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Na pintura, a nova fase que floresce com palmeiras do Aterro

BRCOM by BRCOM
agosto 31, 2025
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Ele visualiza a palmeira, fotografa com celular ou com uma câmera digital e pinta — Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Da grama sob o sol ou de bicicleta à beira da Praia do Flamengo. De manhã ou de tarde. Na noite escura ou na madrugada. O carioca Maxwell Alexandre, pintor vencedor do prêmio APCA de Melhor Exposição em 2024 e expositor em renomadas galerias internacionais, mira o parque, o céu, o horizonte. A paisagem se descortina diante do novo apartamento do ex-morador da Rocinha. Entre inúmeras espécies vegetais meticulosamente plantadas pelo paisagista Roberto Burle Marx no Aterro do Flamengo, ele dedica especial atenção às palmeiras Talipot, trazidas do Sri Lanka nos anos 1960: árvores que florescem uma vez na vida e morrem.

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Foram plantadas mais de 65 anos atrás as sementes que hoje inspiram o artista plástico. Quase que para que não morram, através dos pincéis ele eterniza diferentes formas, cores e texturas. Há ainda as variações de tons que surgem a depender da hora. Os quadros ganharão exposição no Rio e na Miami Basel, nos Estados Unidos, além de uma individual em Londres, na Inglaterra.

O carioca de 34 anos nem era nascido quando as sementes chegaram àquela terra. Mas hoje acompanha o amadurecimento e as transformações das palmeiras. Durante as fotos para esta reportagem, se entusiasmou repetidas vezes ao identificar uma nova Corypha umbraculifera florescendo. É um fenômeno raro que só acontece entre 40 e 70 anos depois do plantio e já deu origem a 35 quadros, 30 deles em todos os dias de junho.

— Olha ali! Aquela ali está começando a florescer, ó! Não tinha visto essa ainda — diz. — Fui pintando as palmeiras diariamente e colocando no linho (base que usa para os quadros). Mas levei algumas para o estúdio para enquadrar. Muitas palmeiras estão na fase do fruto. Elas ficaram bem floridas uns anos atrás. Li que florescem depois do fruto. Depois disso, morrem.

O florescimento de algumas Talipot em meio ao processo de morte das demais é concomitante ao despontar de uma nova fase para Maxwell: a de pai de família. Antes dos 30, o jovem criador já havia conquistado lugar em um seleto elenco de artistas de relevância internacional. Aos 34, segue em ascensão e, como compartilhou nas redes sociais, vende quadro a milhão — de reais.

Ele visualiza a palmeira, fotografa com celular ou com uma câmera digital e pinta — Foto: Leo Martins / Agência O Globo

A inspiração para o pintor retratar o novo cenário por onde circula está associada a como as árvores podem despertar os sentidos. Ele visualiza a palmeira, fotografa com celular ou com uma câmera digital (“é muito vídeo, muita foto”) e pinta. Há telas feitas a partir de imagem e de observação.

— Tem as fases em que ela está amarelona. Depois, o aspecto muda. Na fase do fruto, são várias bolinhas. (A pintura) acaba sendo uma tradução da sensação, não um registro científico. A onda era fazer por observação. Minha sensação, ao olhar (para as copas) era de uma textura mais fofinha. Eu não sou um desenhista exímio, de olhar e imprimir uma cópia. A sensação é mais maneira de pintar — diz o pai de Goia, de 1 ano, com a educadora infantil com quem tem uma relação há 12 anos e planeja ter mais filhos.

O novo endereço e o momento particular provocam transformações nos temas e no material usado. Antes de Goia nascer, por exemplo, o artista criou as “Pinturas de berço”, com materiais como linho como base e tintas com menor odor e menos chance de sujar as mãos e a casa.

Maxwell e Goia — Foto: Leo Martins / Agência O Globo
Maxwell e Goia — Foto: Leo Martins / Agência O Globo

— Intuí que trabalhar no linho podia funcionar. Comecei a fazer esses desenhos com pintura com pastel oleoso, mais do que com o seco — conta ele, que abriu caminho no mundo das artes com trabalhos provocativos como os da série “Clube”, criada quando ele começou a nadar no Flamengo, em piscina de ladrilhos, diferente daquelas mais modestas, modelo Capri, em que a garotada se refresca na favela.

Maxwell cresceu numa das maiores comunidades do Brasil, brincou nas suas ruas e vielas, e lá conheceu a mulher, a educadora Raissa Freire. Também trabalhou como cobrador de van, viveu a rotina de estudante de Design na PUC-Rio, frequentou igreja evangélica, foi patinador de street.

Em meio às transformações da vida e à consideração de que a arte era um caminho possível, despontou nacionalmente em 2018, após o reconhecimento da Arquidiocese e de vencer o prêmio São Sebastião de Cultura. Desde então, descobriu e diariamente redescobre possibilidades.

— Estou num momento de me sentir mais estudioso, mais acadêmico, mais tradicional. Também estou trabalhando com menos gente. Passei três anos sem desenhar, e tinha muito desenho de assistente. Agora é período quase sem equipe, não é mais aquela locomotiva. Estou voltando para o caderno, para o meu próprio desenho, a fazer todas as etapas sozinho. E isso tem sido muito bom. É um processo ligado a essa volta da tradição conservadora da pintura — acredita.

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A série de Palmeiras Talipot vai virar, no fim do ano, uma Kabinett (em que se oferece uma cabine para o projeto solo de determinado artista) dedicada a Maxwell Alexandre na Art Basel Miami Beach, nos Estados Unidos.

Questionado se a nova fase é fruto de mais maturidade, o pintor hesita. Maxwell crê que a realidade que vivia provocava mais impacto no que queria retratar. Entre os trabalhos de grande repercussão estão “Novo poder: passabilidade”, que faz pensar sobre estereótipos e identidade; a já clássica série “Pardo é papel”, sobre uma categoria racial ambígua no censo brasileiro.

— Gosto dessa frase: “Toda verdade é em detrimento.” Então, não tem como você conviver com várias verdades. Muitas das vezes uma verdade anula a outra.

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