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Peru mostra a força que o turismo gastronômico tem. O caminho é esse

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setembro 3, 2025
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O Peru tem mais de 4 mil tipos de batatas catalogaras — Foto: Luciana Fróes

Gastronomia é hoje o terceiro maior impulsionador de turismo no mundo, segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT): uma boa mesa representa mais de 14% das motivações principais dos visitantes. E o tamanho desse mercado é turbinado: US$ 944,6 bilhões com previsão para alcançar um tamanho de mercado equivalente a US$ 3,5 trilhões em 2032, uma taxa de crescimento de mercado equivalente a 15,2% ao ano, segundo a companhia americana International Market Analysis Research and Consulting Group (IMARC Group). França sempre fez da sua culinária a bandeira maior do país. Segue fazendo. Na América Latina, o Peru é um bom exemplo dessa receita de sucesso. De 1,6 milhão de turistas anuais, o país pulou para 3,5 milhões, tudo fruto de investimentos na boa mesa, da criação de uma identidade gastronômica e de uma série de ações que começaram com o chef Gastón Acurio. O veterano chef foi quem jogou luz nos sabores de seu pais: em 2013 despontou entre os dez melhores restaurantes do mundo com o seu Asrtid Y Gaston e La Mar, onde se come o melhor ceviche do planeta. O prato, aliás, desde 2023 virou patrimônio cultural imaterial da humanidade.

O Peru tem mais de 4 mil tipos de batatas catalogaras — Foto: Luciana Fróes

O Peru segue investindo pesado no setor. Ano passado, foi considerado o Melhor Destino Gastronômico do Mundo pelo “World Travel Awards”.

“A nossa gastronomia sempre foi maravilhosa, o que mudou foi a mentalidade do peruano. Hoje se orgulha da cozinha que tem, prestigia e torce por ela”, pondera o chef Mitsuharu Tsumura, o Micha, à frente do Maido de Lima, eleito o melhor restaurante do mundo no The World Best Restaurant de 2025.

La Mar, de Acurio Gastón, melhor ceviche do mundo — Foto: Luciana Fróes
La Mar, de Acurio Gastón, melhor ceviche do mundo — Foto: Luciana Fróes

No ranking dos grandes restaurantes do mundo, o Peru aparece ainda com mais quatro casas: Mérito, Mayta, Kjoelle e Central, categoria “hour concourt”

“Temos ainda muito para descobrir e a explorar”, defende Virgílio Martinez, que conta com laboratórios de pesquisas em seu restaurante Central. Recentemente tive o privilégio de desfrutar dessa experiência inesquecível no restaurante de Martinez: e tive a oportunidade de provar coisas como as barrinhas de chocolate verdes, feitas a partir da folha do cacaueiro. Genial. Comer no Central é uma aula sobre biodiversidade do país. Insumos oriundos de pequenas comunidades, cultura, história, técnicas milenares, aparecem no prato, junto e misturado, lindamente apresentados. No menu degustação de 13 etapas, provamos criações com nomes como bosque andino, águas da Amazônia, extrema altura, solo do pacífico, cérebro do mar.

James Berckemeyer , do Cosme, comfort food peruano, no time dos grandes de Lima — Foto: Luciana Fróes
James Berckemeyer , do Cosme, comfort food peruano, no time dos grandes de Lima — Foto: Luciana Fróes

O chef Jaime Pesaque reza na mesma cartilha da identidade gastronômica em seu restaurante Mayto ( entre os 10 melhores do mundo). Mayto quer dizer terra nobre. ” Exploro insumos da serra, da costa, mar, selva. Temos três tipos de selva no Peru e nossa biodiveridade é inesgotável. Só batatas, temos mais de 4 mil catalogadas e cultivados nos Andes”, diz Pesaque, que serve menu degustação com dez etapas: conchas com alcachofras; milho com flor de quinoa; enguias amazônicas com alho negro; costelas com batatas… Para harmonizar, vinhos alemães, espanhois chineses (a colônia chinesa no país é enorme) e peruanos também, feitos em Cusco.

“Temos bons exemplares com uvas criollas antigas que crescem ao sul de lima, regiões costeiras como Arequipa”, conta o chef Pedro Miguel Schiaffino, do Rosa Náutica, icônico restaurante instalado praticamente dentro do mar do Pacifico, de onde se tem uma das vistas mais bonitas da cidade. E um cardápio que mergulha fundo nesse mar farto em robalo, linguado, pargo, atum, marlim, salmões, camarões, lagostins, caranguejos, ostras, vieiras

Snack do Mayto, entre os dez melhores restaurantes do mundo — Foto: Luciana Fróes
Snack do Mayto, entre os dez melhores restaurantes do mundo — Foto: Luciana Fróes

“Servimos o mais fresco possível, para valorizar o sabor do que vem do mar. É frescor sem frescuras” diz o simpático chef, que sabe tudo sobre insumos amazônicos. “Mas aqui é o mar que manda” . Foi a minha primeira parada no tour que fiz por Lima à convite do chef James Beckemeyer, dos restaurantes Cosme e Alma, ambos bem posicionados no cenário internacional. ” “Você não conhece o Peru? Não pode uma coisa dessas!”, me disse James. Dois meses depois lá estava eu circulando pela cidade banhada pelo Pacífico, de trânsito caótico.

Ostras frescas do Rosa Náutica, icônico restaurante voltado para o Pacífico — Foto: Luciana Fróes
Ostras frescas do Rosa Náutica, icônico restaurante voltado para o Pacífico — Foto: Luciana Fróes

Cosme é Alma ficam no simpático bairro de Miraflores, espaço alegre, familiar, referência de um comfort food peruano. James trabalhou com Gaston Acurio, lida bem com fogo e do que vem do mar.

“Lima foi por muito tempo uma cidade passagem para quem ia conhecer Machu Picchu. O cenário hoje é outro, a gastronomia virou atração também”, diz

A casa mais premiada do país, o Maido, serve comida nikkei, mescla da japonesa com a peruana. Faz por merecer o tanto de prêmios que acumula. Numa casa de esquina, de três pisos, o salão é informal, com quipus pendentes do teto, cordões coloridos com nós usados pelos incas para se comunicar, transmitir dados. Os garçons são fluentes no português, para atender o maior público da casa: o brasileiro. Mesmo com os preços salgados praticados ali.

Além da riqueza da mesa peruana, a cidade de Lima tem um belo centro histórico, bons museus, artesanato de encher a mala, visual lindo do mar do Pacífico, pirâmides milenares por todos os lados e um dado curioso: não chove quase nunca em Lima. O último temporal foi em 1979. Não tem guarda chuvas nas lojas (chamam lá de Paraguas) e bares, restaurantes e até shoppings são abertos, porque não tem tempo ruim.

Cabe a nós bebermos nessa mesma fonte: mês que vem, o Rio será a cidade homenageada no maior evento gastronômico do mundo: o Gastronomika, em San Sebastian. Pela primeira vez na história do evento, uma cidade da América do Sul será estrela. Os holofotes de voltarão para a mesa carioca.

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