Após cerca de duas horas e meia de deliberações entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, a Casa de Hóspedes Estatal Diaoyutai, no oeste de Pequim, ficou fechada ao público por mais alguns minutos. O espaço usado pelos líderes antiocidentais para uma importante reunião bilateral foi submetida a um rigoroso protocolo de segurança de Pyongyang, com funcionários da ditadura comunista limpando vestígios de DNA de todos os objetos usados por Kim.
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As imagens gravadas em vídeo ao fim da reunião oferecem um raro vislumbre sobre como funciona a eliminação dos traços biológicos de Kim nos ambientes públicos que ele frequenta — algo que fontes asiáticas afirmam ocorrer dentro e fora da Coreia do Norte. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o momento em que uma funcionária retira o copo usado pelo líder supremo durante a reunião com Putin, enquanto um outro trabalhador limpa detalhadamente a cadeira usada por Kim.
Líder de um dos países mais isolados do mundo, Kim encontrou em Moscou e Pequim seus principais aliados externos, aprofundando as relações a um patamar nunca antes visto — incluindo com o envio de tropas para auxiliar a Rússia na guerra contra a Ucrânia, o que foi exaltado por Putin nesta quarta-feira como um prova da “confiança e amizade” entre os países. Mesmo entre aliados, o norte-coreano não abriu mão do protocolo visto em vídeo.
Fontes no Japão e na Coreia do Sul afirmam que a higienização faz parte de um procedimento para eliminar todos os resíduos biológicos de Kim, a fim de impedir qualquer vazamento de seus dados. A questão, segundo o jornal japonês Nikkei, considerada sensível por Pyongyang, que avalia que esse conteúdo biológico, se levado a análise, poderia revelar informações sobre seu estado de saúde.
A cena inusitada foi a única parte que escapou ao roteiro na reunião entre os dois líderes, que têm consolidado uma parceria cada vez mais firme, política e militarmente. Kim se tornou um importante fornecedor de armas para Putin, além do envio dos soldados — que representa um nível ainda mais profundo de colaboração militar. No ano passado, os países assinaram um acordo estratégico mais abrangente, que obriga as partes a prestar “assistência militar e de outro tipo” em caso de ataque de uma força estrangeira. O ditador norte-coreano pareceu reforçar o compromisso com a parceria, prometendo fazer “tudo o que puder” para auxiliar Moscou.
O encontro bilateral ganhou uma camada extra de simbologia por acontecer à margem do desfile militar organizado pela China, em uma clara demonstração de capacidade militar e de contraposição ao Ocidente, que considera os regimes de Moscou e Pyongyang como repressivos. O presidente americano, Donald Trump, chegou a reagir às imagens dos dois líderes ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, afirmando que os três estariam conspirando contra os EUA — uma declaração que o Kremlin disse esperar ter sido irônica.
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Putin fez gestos públicos de agradecimento a Kim por sua colaboração com os esforços russos no Leste Europeu: afirmou que a mobilização aconteceu por iniciativa de Kim e chamou os soldados que lutaram na região de Kursk de “heroicos”.
— Gostaria de destacar que seus soldados lutaram com coragem e heroísmo — disse o presidente russo. — Nunca esqueceremos os sacrifícios feitos por suas forças armadas e pelas famílias dos seus militares.
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Ao final da conversa, Putin acompanhou Kim até o carro que esperava o ditador norte-coreano. Ele também fez um convite ao aliado, para uma nova viagem à Rússia.
— Estamos esperando por você — disse Putin a Kim, em um vídeo em que os dois aparecem apertando as mãos e se abraçando,
Uma viagem anterior de Kim à Rússia parece ter selado o aprofundamento das relações que pode ser visto agora. Em um encontro no Extremo Oriente russo, os líderes prometeram apoiar-se mutuamente de forma “incondicional”. Após isso, o envio de armas e soldados norte-coreanos para Moscou começaram a ser noticiados. (Com AFP)