O 41º Mundial de Ginástica Rítmico já é histórico. A primeira edição do evento sediada na América do Sul, que reúne mais de 300 atletas de 77 nacionalidades, começará hoje a distribuir medalhas para as provas em grupo. Para o Brasil, a nona colocação de Babi Domingos no individual geral, na sexta-feira, melhor resultado do país nesta prova, serve como incentivo para que o conjunto brasileiro alcance o pódio pela primeira vez. A animação do público, aliada à boa fase que vive a seleção e à música-tema “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó, apontam os caminhos para o resultado inédito.
Após uma frustração nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, com a lesão de Victoria Borges, o conjunto treinado por Camila Ferenzin se reergueu e encontrou na nova equipe sua melhor versão. A capitã Duda Arakaki lidera o conjunto formado por Nicole Pircio, Sofia Madeira, Maria Paula Caminha e Mariana Gonçalves. Hoje, elas concorrem na série olímpica, obtida pela somatória das provas das duas provas: a série simples de cinco fitas e o conjunto misto, com três bolas e dois arcos.
A expectativa está alta para a interação com público. Na série mista, as ginastas terão “Evidências” como tema, que a auxiliar ténica e responsável pela parte artística da apresentação, Bruna Martins considera como uma espécie de “hino não-oficial” do Brasil. Os elementos de dança, que ocupam um grande espaço da nota, vêm sendo valorizados cada vez mais na modalidade, e às ginastas apresentarão uma boa dose de gingado brasileiro. Para melhorar o desempenho, a professora de balé resolveu tirá-las do tablado e levá-las para o salão de dança.
— O brasileiro sente a música, é como se a gente nascesse com esse dom da dança, então tudo fica muito latente e fácil de extrair. Elas fizeram aula de dança contemporânea, com música sertaneja, para a gente conseguir extrair delas essas vivências. A música fala de amor, paixão, loucura, e elas se entregam, fazendo os movimentos que a música e a série pedem — conta Bruna.
Em dois momentos da apresentação, o som da música diminui para dar espaço ao coro do público. Pelo menos, essa é a expectativa de Camila, que espera que a torcida contagie também os jurados. No Mundial de 2023, em Valência, a seleção brasileira perdeu a medalha de bronze para a Itália no desempate, e desta vez não há mais espaço para arriscar. Para a treinadora, um dos motivos para trazer o Mundial para o Brasil foi a de tentar pender a balança para o lado verde e amarelo.
— Desde quando a gente escolheu “Evidências”, a gente imaginou o ginásio todo cantando a nossa música, acho que vai ser de arrepiar — projeta Camila — Não vai ter como não se comover com essa torcida, essa energia maravilhosa.
Mesmo uma vida inteira nos tablados — ela competiu pela primeira vez em um Mundial em 1991 — não foi capaz de preparar Camila para o espetáculo que a torcida vem fazendo durante o torneio. Hoje e amanhã, a Arena Carioca estará praticamente lotada: só há ingressos disponíveis para entrada inteira, e só em um dos três setores.
Ela comemora o crescimento da ginástica rítmica no país, principalmente depois de Paris-2024, quando o esporte foi abraçado pelo público. Para ela, o Brasil vive um momento de auge, e a consagração ideal pode vir no pódio.
— A gente conseguiu reunir tudo de melhor: o melhor momento da ginástica rítmica do Brasil, o maior e melhor Mundial da história, o primeiro da América do Sul. A nossa equipe tem profissionais com bastante experiência, está tudo no melhor momento. Agora é ter frieza, tranquilidade e fazer o que a gente sabe.
Aparelho considerado o mais difícil, a fita estará em destaque na série simples, que terá um mix de músicas brasileiras embalando as ginastas. Há toda uma logística para mantê-la seca: a equipe usa ferro de passar, secadora portátil e muito talco para manusear o aparelho antes da competição. A umidade do Rio, assim como o ar condicionado da arena, também influenciam o movimento da fita, mas mesmo com tantas variáveis, Camila está confiante para a apresentação do Brasil.
— A gente chegou aqui com o conjunto misto precisando de um pouquinho mais de ajustes, mas a fita tem essa questão do tempo, que foge do nosso controle. Se o ar-condicionado estiver ligado, se ventar, pode acabar caindo. As duas séries têm um grau de dificuldade grande, mas acho que o Brasil vai se sobressair na fita.
Na sexta-feira, no treino de pódio, as ginastas mostraram à imprensa e às outras delegações o que está por vir. A preparação para o Mundial vem intensa desde o início do ano, mas só termina mesmo quando as atletas entram na quadra. Camila conta que, durante esta semana, o figurino precisou passar por ajustes após uma das ginastas sentir que a parte de trás do collant limitava seus movimentos e dificultava a colaboração — quando as ginastas usam partes do corpo para lançar os aparelhos entre si.
— Uma ginasta ficou incomodada com o modelo do collant, que tinha uma aba fechada na parte de trás. Ela não conseguia sentir a bola para fazer uma colaboração, estava errando muito, se sentindo ansiosa, então resolvemos o collant que era fechado atrás do ombro. A gente trouxe uma costureira e ela ajustou, deixou as costas limpas para ela poder sentir os aparelhos. Nada pode atrapalhar nesse momento — reforça a treinadora.
Os momentos mais importantes para a seleção brasileira, neste ano, foram marcados por muitas comemorações. Na etapa de Milão da Copa do Mundo, o conjunto deixou o torneio com uma medalha de ouro na fita e uma de bronze no conjunto misto. E no World Challenge Cup de Portimão, elas conquistaram o ouro no conjunto geral, simples e misto no World Challenge Cup. No domingo, a conta pode aumentar: as ginastas apresentarão novamente as séries simples e mista, mas cada uma valerá uma medalha.
- 14h-16h30 – Conjunto – All-around – 5 fitas e 3 bolas/2 arcos – BRASIL
- 17h-19h – Conjunto – All-around – 5 fitas e 3 bolas/2 arcos
- 11h-11h35 – Individual – Final – arco
- 11h40-12h15 – Individual – Final – bola
- 12h50-13h35 – Conjunto – Final – 5 fitas
- 14h-14h35 – Individual – Final – maças
- 14h40-15h15 – Individual – Final – fita
- 15h50-16h35 – Conjunto – Final – 3 bolas/2 arcos