- A genealogia do imigrante: listas de chegada em portos resgatam histórias de famílias e levam à dupla cidadania
- Amazonas: Defensoria pede indulto humanitário para indígena Kokama violentada em delegacia
Aline, que vive há mais de cinco anos no país, foi abordada “de forma violenta e arbitrária por agentes não identificados”, segundo relato da amiga Stefany Ramos, que estava no mesmo veículo do qual Alice foi retirada à força, como mostra um vídeo feito no momento da abordagem.
— Os agentes forçaram o vidro do carro, abriram a porta de maneira agressiva, a algemaram e a empurraram para o veículo deles. Durante toda a abordagem, trataram-na de forma desrespeitosa, referindo-se a ela como homem, negando sua identidade de gênero e ignorando sua dignidade. Nenhuma documentação ou esclarecimento formal foi fornecido no momento da prisão — explicou Stefany.
Brasileira trans é detida pelo serviço de imigração dos EUA
Ao GLOBO, Stefany contou que elas estavam deixando a casa de Alice quando foram abordadas pelos agentes, “homens sem uniforme, exibindo apenas distintivos”, que “se aproximaram e deram voz de prisão” à brasileira.
— Denunciamos o tratamento violento, arbitrário e transfóbico sofrido por Alice Barbosa. Reiteramos que ela deve ser tratada com respeito, humanidade e reconhecimento de sua identidade de gênero, conforme garantem os direitos humanos universais e as leis americanas de proteção às pessoas LGBTQ+ — afirmou Stefany.
A deputada federal Erika Hilton disse ter pedido ao Itamaraty “que intercedam pela garantia dos direitos e integridade física de Alice Correia Barbosa”. Ela afirmou que “é papel do Estado brasileiro zelar pela proteção de pessoas brasileiras no exterior” e “é papel do Itamaraty prestar apoio consular, jurídico e humanitário à Alice Correia Barbosa”.
“Como de costume da gestão Trump, a prisão também vai contra a própria constituição estadunidense que, em seus artigos V e XIV, determina que toda pessoa que esteja nos Estados Unidos, independente de ser cidadã ou não, tem direito ao devido processo legal e à proteção legal igualitária”, disse a deputada.
Procurado pelo GLOBO, o serviço de imigração dos Estados Unidos informou que precisaria de mais informações para confirmar a detenção da brasileira.