendo jus ao nome, o coado é do vizinho, Café ao Leu, servido no copo americano. Para quem não liga para esse negócio de horário, a chopeira mandou avisar que também começa a trabalhar cedo, sem julgamentos.
Botando o sarrafo no alto cedinho, de quarta a domingo, o Baixela resgata a combinação preferida de Elvis Presley e praticamente esquecida pelas novas gerações, o queijo com banana. Música para os meus ouvidos.
Como a cerveja ali só é liberada a partir das 11h30, um chazinho de boldo com lugar cativo na carta de bebidas vale como pré-treino.