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‘Não importa quem eu levo para cama, importa quem eu construo na tela’

BRCOM by BRCOM
setembro 9, 2025
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Johnny Massaro em "O filho de mil homens", de Daniel Rezende, adaptação de livro de Valter Hugo Mãe — Foto: Divulgação/Netflix/Marcos Serra Lima

Johnny Massaro acredita em magia, nos mistérios das coisas e nos sinais da vida. Acredita que as coisas acontecem quando devem acontecer. Mas não quer saber de ficar esperando. Desde jovem, se joga com vontade em seus projetos e luta por seu espaço. Quando viu um post nos Stories do diretor Daniel Rezende de que adaptaria para as telas um de seus livros favoritos, “O filho de mil homens”, de Valter Hugo Mãe, Massaro se apressou em comentar: “Neste set eu sirvo até cafezinho.” A brincadeira deu resultado, e ele entrou para o elenco da produção que fará sua estreia na Mostra de Cinema de São Paulo, em outubro.

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Empolgado com um personagem na série “Emergência radioativa”, que vai estrear na Netflix, e com a oportunidade de trabalhar com o diretor Fernando Coimbra, de quem é fã desde “O lobo atrás da porta” (2013), foi para seu teste disposto a não voltar com um “não”. Apareceu no local preparadíssimo, oferecendo até mesmo sugestões de figurinos. Quando jovem, chegou a criar um e-mail e se passar por seu próprio assessor para tentar um espacinho na coluna de Patrícia Kogut no GLOBO.

Johnny Massaro em “O filho de mil homens”, de Daniel Rezende, adaptação de livro de Valter Hugo Mãe — Foto: Divulgação/Netflix/Marcos Serra Lima

— Fico pensando que magia é intenção e trabalho. Você precisa intencionar o que você quer, mas também trabalhar para isso. Corri muito atrás do meu espaço e fico feliz de hoje ter o luxo de escolher alguns projetos e até, eventualmente, dizer não — afirma Johnny Massaro, de 33 anos, em conversa com o GLOBO em seu apartamento no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.

O ator e diretor completa duas décadas em atividade em 2025. Ele tinha 12 anos quando fez o primeiro teste, para a novela “Floribella”, que estrelou em 2005. De lá para cá, traçou trajetória consolidada com trabalhos de destaques na TV, no cinema e no teatro. No momento, é protagonista da nova série “Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente”, com episódios semanais exibidos aos domingos na HBO e na HBO Max, com direção de Marcelo Gomes e Carol Minêm. Na trama, o ator vive Nando, um comissário de bordo que sofre ao ser diagnosticado com o vírus da Aids em meio à epidemia do HIV nos anos 1980. Após o choque, ele, na companhia de colegas, passa a trazer o medicamento AZT para o país de forma ilegal, numa época em que a fiscalização era menor.

Johnny Massaro em "Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente" — Foto: Divulgação/Daniel Chiacos
Johnny Massaro em “Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente” — Foto: Divulgação/Daniel Chiacos

— O trabalho na série, além do que tinha feito antes no filme “Os primeiros soldados”, me ajudou a enterrar fantasmas que eu mesmo tinha em relação ao HIV. Hoje, sabemos que o vírus não se limita à comunidade (LGBTQIAPN+), mas sempre foi muito estigmatizado nesse lugar. Como homem gay, pude colocar um cimento em todos os meus medos em relação ao tema — conta o ator. — O HIV é uma condição crônica, como pressão alta, diabetes. Então, por que as pessoas que vivem com HIV têm vergonha de dizer e quem vive com pressão alta ou diabetes, não? Ainda há muito estigma, ignorância e preconceito. E por isso ainda morrem tantas pessoas por ano.

Na série, o personagem de Massaro é apelidado de “Vida”. A palavra, que também serve de título do primeiro episódio, é considerada pedra fundamental da produção. A ideia é “reconstruir o imaginário ao redor do HIV e da Aids” e adotar a perspectiva de vida.

— Na série, falamos de um momento em que o tratamento não era permitido no Brasil. Hoje, o país é o único do mundo que oferece tratamento total e irrestrito gratuito através do SUS. E oferece o tratamento tanto para as pessoas que vivem com o vírus quanto para quem quer se prevenir através de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e PEP (Profilaxia Pós-Exposição) — diz.

Massaro lembra que há três anos passou a falar mais abertamente sobre sua sexualidade, após o trabalho em “Verdades secretas 2”. Antes, tinha o receio de que poderia prejudicar sua carreira.

— Nunca necessariamente escondi a minha sexualidade, nem me furtei de viver nada, mas em um momento senti que estava precisando ser desonesto em minhas conversas. Ficava aquela coisa meio velada e foi me enchendo o saco. Decidi: não quero mais omitir, quero poder ter uma conversa sincera e ser acolhido — diz o ator. — Ser assumidamente gay e poder viver personagens heterossexuais, disputando a Barbara Reis com Cauã Reymond e Paulo Lessa (na novela “Terra e paixão”), é um avanço enorme. Em quase 21 anos de carreira, falo abertamente da minha sexualidade há três. Significa que por 18 anos eu interpretei personagens heterossexuais e nunca foi uma questão. Então, no final das contas, não importa quem eu levo para cama, importa quem eu construo na tela.

Filho de pai taxista e mãe secretária de escola, Johnny Massaro valoriza o apoio da família em sua trajetória. É o pai que cuida de seus três gatos quando ele está viajando a trabalho, além de outros apoios do dia a dia. O ator comemora o fato de os pais terem assistido (e aprovado) ao primeiro episódio de “Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente”. Preocupado, ele havia avisado que tinha muitas cenas de sexo na série.

— Gosto de ter esse cuidado e dar a liberdade para eles escolherem se gostariam de assistir ou não — diz Massaro. — Quando fiz “R&J de Shakespeare” (peça lançada em 2013), eu avisei a minha mãe que beijava um menino. Ela falou: “Ah, tá bom”. Veio a estreia e eles não foram me assistir pela primeira vez. Passou um tempo, estava fazendo a peça e tinha uma cena em que eu passava pela plateia. Aí eu vi meu pai sentado no pior lugar possível. Ele não me avisou, mas teve a curiosidade e a vontade de ir assistir. Nunca falei isso para ele, estava guardando para contar no Jô (Soares), mas não deu (risos). Gosto dessa história porque a minha relação com eles em relação à sexualidade sofreu um salto quântico do momento da descoberta, por assim dizer, até hoje em dia. Está tudo mais tranquilo e conversado. Vê-los na plateia para assistir à (pré-estreia da) série foi lindo e muito simbólico.

Johnny Massaro em "Emergência radioativa" — Foto: Divulgação/Netflix/Helena Yoshioka
Johnny Massaro em “Emergência radioativa” — Foto: Divulgação/Netflix/Helena Yoshioka

Apesar da formação em cinema, Johnny Massaro conta que não teve uma educação formal como ator. Decidiu então buscar na vida a bagagem para seu lado artístico.

— Escalei vulcão, nadei com tubarão, voei de asa-delta, viajei sozinho para a China, fiz coisas de alteração de consciência. Fiz muitas coisas que me tiravam do eixo porque sentia que me colocar nessas situações limite ia me ensinar como ser humano e que poderia levar isso para o meu lado ator. Hoje em dia, um pouquinho mais velho, tenho tido menos coragem para ir sozinho pro meio da natureza (risos), mas tenho muito mais coragem para fazer as coisas sem pensar no que os outros acham — diz o ator. — O que já entendi que é nunca vou abandonar a curiosidade. Vejo atores como Tony Ramos e Lima Duarte e espero que esse Johnny daqui a 40 ou 50 anos seja tão curioso com o que sou agora.

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É essa curiosidade que mantém Massaro repleto de sonhos e projetos. O ator já gravou a série “Delegado”, produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux para o Canal Brasil, e comprou os direitos de adaptação para o teatro do livro “A gente mira no amor e acerta na solidão”, de Ana Suy, obra pela qual se apaixonou já no título. Ao mesmo tempo, tem planos de voltar à direção. Ele, que fez sua estreia como diretor de longas com “A cozinha” (2022), nos próximos meses dará início às filmagens de um curta que dirigirá.

— É muito especial estar em tantos projetos que quis fazer, com pessoas com quem queria trabalhar, contando histórias que quis contar. Não vou fazer o fino e achar que é normal, ainda me enlouquece um pouco conseguir viver o que sonhei.

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