A COP30 enfim saiu da retranca. Em meio à crise de infraestrutura, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, publicou na terça-feira (19) sua sexta carta à comunidade internacional, delineando a estratégia para os três meses até a abertura do encontro.
- Na Colômbia, Lula pede ‘esforço incomensurável’ de países da região para comparecerem à COP de Belém
- Hotéis, transporte e central de atendimento: veja os principais pedidos da ONU ao governo brasileiro em reunião da COP 30
A missiva toca nos assuntos mais espinhosos (para além da logística): a insuficiência das NDCs (as metas climáticas dos países), a necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e a promessa de zerar o desmatamento até 2030.
As NDCs já apresentadas pelos países no passado, que estão hoje sobre a mesa, levariam o planeta a um aquecimento de 2,7°C — quase o dobro do limite acordado de 1,5°C. As novas metas precisam ser mais ambiciosas, mas 80% dos países-membros da Convenção do Clima nem sequer as apresentaram. Isso inclui os três maiores emissores (China, Índia e União Europeia), além do EUA, que saíram do Acordo de Paris. Vem jogo duro pela frente.
Também na terça-feira (19), uma portaria assinada pelos ministros Rui Costa e Marina Silva criou a comissão interministerial para o “Fortalecimento da Gestão Socioambiental da BR-319”. BR-319 é a estrada de Manaus a Porto Velho que periga ser pavimentada pelo governo — obra que facilitaria a grilagem, pondo em risco a área mais intocada da Amazônia, e por consequência, a NDC brasileira, baseada no controle do desmatamento.
Uma emenda para evitar cortes em ações climáticas
Termina na próxima quarta (26) o prazo para apresentação de emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que dará as linhas gerais para os gastos públicos de 2026. Nesta semana, ao passar pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o texto ganhou uma emenda que protege as ações climáticas de cortes orçamentários — a exemplo do que ocorre com a educação — garantindo execução estável, fundamental no contexto de crise do clima. O texto segue para a Comissão Mista de Orçamento.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/J/A/h4RCaQQzO8BfOxxzkHug/pol-23-08-petobras-web.jpg)
Começa neste domingo (24) no litoral do Amapá a chamada Avaliação Pré-Operacional, um teste da Petrobras no controverso bloco 59, na bacia da Foz do Amazonas. Serão mobilizados navios e helicópteros para simular a resposta a um vazamento de petróleo no local. Se o ensaio convencer o Ibama, a licença para perfurar o bloco em busca de óleo deve sair em questão de dias — e às portas da COP30. Não custa lembrar que o governo que em dois anos e meio não resolveu a infraestrutura da COP é o mesmo que fez caminhar uma nova frente de perfuração de petróleo na Foz do Amazonas.
ONU e Brasil brigam por subsídio a hospedagem
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/u/r/PtGVaOQwKpCqMVsNpWBA/brasil-x-onu.jpeg)
Na reunião do birô da Convenção do Clima (UNFCCC), ocorrida nesta sexta-feira para discutir a logística de Belém, o governo e a ONU travaram um jogo de empurra: cada um defendendo que o outro subsidiasse a hospedagem dos delegados, diante dos preços extorsivos de acomodação. Em mais uma carta exasperada nesta semana, o secretário-executivo da UNFCCC se queixou de que há meses faz as mesmas perguntas e recebe as mesmas respostas do Brasil. A carta conclui que apenas 18 países de 196 consultados têm onde ficar, a 80 dias da COP.
‘Estamos sendo feitos de bobos’, diz delegado
O representante especial para clima do Panamá, Juan Carlos Monterrey, subiu o tom na reunião do birô e bateu boca com os brasileiros. Monterrey ressaltou que mais de 70% das delegações ainda não reservaram acomodação na COP e que, mesmo na terceira reunião para tratar do tema, as reclamações dos países “entram por uma orelha e saem pela outra”. “Estamos perdendo tempo e sendo feitos de bobos”, ralhou.